terça-feira, 3 de novembro de 2009

Série Entre-Vistas com Wesley Costa Melo

Born To Lose - Wesley a primeira pergunta de toda entrevista feita pro blog quer saber o que o artista entrevistado compreende por arte. Esta pergunta pode parecer banal num primeiro momento, por parecer geral demais, contudo nós queremos remetê-la ao caráter mais subjetivo possível. Assim, explorando o caráter subjetivo da definição de arte nas várias entrevistas, chegaremos a uma multiplicidade de definições que podem ou não se relacionar de modo a se complementar. Embora haja tal expectativa, há grande chance dela não se concretizar. Na verdade permanecerá um mistério o que vai resultar desta multiplicidade de definições. Mas chega de explicações, diga-nos Wesley: o que é arte para você?

Wesley Costa Melo: Uma forma de amenizar nossos conflitos. Um alívio. Sinto a âncora da vida ser recolhida. Uma paz. Um sentimento instantâneo e por isso, talvez, qualquer forma de responder o que seja a arte, é equívoco. É isso agora, mas depois do ponto final, pode ser outra coisa.

Born To Lose – Nossa entrevista terá que ser diferente das outras porque você além de ser instrumentista, na verdade multi-instrumentista (já que toca, além do violão, guitarra, contra-baixo, cavaquinho, viola, acordeon e piano, não esqueçamos da clarineta, que lembro bem você tocou por um tempo lá na União Sete de Setembro) é também professor de música e mantêm dois blogs, Um Lugar no Absurdo e Cães Didatos. Então comecemos pelo caráter múltiplo de sua prática instrumentista. Eu lembro Wesley que no final dos anos noventa você iniciou seus estudos de teoria musical num conservatório em uma cidade próxima a Ponte Nova, da qual não me lembro o nome. Também me lembro que você já tocava bem o violão, havia entrado na União Sete de Setembro pra se aproximar mais da teoria, acho que isso foi antes do conservatório, aprendeu a tocar clarinete .... Geralmente os músicos quando já sabem tocar o instrumento (ainda mais o violão que neste sentido é um instrumento estigmatizado, pois no geral não é preciso aprender teoria musical para executar uma seqüência simples de acordes e cantar, ao menos é assim que as pessoas comuns entendem), como era seu caso naquele momento, você já sabia tocar o violão, o que o levou a querer aprender a teoria musical e sair do lugar comum geralmente espaço dos “violadores de plantão”?

Wesley Costa Melo :
Na verdade, dos instrumentos que você citou eu só mantenho uma linha erudita de estudo do Violão, Viola, Piano e Acordeon. A guitarra, contra-baixo e cavaquinho são cursos que ofereço na escola e são ministrados com competência por professores como Emerson Clayton ( guitarra), Samuel Faria ( contra-baixo), Mauro Cruz ( cavaquinho), Sergio Nova (canto) e Violão Popular com Davi Primavera. São músicos que estão resgatando uma auto-estima dentro de uma cultura onde a desvalorização do músico como trabalhador, profissional, educador, é ainda tratada com desdém. Está sendo muito importante poder reunir esses músicos que estão dispostos a reverter a péssima formação cultural do nosso povo, mas ainda é lamentável a falta de disposição daqueles que podem fazer com que essa educação chegue a mais pessoas, digo: a prefeitura e os órgãos responsáveis pela cultura ainda não entenderam minhas intenções . Mas voltando ao foco principal de sua pergunta.... Antes de iniciar meus estudo no Conservatório de Música de Visconde do Rio Branco eu já havia sim buscado uma iniciação teórica na Corporação Musical União Sete de Setembro, devido a carência que havia na época dos prof. de violão para fornecer um conhecimento teórico , acabei buscado na União Sete de Setembro um recurso para me aproximar daquelas perguntas sem respostas que o violão me fazia, foi então que o clarinete me serviu de meio para um fim já , vamos dizer, previsível, pensado...Foi então lá no conservatório que percebi o quanto a educação musical em Ponte Nova é tímida, conservadora, mitológica. Entendo que a União Sete de Setembro tem um direcionamento mais objetivo, acontece que de repente seus membros não, ai chegavam para fazer um vestibular e se frustravam achando que a música se resume em compassos simples e divisões denominador 4, tipo 2/4, 3/4 e 4/4 . Numa Corporação Musical a didática não pode ser só voltada para uma mecanização de melodias, harmonias e ritmos, tem que saber os motivos de ter essas essências. Bom, eu tenho a resposta a sua pergunta sobre os “violadores de plantão”. Resposta essa adquirida com meu mestre e amigo Valeriano (grande violonista), que uma vez me disse: “O violão é o instrumento mais fácil de se aprender a tocar errado e o mais difícil de se aprender a tocar certo”, justamente por esse caráter estigmatizado por ele poder ser ao mesmo tempo rico aos apelos populares, tanto quanto, às riquezas dos apreciadores eruditos. Costumo dizer que ao estudar o violão clássico aprendi a tocar errado com mais elegância (hehehehe).... Portanto, o que me levou a buscar uma informação teórica foi a busca por verdades que levassem a dúvidas mais sinceras.

Born To Lose: Houve alguma mudança no modo como você se relacionava com a música quando você se familiarizou com a teoria? A pergunta pode parecer banal, mas não é, na medida em que pretende saber em que medida a teoria pode guiar as aptidões musicais que lhe antecedem. Ou seja Wesley: até onde a teoria é importante para se tornar um bom músico, uma vez que existem grandes instrumentistas e mesmo compositores que aplicam todo conhecimento teórico sem ter estudado a teoria, que conseguiram meio que “naturalmente” se formar musicalmente apenas ouvindo e vendo outras pessoas tocando. Posso dar como exemplo todos os grandes bluesmen, como Muddy Waters, BB King, Buka White, Big Bill Bronzy, há muitos mais, o João Pernambuco mesmo, que além de exímio violonista foi um grande compositor, sendo analfabeto e nada sabendo de teoria musical. Som de Carrilhões, sua peça mais conhecida, que deu fama internacional a seu compositor, é respeitada em todas as escolas de violão mundo afora. Veja Wesley, não quero dizer que a educação musical, o conhecimento da teoria deva ser desprezado, apenas quero saber qual o papel da teoria na formação musical, até onde ela é responsável pela constituição da identidade musical de um instrumentista e de um compositor.

Wesley Costa Melo :
Busquei a teoria justamente porque queria mudanças em minha forma de relacionar com a intuição, uma maneira de dialogar com ela. No início certo mito me assombrava (acho que acontece com outros músicos), achava que a teoria poderia tornar a música algo puramente técnico, insensível, mas isso não tem nada haver, a percepção é pura, sempre, desde que o estimulo seja sincero. A teoria é apenas uma ferramenta, assim como o alfabeto é para escrita uma forma de materializar o que se sente em termos de linguagem. Livre desses assombros pude entender o que sentia e registrar os resultados com mais segurança. A percepção musical destes músicos que você citou deixa claro que a teoria não é, nem quer ser, e nem será a essência da possibilidade de se criar tão belas composições, a teoria é gloriosa na sua responsabilidade em registrar de forma fiel os sentimentos expostos pela intuição. O que demonstra o verdadeiro lugar da teoria é o fato de que existem os dois lados, oras, vejamos um Astor Piazzolla em toda sua sensibilidade revolucionar com toda sua bagagem teórica um estilo musical, ou Heitor Villa-Lobos, que tirou o violão de certa mediocridade ao carregá-lo de sentimento erudito em todo seu conhecimento teórico. Portanto, o papel da teoria não é dar um qualitativo ao instrumentista ou compositor, é apenas um recurso disponível que só tem a acrescentar na eventual falta de outras aptidões. Por exemplo, aos que não trabalharam bem o ouvido em termos de percepção, ou peça complexa de ser tirada aos mínimos detalhes, a partitura é fiel a uma boa interpretação. É preciso conhecer limites, muitos músicos parecem um guitar-pró sapiens (hehehehehehe) executando uma partitura. No fim o que conta mesmo é a sensibilidade, a emoção, a identidade do músico esta muito envolvida com o que ele sente quando se expõe por intermédio do seu instrumento, não importa se é leigo ou diplomado, já vi gente tocando coisa ruim com uma emoção contagiante, assim como já vi interpretações de Bach de dar tristeza. Focalizando sua pergunta central sobre o papel da teoria na formação musical, busco, antes da resposta, resolver o que coexiste junto à sua interrogação: O que vem a ser uma formação musical hoje no Brasil? A música se diferencia das outras artes por ser tão ambígua, ela é arte se for erudita, ela é arte se for popular, tonal, dodecafônica... O que quero dizer é que não existe uma linha de educação e sim várias então a teoria ou a sua ausência não constituem a identidade do instrumentista ou compositor, isso esta mais ligado a suas aspirações. É isso, no mais são oposições conservadoras, digo isso porque a academia esta cheia de músicos que até hoje acham que a música “é a arte de combinar os sons de maneira agradável aos ouvidos” hehehehehehehe.....


Born To Lose: A respeito desta coisa de o violão sofrer com sua popularização, muitas vezes banalizante, já que se pensa comumente ser este instrumento refinado algo de domínio fácil e que permite ser músico de revistinha, tocar Legião Urbana e Raul Seixas ... Um músico da noite pontenovense, se é que isso existe, que toca ou tocava sempre naquele projeto às quintas feiras em frente a padaria São João Batista, chegou pra um amigo meu, que estava a meu lado e o conhecia, e disse o seguinte: “Fulano, descobri que posso tocar música tal em E Maior, passei 10 anos tocando a mesma música em G Maior sem saber que a poderia tocar em G Maior também.” Bom este músico que só sabia tocar as musicas nos tons em que as havia aprendido já tinha mais de 40 anos, sendo que era músico “profissional” desde os 20. O fato Wesley é que ele não sabia que além do G Maior as músicas poderiam ser tocadas em todos os outros tons, acho que ele passados mais de 10 anos ainda deve estar tocando a música no novo tom que havia aprendido na ocasião o G Maior. Na sua escola você se depara com este tipo de situação? Já aconteceu de você ensinar uma peça do Villa e o aluno não gostar e pedir pra aprender a tocar Legião Urbana? Como você lida com esta pré-concepção de aprendizado musical?

Wesley Costa Melo :
É um problema e tanto. Como o violão tem duas faces sonoras, a maioria chega querendo fazer aula de violão, ai, quando digo: Violão Clássico ou Popular? Eles ficam desarmados e custam a responder, e respondem com a seguinte interrogação: Qual é a diferença!? Ai é foda cara, porque você vê o termômetro cultural da cidade pegando fogo de febre e nenhum remédio pedagógico. Venho contribuído (lamentável que muitos ainda não podem ter acesso, pois não tenho nenhum tipo de apoio cultural) com a formação de uma garotada que nunca ouviu falar no mais “popular” dos eruditos, digo, Heitor Villa-Lobos. Minha tática tem sido convencer o aluno de que se ele tocar Villa-lobos, Tarrega, Bach, enfim os mestres, ele ira tocar Legião Urbana, Raul Seixas e tal, como ninguém! É claro que é verdade, ai fico naquela esperança de que ele se apaixone por um gosto musical mais disciplinar, que faça dele um músico mais consciente. Quando vejo que forçar a barra pode fazer o cara se frustra e até desistir, mando ele para o Prof. de Violão Popular. Mas tenho conseguido com relativo sucesso desenvolver o trabalho de erudição. Acontece também de chegar alguém já familiarizado com o violão pelas artérias populares, e esse cara chega frustrado porque esta cansado de tocar a mesma música em G Maior, ai vou explicar as escalas, as tonalidades, os intervalos e as construções harmônica / melódica que só é possível aprender tendo uma formação mais erudita. É que o popular, se o cara continuar insistindo em seu populismo, ele acaba tendo que buscar em breve uma bagagem mais clássica.

Born To Lose: Você está compondo no momento?

Wesley Costa Melo :
Estou trabalhando na composição de um método que busca facilitar o conhecimento sobre a localização dos mais diversos acordes no braço do violão, é difícil mapear essas digitações e inversões apenas estudando suas estruturas por meio de dicionários. O que faço nesse método é pegar, por exemplo, uma seqüência de DÓ maior em todas as suas mais diversas digitações e inversões e construir um estudo que ajude a fixar a localização desse acorde em toda a extensão do braço do instrumento. É de se assustar quando pegamos um dicionário e encaramos aqueles 3250 Acordes (como no dicionário de Fernando Azevedo), mas se esses acordes estão copilados em forma de música fica bem mais prazeroso entende-los, encontrá-los. Estou construindo um estudo para cada seqüência, maior e menor, sétimas diminuta, quinta, sexta, nona e etc. Enfim, um trabalho a longo prazo. Trabalhei nas variações do acorde de A 7º (Lá maior com sétima diminuta), por exemplo, e o resultado tem sido significante. Quando mostro para o aluno aquela quantidade de variações onde o mesmo acorde pode ser feito ao longo da escala do instrumento, o aluno se sente desmotivado, mas quando mostro isso dentro de uma música a historia é outra. São peças instrumentais que além da didática dos acordes, explora com erudição o campo melódico que liga um acorde a outro, com dissonâncias caóticas em meio a pausas estridentes, um trabalho que estou gostando de fazer e que será também copilado em CD, brevemente. É isso, e muitas composições ainda no silêncio, na pausa, harmonias transparentes...

Born To Lose: Eu estava meio que tentando direcionar nossa conversa pro campo dos seus interesses particulares, por exemplo o caso da composição, mas vejo por toda entrevista e pelas conversas que estamos trocando via MSN, que seus projetos não refletem a procura de uma satisfação pessoal, mas pessoal e solitária. Percebo que sua procura por uma satisfação pessoal, tem a necessidade de envolver outras pessoas, daí a ênfase na preocupação pedagógica revelada pela resposta à pergunta anterior. Gostaria que você comentasse um pouco esta minha visão, pois ela pode ser equivocada, e que você falasse um pouco do que está sendo pra você desempenhar o papel de artista-educador, ou se quiser músico-educador.

Wesley Costa Melo:
“Minha pessoa só é particular se multiplicada, só é pessoal se compartilhada”. Em muita das vezes penso, vejo e sinto que as pessoas são o que querem dos outros, mutantes da ética, da moral, um caráter sempre condizente com as necessidades particulares de se afirmar um indivíduo para além do coletivo. Para mim o sentido “humano” do individuo só existi no cumprimento de um dever maior: Complementar o comportamento alheio. Quando me proponho ao oficio de lecionar sou só a metade de uma ação que só se completa quando outra parte se compromete no oficio de aprender. O que mede, por assim dizer os “benefícios” de uma relação, é o reflexo no próximo de todo nosso esforço empregado pra transmitir o oficio. Quando trabalho certa música com um aluno o que espero é uma boa execução por parte dele, assim sendo, tenho o reflexo do meu comportamento à altura do tanto que ambos nos esforçamos, o que reflete nos outros é a medida do quanto somos responsáveis por nós mesmos. Ai esta minha satisfação pessoal. Um bom exemplo é a amizade, a medida do que sou esta nas conquistas dessas relações, a quanto tempo venho medindo meus valores na realização dos amigos , você, Rogério , Dalton, André , Gustavo , Claudio Amauri e por ai vai todos aqueles camaradas que você conheceu muito bem e sabem que estão aqui compartilhando nossas forças.
O papel de artista-educador ou músico educador tem sido para mim uma experiência complicada devido a um lado cruel e imperdoável que vem à tona em meio todas as satisfações, é porque me sinto péssimo quando vejo que a busca por valores existenciais por intermédio da arte estão sendo desprezados, subestimados, ceifados, por aqueles que deveriam sim se responsabilizar em educar, aqueles que possuem o poder financeiro polichiqueiro de darem estrutura, apoio, é uma merda fazer algo privado quando temos verbas para algo publico. Nem todos, por mais em conta que sejam os preços das aulas, podem estar pagando mensalidade com constância, comprando instrumentos, e de repente (nunca saberemos) é justamente quem não pode pagar que mais talento possui para se expressar. Pago aluguel, luz, água, impostos, reúno os professores em um só lugar (porque diferentemente da casa da cultura sei reconhecer quem são eles, e ainda mais, sei que podem ser muito mais), antes as aulas eram todas sem comprometimento, aulas a domicílio ou na casa do professor, o que favorecia imprevistos, mas apesar de tudo faço o possível para beneficiar alunos e professores. Mas quando fui à casa da cultura buscar apoio fiscal, ou que me ofertassem qualquer idéia que eu pudesse oferecer aulas aos desfavorecidos pelo cap(e)talismo, acabei é só deixando o número do meu celular e uma confiança estúpida de que alguém iria me retornar , isso já faz 6 meses. A escola esta funcionando a todo vapor, mas já houve outras que também não encontraram apoio no sentindo humano da palavra “educação” e acabaram fechando, e numa boa, se eu for o próximo não será nenhuma novidade. Todo educador é um artista, mas nem todos vão ao circo só aplaudir o palhaço, muitos se sentem mais felizes em vaiar. Ouvi nesse circense governo pontenovense o secretário de cultura vislumbrar trazer um conservatório para cá, (ótimo se fosse coerente) mas mal sabe ele que enquanto esse conservatório não cai do céu, nós professores subterrâneos já estamos fazendo nossa parte, e que saibam: Muito bem feito.


Born To Lose: Bem Wesley, você escreve um Blog, o Cães Didatos, onde levanta algumas questões referentes à política feita em Ponte Nova. Poucos atinaram para isso, mas em pleno século XXI existe uma espécie de coronelismo em vigor ai em Ponte Nova, exercido por uma das mais tradicionais famílias pontenovenses, os Bartolomeu. Quando não estiveram efetivamente exercendo seu poder no gabinete da prefeitura através de um membro da família, conseguiram eleger alguem que representasse seus interesses, foi o caso do Zezé Abdalla, que ao menos em direito governou nossa cidade durante oito anos. Durante toda a história de Ponte Nova, nada foi feito em termos de educação e cultura, embora nossa cidade sempre tenha gerado grandes artistas. Atribuo este fato às tradicionalissímas famílias pontenovenses, os Bartolomeu são apenas umas delas, certamente hoje a que possui mais poder na cidade, que visam apenas administrar em busca de atender seus próprios interesses, desprezando questões vitais para o convívio social como a cultura e a educação. O aumento abusivo da tarifa de ônibus pela São Jorge é outro exemplo de como a prefeitura está se lixando em saber o modo pelo qual a população irá se locomover pela cidade, além de nos mostrar que a cidade está entregue ao interesse do empresariado, em alguns casos, como o da Sao Jorge, que nem mesmo é oriundo de Ponte Nova. Sei que me extendi bastante na questão, portanto vamoa à pergunta: de que maneira esta conjuntura política presente em Ponte Nova ajuda ou atrapalha projetos como o seu, de implementar uma escola de música em Ponte Nova e de que maneira você com seus alunos e professores, podem contribuir para uma mudança efetiva neste quadro de degradação em que se encontra a arte e a educação em Ponte Nova?

Wesley Costa Melo:
Bom, vamos lá! O blog Cãesdidatos http://caesdidatos.blogspot.com/ surgiu nas últimas eleições quando ficou evidente o retorno de toda a corja dos poli(ch)iqueiros que já haviam deixado suas imundices no retrocesso social da cidade. Assustado com mais esse passo em falso busquei despertar em nossos conterrâneos uma participação mais analítica nas eleições. Além do blog, panfletei pela cidade uma foto que deixava claro a demagogia da campanha vencedora http://caesdidatos.blogspot.com/2008/09/ponte-nova-para-todos.html.
Hoje o blog expõe as mazelas da nova administração, o descaso com aqueles que eles chamam de “Todos”. É simples observar que não existi nada além de demagogia política nesse novo mandato: A nova administração pegou a cidade nas ruínas cravadas pelo Rio Piranga e no entanto, luta para dissolver uma lei criada pela administração passada de Proteção do Rio Piranga que impede a construção de novas barragens, bom , o novo Prefeito apóia a construção de novas barragens e foda-se o futuro, o lobby dessas empresas é muito forte, visto é claro, que a nova administração é muito fraca e só visa interesses particulares. Antes de Taquinho nunca havíamos ouvido falar em Casa da Cultura nem quero imaginar o que era feito da verba que vinha para cultura, na casa (rs!) de quem ela ia parar? Na administração passada a cidade deu seus primeiros passos para uma sociedade comprometida com a cultura, certa valorização ficou explicita no resgate fotográfico exposto no decorrer da beira-rio, existia um interesse em despertar um estima gentílico em nosso sangue. É claro que houve muitas falhas na administração passada, mas si comprarmos com as outras prefeituras aqui já vigentes e a atual (que engloba de nova todas as nossas chagas), teremos um mar de rosas.
No brasão da bandeira de Ponte Nova temos o seguinte lema: Pro patria semper. Mas a quem pertence essa pátria? Desde a colonização e devastação dos índios nos massacres da chamada “guerras justas” pelos lunáticos das sesmarias, somos herdeiros do coronelismo. A falência da fé de Santa Helena, Ana Florência , Pontal , Chopotó, nós atolou no verdadeiro inferno. A ganância desses administradores do passado assumi nova face em empresas como a Bartofil e seu conglomerado (Ormel - Ataque – Cotril - Cadernos Bartofil- Gráfica Bartofil), São Jorge auto-ônibus e o monopólio do transporte coletivo, Laticínios Porto Alegre e Rações Porto Alegre da família Carneiro que também pertencem a nova safra de sanguessugas, verdadeiras maquinas de hemodiálise. E na verdade essas engrenagens do cap(e)talismo, numa cidade relativamente pequena, não sentiria nem cócegas se transcrevesse parte insignificante de seus lucros para o desenvolvimento sócio-cultural de sua própria Pátria. Em Visconde do Rio Branco – MG , a Pif Paf apoio a Conservatório de Música , aqui em Ponte Nova temos empresas tão forte o quanto e eu tentando levar minha escola de música nas costas. Já são uns 80 alunos sobre a responsabilidade de uma formação cultural que acrescente a eles a valorização da vida pela sensibilidade artística. Mas qual é o potencial de jovens músicos numa cidade de quase 60 mil habitantes? E desses tantos quantos teriam a condição de pagar pelas aulas!? A minoria é claro! O quanto de potencial artístico se perde nessa cidade? Mas já expus isso ao
ex-Padre e ex-Petista Gilson de Oliveira ( atual PSDB ) , hoje atual responsável pela Casa da Cultura. Pedi um apoio fiscal ou algunhas bolsas para alunos mais carentes, infelizmente eles só entendem de financias pessoais. Venho fazendo o que posso e desse jeito estou sujeito a seguir os mesmos passos de outras iniciativas musicais que já ocorreram por aqui: o Fim a curto prazo. Enquanto a esses pais da Pátria é fabuloso que se desenvolvam e gerem empregos, mas quando vão perceber que seus funcionários querem educar os filhos, ter onde ir aos fins de semana , poderem voltar ao trabalho satisfeitos porque sabem que a mão de obra deles gera algo maior do que dinheiro, constroem um povo , uma cidade, uma vida de sentido e não apenas de ilusões. É assustador pensar que onde antes era o Parque Tancredo Neves hoje é cede de um Presídio! Que os nossos cinemas viraram Igrejas Evangélicas! Que o nosso Rio só é fonte de energia elétrica e descarga do trato digestivo! Não fazem nada simplesmente porque não querem! É só isso. Não querem!
O que venho fazendo sem apoio nenhum já tem a força de construir um comercio mais consciente de instrumentos musicais, favorecendo as lojas do ramo a investir em qualidade e custo. Por outro lado tenho acompanhado a formação de alunos que chegaram sem nunca ouvirem falar de um Vestibular de musica ou um Conservatório e que hoje já almejam uma carreira musical, enquanto outros encontraram no estudo de um instrumento a oportunidade de uma vida social mais saudável, muitos saem do trabalho e encontra ali uma satisfação de bem-estar, fora o ciclo social que gera entre pessoas que compartilham o mesmo interesse, amizade entre músicos é algo forte como um sentimento materno. Fico imaginando alguns alunos sem essa oportunidade e isso me doe a ponto de ter pena dos que podem fazer algo mais efetivo e não estão nem ai! Pena que Ponte Nova é só para Todos os que podem pagar! Temos um potencial humano incrível que não pode ser sugado, moído, suprimido pelas engrenagens da hemodiálise cap(e)talista, resta assumir o compromisso de divulgar de expor nossos potenciais e é o que eu e mais outros 6 professores da escola de música temos feito, fora a nova força que o blog cãesdidatos ganhou com o apoio de novos Colunistas como o Historiador Gustavo ( Gugu), o Poeta Rogério Saraiva e é claro Carlos Inácio do Born To Lose , todos pontenovenses. E assim vamos.

Born To Lose: Bem Wesley, antes de finalizarmos a entrevista quero fazer mais uma pergunta, agora direcionada à sua atividade relacionada à divulgação dos recursos naturais de Ponte Nova. Inclusive você e André estão se dedicando ao trabalho de catalogação de plantas e insetos que compõem o ecossistema pontenovense. A importância deste trabalho é imensa, pois divulga um elemento de nossa terra que nos é desconhecido. AS fotos que vocês postaram no blog dedicado à divulgação deste trabalho me causaram uma sensação de espanto, eu não reconheci as imagens como fazendo parte de Ponte Nova. As pessoas acabam tendo uma imagem da cidade bastante limitada, recolhida ao pequeno espaço urbano que compõe a cidade, o que impede que a identidade do pontenovense se amplie. Primeiro Wesley, qual o objetivo deste trabalho direcionado à questão ecologica de nossa cidade? Segundo: qual a relação entre as esferas cultural, político e ecologica em Ponte Nova, elas se relacionam uma com a outra?

Wesley Costa Melo:
Ponte Nova é recortada por fragmentos de mata Atlântica, rica em fauna e flora, cheia de trilhas propícias aos amantes do trekking e outras infinitas opções de esporte graças a bela geografia pertencente ao Circuito das Montanhas.
O pouco de natureza, que os mercenários das sesmarias deixaram, ainda sofre um progressivo desmatamento nas mãos dos latifúndios da cana, do agronegócio, a extração ilegal de madeira pelos carvoeiros, enfim, o que temos é muito vulnerável devido ao principal fato de que a grande maioria da população desconhece que temos essa riqueza, então isso desaparece, mas na mente das pessoas esses lugares nunca existiram!
O trabalho que divulgamos no blog http://expedicoesribeirocosta.blogspot.com/ tem por função expor o cenário inacreditavelmente natural de Ponte Nova, fazer-se conhecer o nosso potencial de ecoturismo. Despertar em Ponte Nova uma consciência ecológica é tão importante e, no entanto, o que temos atualmente é uma proposta contraria. São 6 projetos de barragens, um presídio erguido nas proximidades do Parque Florestal Tancredo Neves, aqui é um lugar no absurdo! Já respondendo sua pergunta sobre as relações sócio-ambientais, observasse que não existe um compromisso em conscientizar, em mobilizar por vias concretas o quanto o povo é responsável pela defesa de tudo isso. No dia árvore, na semana do meio ambiente, a mesma ladainha, o mesmo discurso de sempre “vamos salvar o planeta terra”, hahahaha só se for pelas vias de um suicídio coletivo! Estou cansado dessa porra de dialogo pseudo. Cara, houve uns meses em que estava rolando realmente um discurso ambiental concreto, prático, saudável, uns camaradas daqui estavam organizando aquelas corridas de orientação; participei e fiquei de cara com o cenário maravilhoso , um contato direto com a nossa natureza e as pessoas participavam com equipes até de seis e já havia bastante gente se envolvendo e foi ai então, que na hora de buscar o patrocínio, o apoio dos órgãos públicos responsáveis por “salvar o mundo”, não encontram ninguém que discursou no dia árvore pra planta uma sementinha de esperança ali. Os caras estavam cobrando uma contribuição irrisória para a aquisição de bussolas, mapas, água, os coletes da equipe e ainda rolava uma confraternização depois da aventura, mas a coisa tava crescendo e os custos aumentando e se fosse revertido para os participantes ficaria inviável. Tava ai uma das varias maneiras de se envolver e despertar uma consciência ambiental e conhecer nossas riquezas. Em muitas vezes eu tenho medo de Ponte Nova, de estar fazendo a coisa errada ao deixar minha vida fazer-se vida aqui, prosseguir nessa trajetória que muitas vezes assumi o papel de um retrocesso humano.

Born To Lose: A última pergunta seria feita agora Wesley, mas sua resposta anterior suscitou novas questões. Apesar de estarem sendo feitas algumas ações no sentido de fortalecer o cenário cultural pontenovense como o Festival de Inverno, em que são oferecidas oficinas culturais, shows, apresentações teatrais, dentre outras coisas, ainda há um paradoxo existencial presente em Ponte Nova. Paradoxo este que me levou anos atrás a chamar Ponte Nova de “Ilha da Fantasia”, uma analogia ao filme em que as pessoas eram recebidas pelo Tatu para viverem experiências fantásticas nesta ilha. Acho que este mesmo paradoxo de alguma forma foi também identificado por você ao chamar Ponte Nova de “Um Lugar no Absurdo”. Ponte Nova tem até mesmo o seu Tatu e seus paradoxos que lhe conferem o seu “Lugar no Absurdo” e lhe garantem o título de “Ilha da Fantasia”. O que estou chamando de paradoxo existencial pontenovense? Na verdade é um conjunto de situações estranhas, absurdas, que acabam definindo a essência da cidade e consequentemente de seus habitantes. Por exemplo, como explicar haver diversas atividades culturais acontecendo na cidade em todas as áreas, Música (com você Wesley, com a Persona, com a Carranca, com bandas tradicionais como a União Sete de Setembro e a Santíssima Trindade), no Teatro (com o grupo do Teatro de Bolso), na Poesia (com Jaquesson, Rogério, o Mateus Tuzé), nas artes plásticas e visuais (com Tozin, Paula) isso pra falar apenas da nova geração de artistas, e a população não possuir uma identidade cultural? Como é possível as pessoas sofrerem os efeitos da exploração predatória dos recursos naturais da cidade, lembremos da última enchente, e não questionarem haver mais seis projetos de construção de barragens? Como é possível haver locais com uma flora tão bela quanto as que cercam a nossa cidade e não haver uma política voltada para a educação ambiental? Enfim, como é possível acreditar que o ato simbólico de plantar uma semente no dia da árvore irá promover a conscientização ambiental dos serralheiros e dos fazendeiros, que garantirá a preservação dos recursos naturais da cidade? Como é possível as pessoas acreditarem que ao fazerem uma caminhada pela paz com mensagens de paz em camisas e faixas pode convencer às pessoas a deixarem de ser violentas? Há fatos ainda mais corriqueiros que poderiam ser citados a fim de justificar os títulos de “Um Lugar no Absurdo” e “Ilha da Fantasia” à Ponte Nova, mas preferimos citar os que tem uma relevância política. Este paradoxo da existência pontenovense mantêm viva a sensação de angústia, faz com que nos demos conta de nossa impotência diante de fatos tão absurdos. Gostaria que você falassem um pouco desta situação existencial habitada de absurdos e para quais caminhos ela aponta. Ou seja você enxerga um futuro de ações absurdas multiplicadas?

Wesley Costa Melo:
O “absurdo” tem sua origem no descaso histórico da cidade que é erguido sobre uma “fantasia” de sobrenomes que contribuíram para uma herança de miséria sócio-cultural oceânica!
Ponte Nova é contornada pela descrição exata da origem do “absurdo” que habita essa análoga “ilha da fantasia”. Ponte Nova é cercada por antigas fazendas em decomposição e outras habitadas por fantoches de sobrenome pomposo, que há muito perderam a distinção entre um trono e um vaso, mas existe o quê de responsabilidade sócio-cultural nessa paisagem?
Quando os senhores das sesmarias vislumbraram essas terras e consumiram com os nativos dando início a todo o processo de escravidão do semelhante, deu-se então a construção dessa ilha, desse absurdo, desse paradoxo atual chamado Ponte Nova. Como é de se saber a transição do poder dessas famílias de senhores do engenho aos congênitos culminou obviamente no acumulo de toda riqueza da região na mão de poucos (o mesmo acontece hoje, São Jorge, Bartofil, Porto Alegre). Aconteceu que a ganância, igual ferrugem, foi roendo silenciosamente as engrenagens desse ponteiro. Quando esses senhores faliram, os colonos (que já presos à vida na falência) se dispersaram em busca de novas formas de sobrevivência dando início ao que hoje constitui nossas áreas periféricas. Enquanto os patronos de Santa Helena, Pontal, Ana Florência e muitos outros esbanjavam seus lucros, uns poucos colonos “privilegiados” conseguiam estudar até a 4º série, uns pouquíssimos! Os pais, os filhos, os netos, dessa geração herdaram os restos do luxo desses canalhas da cana e café, ou seja, bagaço e borra. No aniversário de nossa cidade, nada se questiona a respeito de nossa real origem. Ninguém questiona a origem arquitetônica das colunas dessa atual miséria e é isso que impede de demolir essas vigas, essas sombras, esses aspectos ainda administram nossa forma de interagir com a compreensão do que é uma vida sócio-cultural, artística, arte, a impressão que se tem aqui é a de quê ainda nem se formulou a interrogação: o que é arte? Vê-se um povo desarticulado com tais interrogações voltado apenas para um mecanismo burocrático herdado lá nos canaviais. Essa nossa herança persistirá enquanto não houver (e não existe) interesse pelos órgãos responsáveis de abraçar projetos que ergam o tecido que cobre esse palco de fantasia em que vivemos. Quantos historiadores Ponte Nova possui? Muitos! Quantos projetos já não foram elaborados e nesse momento devem estar engavetados no “absurdo”. Alguém precisa abraçar a causa, nossos administradores não percebem que compete a esses profissionais, assim como compete a mim formalizar em meu povo uma mentalidade musical, construir nossa identidade. É uma questão de responsabilidade, de se realizar pessoalmente no próximo, pois a degradação do semelhante é um tumor que em breve será diagnosticado em nós mesmos. Sei que compete também aos administradores ofertar essa oportunidade aos profissionais da área, mas esperar isso é mais que utópico numa cidade administrada por, vamos dizer, Tatus...
Portanto é primeiro necessário entender isto: Somos herdeiros das chagas dos Senhores do Engenho. O bagaço, a borra, o banzo. Sobre esse aspecto anti-biológico a maior parcela dessa população se educou. O que temos é uma ilha, de fantasias, de absurdos, no sentido mais concreto dessa patologia social.
De tudo isso, ainda que seja vago nossos dados históricos, é possível entender os rumos que tomariam a herança artística, a identidade cultural desse povo. Quando o açúcar da cana secou e o café amargou na garganta dos coronéis, muita coisa ficou perdida junto aos caprichos desses senhores. Foi a partir daí que a arte em Ponte Nova se dispersou e se perdeu na necessidade de sobrevir do famoso pão que o “diabo amassou”. Foi só depois que o povo se estabilizou em outras geografias é que teve início o processo de rememorar as origens. Vê-se hoje no bairro de Fátima a maior concentração de nossa historia sócio-cultural. Boa parte dos que residem ali são herdeiros do retrocesso cultural promovido pelos “Senhores do Banzo” os coronéis do Piranga. Esse resgate tem sido feito por grupos como Ganga Zumba, Afro-reggae, o quase extinto grupo de Congado, e muitos outros personagens que talvez da arte só sobre o anonimato. Conhecer nossa historia é fator primordial para se reorganizar, saber o que houve, saber para onde foram nossas essências culturais e como restabelecer esse dialogo entre passado-presente e só assim projetar-se no futuro. Nossa identidade cultural esta dispersa pelo simples fato de não sabermos quem somos. Mas essa situação esta sendo invertida por esses grupos remanescentes, e dessa ação de conhecer a si mesmo esta desencadeando a arte genuinamente pontenovense. Veja-se nosso grande artista João Bosco o quanto de nossa origem existe na musica dele, a raça, os ritmos, as vozes.
De tudo isso se observa uma cidade atada em camisas de força, quando se trata de ser artista em Ponte Nova e fazer disso um meio de vida, a personificação de um louco vem logo à tona. A insegurança do próprio artista pontenovense de se auto-afirmar contribui para a degradação de uma identidade. Enquanto os mais ousados tendem a buscar refúgio em outras cidades, buscando não apenas a formação, mas a segurança de estar pisando num solo firme em que ele possa dar seus passos sem se preocupar com as drummondianas pedras no caminho. Quantos artistas já deixaram essa ilha? Quantos artistas deixaram de ser artistas dentro dessa ilha? Um lugar no absurdo! Essas ações absurdas tendem a se multiplicarem enquanto o poder público estiver nas mãos dos herdeiros do coronelismo.
Eu enxergo o absurdo se multiplicando! Infelizmente. Como olhar diferente quando o horizonte, volto a enfatizar, é o projeto de mais umas 6 barragens é a articulação imoral de ceifar a leia de proteção ao Rio Piranga... enfim. A todo o momento essa cidade convida seus artistas a desistirem ou partirem! Pessoas que são indiferentes aos atuais progressos culturais da cidade são indicadas a cargos essenciais retrocedendo os grandes nomes que realmente vivem para cultura pontenovense. O cumulo do absurdo no meio artístico se sucedeu no último dia 7 de Setembro e passou por muito despercebido: A Corporação Musical conhecida também como Sete de Setembro não tocou em 7 de setembro !!!! Basta. Não, não basta. Cogita-se para o aniversário da cidade a Banda Calcinha Preta. Quem são nossos dirigentes culturais que apóiam isso, se subornam a isso, se submetem a isso? Sabem eles a importância de se resgatar nossos valores nessa data? Que ligação existe em valores históricos a cor da “Calcinha” com o processo de emancipação cultural de Ponte Nova nesses últimos cento e tantos anos? Bom, que a coisa esta “Preta” isso não temos dúvida!
Desvincular do capital a prioridade dos lucros buscando um valor humano rentável ao sentido da vida é algo que muitos dos nossos empresários não estão preparados para entender. As exceções nascem em iniciativas como as de Karran, João Mattos, Davi Primavera, a poetisa Laene, as bem intencionadas iniciativas do MovPaz, o Peti, Taquinho e toda força dedicada aos grupos culturais remanescentes lá no bairro de Fátima ... Existe um caminho mais a cada passo as pedras no caminho se multiplicam. Veja bem , (02/10/09) acabada de ser expedida sentença judicial que invalida leia criada para a Conservação do Rio Piranga, alegam ser inconstitucional a proteção ao meio ambiente !!!!! O Semam, a Prefeitura, a Novalis e seus advogados, o Juiz, o Codema de Ricardo Motta, todos que compactuaram inclusive o Povo com a passividade anormal, são todos cúmplices do único e verdadeiro ato inconstitucional: A destruição de nosso maior patrimônio, o PIRANGA.
Viver em Ponte Nova é que esta ficando inconstitucional!

Born To Lose: Fica claro para mim e ficará claro também aos leitores do blog que os interesses do governantes pontenovenses giram em torno de um objetivo especifico, camuflar os graves problemas oriundos de decisôes que visam garantir os interesses do empresariado e das decadentes famílias latifundiárias. Marx escreveu que a religião é o ópio do povo, talvez devamos reterritorializar esta frase, colocá-la no contexto do século XXI, devemos agora afirmar que O ENTRETENIMENTO É O ÓPIO DO POVO. As grandes coporaçoes financeiras, as multinacionais, o estado, todas as instituiçoes que fazem a manutençao do poder mundo afora, apenas mudaram a roupagem de uma fórmula inventadao cerca de dois mil anos atras pelos imperadores romanos, CONTROLE AS MASSAS E O PODER SERÁ SEU. Os imperadores já usavam do entretenimento para garantir o dominío das massas, ou seja, do povão. As arenas onde os gladiadores lutavam por suas vidas entre si ou com feras, era o espetáculo oferecido ao povo, que esquecia seus problemas ao ter acesso a esse tipo de "lazer". Aniversário de Ponte Nova, momento de diversão, mas também de reflexao como você bem disse. Trazer para Ponte Nova um show como o da famigerada Calcinha Preta é um tapa na cara de todos os artistas pontenovenses. Primeiro, por desvalorizar o seu trabalho e segundo por representar um gasto astronomico do dinheiro público, pois o show de uma banda como a Calcinha Preta não é barato, embora não passe de uma banda baile como muitas que existem ai em Ponte Nova e cidades vizinhas, lembrem-se da Lex Luthor. Sabemos muito bem que um show como esse tem um tom de estratégia política, uma maneira de amenizar as críticas, de desviar o foco de problemas centrais como a construçao de novas barragens, aumento da passagem de onibus, etc. Até o final do ano, provavelmente o assunto entre as pessoas na porta de suas casas no final da tarde, das rodas de estudantes dos colégios, entre as senhoras que levam uma vida entediada e não tem outra coisa a fazer que não seja jogar conversa fora após lavar os pratos do almoço, será a apresentaçao da Calcinha Preta em Ponte Nova. Mais uma vez o entretenimento é usado como instrumento de dominaçao, mais uma vez as pessoas vao ser lesadas, mais uma vez uma administraçao publica negligente será elogiada e se passará por patrona da arte e da cultura. As pessoas em Ponte Nova não tem a miníma noção do que seja arte, não porque sejam burras ou incultas, mas porque nao lhes é oferecida a oportunidade de entrar em contato com o fazer artístico, porque são levadas a considerar como arte aquilo que é mero entretenimento. É muito comum em Ponte Nova você encontrar com alguém e perguntar qual o tipo de música que esta pessoa gosta e ela afirmar que é ECLETICA. Não há nada pior do que alguem dizer que é ecletico, pois mostra que esta pessoa não tem um senso crítico e tampouco possui critérios estéticos para julgar sobre este ou aquele som , esta ou aquela música e por ai vai. Ou seja, quem gosta de tudo, quem é eclético, não gosta de nada, pois lógicamente uma coisa anula a outra. Isso mostra que as pessoas são indiferentes à arte, elas querem se entreter, não importa se a banda toca bem ou faz música de qualidade, importa se vai haver diversão, sacanagem etcetera e tal. Nesse sentido só posso dizer uma coisa, o povo merece a situaçao em que está! Como você disse e muito bem, a populaçao pontenovense é cumplice da destruição do rio Piranga é culmplice do aumento da passagem do onibus e nem sequer vao sentir sua parcela de culpa quando as aguas do rio cobrarem seu espaço e Ponte Nova se transformar em uma craterá. E não vao sentir culpa alguma porque vao estar entorpecidas pelo som da Calcinha Preta. Assim Wesley gostaria saber de você, considerando a cumplicidade do povo pontenovense com as decisões dos governantes quanto o destino da cidade, qual o futuro da arte pontenovense, qual a perspectiva de concretizaçao e desenvolvimento de trabalhos como o seu com educação musical através da Escola de Música Percepção Músical, do Teatro de Bolso, dos grupos culturais do Bairro de Fátima, e de artistas como Davi Primavera .... você acha que as coisas vão tomar um rumo melhor, que através de uma luta quixotesca, como esta que vocês estão travando no momento, através do Projeto Percepção musical, cujo primeiro convidado foi o Persona, tentando fazer com que as pessoas vejam gigantes onde há apenas moinhos de vento, ou seja que vejam a arte ao invés de uma suposta realidade apresentada por uma classe dominante, algum resultado positivo será alcançado? O efeito deste ópio do entretenimento pode ser bloqueado?

Wesley Costa Melo:
A lei que protegia o rio Piranga, uma lei de proteção ambiental, em Ponte Nova é inconstitucional. Proteger a natureza em Ponte Nova é inconstitucional! Isso já responde tudo!Mas vamos enfatizar:
Por que o Povo é indiferente? Anestesiado pelo entretenimento degenerativo ele é incapaz de sentir as dores que essa maligna administração esta deixando para posteridade.
Roubaram desse povo os critérios para discerni o que soma ou subtrai à vida qualidade. A passividade é o meio, como uma defesa, que esse povo encontrou para garantir seu emprego, sua vida social, a individualidade preservada pelo senso comum. A herança do coronelismo deu vida a uma escravidão, da qual o povo, por ter sido privado lá no passado dos direitos básicos à vida, esta desprovido de entender que o que lhes dão hoje é uma farsa que preenche como um analgésico o sentido de viver a vida. Hoje qualquer mediocridade alegra essa gente, qualquer moradia é teto, qualquer emprego é digno, qualquer representante pode opinar por nós, mesmo ele sendo mudo!Os que se propõem em representar politicamente o povo são sempre os mesmo que conhecem a carência popular e logo os entorpecem com as promessas de festas, shows, e outras alusões que o povo assimila como uma política democraticamente saudável. Quando a política tem intenções diferenciadas como a do ex-prefeito Taquinho Linhares, o povo, apoiado pelos patrões do entretenimento, insatisfeitos com a luz se refugiam na platônica caverna cravada lá nos úteros das sesmarias e começam a orar pela costumeira e adaptada vidinha de extorsão promovida pelos atuais senhores do engenho. E desses longos anos de adestração um grande problema surgiu aqui: O individuo não se reconhece como responsável pela própria construção de si mesmo em Povo. O cidadão pontenovense, já não se concebe no conjunto de pessoas que se formaliza em povo, esta sempre dizendo: “A culpa é do povo”, “o povo gosta”, “o povo é que escolheu”, como se ele não fizesse parte desse mesmo povo! O sentindo de coletividade se perdeu e cada indivíduo se concebe à parte de decisões que devem ser avaliadas por todos. Ou seja, o ópio de entretenimento citado por você, funciona. Como então as pessoas absorverão o sentido sartriano da responsabilidade existencial? Pela arte. Seria simples assim, mas o ex-padre e ex-petista Gilson de Oliveira um homem inteirado sobre os engajamentos da alma e do corpo contra tudo que se opõe a construção do “paraíso”, foi omisso e não representou aquilo que foi encarregado a representar: a Arte. A função cultural é criar através de manifestações artísticas propostas ao bem-estar social, que reflita os problemas e proponha soluções. Será que a arte pontenovense e os dirigentes dela não enxergam problemas sociais se multiplicando com as negligentes decisões dos governantes? A SEMAM, coordenada por Edson Leite apóia a Novalis a levar para a extinção o Surubim de água doce e ainda consegue inaugurar uma Ecoteca na Praça de Palmeiras blasfemando sobre a importância de preservamos o futuro dos nossos jovens. Ambos, como representantes do povo, poderiam mobilizar ações que orientassem de forma coerente um caminho, não o fizeram, portanto são cúmplices. Culpado são eles, pois representam o Povo. O vereador Wagner Guimarães/ PV propôs um plebiscito ao Prefeito, mas o show da Banda Calcinha Preta vai abafar o caso. Enquanto os que podem fazer algo não fazem, ações privadas vão despertando o senso crítico da população através da arte independente. O Projeto da Percepção Musical, o Teatro de Bolso, os grupos culturais do Bairro de Fátima e muitas outras manifestações que estão à flor d’pele pontenovense, emergem do descaso em que se encontram e começam a formalizar novas maneiras de se pensar a política sócio-cultural pontenovense. Esse quadro politiqueiro cap(e)talista que promove esse analgésico mental precisar ser freado. Não temos a solução, mas já somos um “problema” e é isso que eles precisam, provar daquilo que há séculos já vem nos dando: Como vamos reverter problemas sociais como a destruição do Piranga?
Com margem em tudo isso, confesso que por mais bem intencionados que sejam esses projetos em prol de um bem comum, confesso, que para mim, certa força de otimismo que ainda me habitava se afogou com o esforço que nossos administradores (a cima de tudo semelhantes) tiveram em alterar a Lei de proteção ao Rio Piranga. Para mim foi o estopim. Se essa administração perdurar por 8 anos, o ópio do entretenimento não será bloqueado e os resultados positivos colhidos não terão projeção para além de “boas intenções”. Viver em Ponte Nova é definitivamente inconstitucional. Estou decepcionado, muito.


Born To Lose: Agradecemos a Wesley pela entrevista. Gostaríamos de continuar, pois há muito a ser dito por e sobre Wesley Costa Melo, seu esforço em manter a Escola de Música Percepção Musical juntamente com seus colaboradore, que trabalham como professores da escola, sua reflexão acerca da situação política e social de Ponte Nova e sua relação com a produção artística e cultural da cidade, contudo, decidimos encerrar a entrevista pelo fato de haver problema em estabelecer contato com nosso convidado. Assim continuem atentos ao blog, pois Wesley terá presença constante em nossas postagens.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ponte Nova, você não vale nada, mas eu gosto de você.


I

Estamos na semana em que Ponte Nova comemora 143 anos. A cidade está em festa, contando os minutos para quinta-feira dia 29 de outubro às 23:00 hs. O que há de especial? Não, não é o dia do aniversário da cidade, é também, a partir da 00:00 hr, porém não é por isso que as pessoas esperam ansiosamente, mas sim pelo show do dito “fenômeno”, a Banda Calcinha Preta. Segundo o site pontenovense Pontenet “No dia 29 de outubro, às 23h, a festa fica por conta da banda de forró, Calcinha Preta. O show acontece no bairro da Rasa. Espera-se um dos maiores públicos da história de Ponte Nova, contando, inclusive, com a presença de caravanas de diversas cidades da região”.

Um show como o da Calcinha Preta, banda nordestina de pseudo-forró, custa muito, muito, muito caro e são muitos MUITO. Talvez custe mais caro à prefeitura ter pessoas que busquem seus direitos, que se mobilizem socialmente a fim de alcançar seus objetivos, sejam eles conseguir melhores condições nos postos médicos, melhores escolas, ou a consolidação de uma agenda cultural da cidade para a cidade. Talvez esse seja o motivo de não realizarem eventos durante esta semana, que procurem refletir acerca de questões relevantes à nossa cidade, que envolvam a cultura local e qual o papel do cidadão na gestão de sua cidade.

Conversei com alguns amigos de Ponte Nova e estes informaram que a cidade está eufórica por causa do show, principalmente por pensarem que será gratuito. O fato de não serem cobrados ingressos para assistira à Calcinha Preta não significa que o show é gratuito. Isso significa que as pessoas não se deram conta de que um show patrocinado pela prefeitura não é patrocinado pela prefeitura, mas pela população da cidade. O prefeito e os vereadores não tiram dinheiro do próprio bolso para pagar o show, o dinheiro é pago com os impostos arrecadados pela prefeitura, e quem paga os impostos? Exato, os pontenovenses, portanto o show não é gratuito. Pergunto a vocês meus conterrâneos se acham certo o investimento deste dinheiro num show de uma banda como a Calcinha Preta. Certamente a resposta é afirmativa. Isso me leva a crer que os pontenovenses preferem que o dinheiro público seja gastado em festas ao invés de ser aplicado em educação e saúde, por exemplo. Todo final de ano, quando visito meus pais e amigos em Ponte Nova ouço reclamações acerca da gestão pública da cidade. Desta vez não reclamem, pois todos estão cientes de que o dinheiro foi para os bolsos da Calcinha Preta. Ops, será que calcinha preta tem bolso? Na verdade o dinheiro deve ir para a conta da Calcinha Preta, desculpem.

O mais engraçado é que os locais na internet em que o show é divulgado não consta o quanto do dinheiro público foi investido. Eu como cidadão pontenovense gostaria de saber o quanto do imposto pago pelos meus pais está indo para a conta da banda. É legítimo termos interesse em saber quanto será gasto com este show, vocês não concordam? Procurei ao máximo no site da Prefeitura de Ponte Nova algum link que prestasse contas à população de quanto foi gasto para trazer à cidade “A Banda Mais Gostosa do Brasil” e não encontrei nada. Essa informação deveria estar em destaque, mas o hábito dos cidadãos em não se interessar por este tipo de informação reforça o hábito dos políticos em não dar muita atenção para este tipo de divulgação. Quem está errado nesta história? A própria população de Ponte Nova alimenta a displicência dos órgãos públicos.

II

Outra coisa estranha é o fato de haver nas notícias que divulgam o aniversário da cidade a menção de várias opções de lazer e cultura durante a semana das comemorações dos 143 anos de Ponte Nova, como no site Pontenet que diz o seguinte: “Muita festa e diversão é o que a população pode esperar do 143º Aniversário de Ponte Nova. A Programação conta com várias opções culturais e de lazer.” e não haver a programação destes eventos. Este é o início da notícia, que diz haver “várias opções culturas e de lazer”, mas isso não passou de uma pequena, pequeníssima observação sobre as comemorações, o destaque da notícia mesmo é mais uma vez adivinhem o que: isso mesmo o show da Calcinha Preta. Isso é muito estranho, pois procurei no site da prefeitura, no orkut da cidade, no próprio Pontenet e não encontrei nenhuma agenda de cultura e lazer que trouxesse a programação referente aos festejos do aniversário de Ponte Nova, sempre me deparo com a Calcinha Preta. E quem não gosta de Calcinha Preta, quais as opções de lazer e cultura na semana do aniversário de Ponte Nova? Talvez haja mesmo uma programação, mas ela não está em evidência, não há preocupação em divulga-la, embora eu desconfie que ela não exista.

III

O prefeito de Ponte Nova está aplicando uma fórmula antiga, inventada pelos imperadores romanos. Que fórmula é essa? Que bom que perguntaram. Os imperadores romanos descobriram que para controlar o povo, bastaria promover espetáculos, entretê-los, desviando assim sua atenção de questões realmente importantes para o bem estar social do povo romano. Assim os imperadores poderiam iludir facilmente seu povo, feliz por ter um lugar onde se distrair, enquanto as decisões políticas eram tomadas por debaixo dos panos a fim de beneficiar os patrícios e membros do exército, além claro do próprio imperador. Nesse momento também começa o processo de alienação popular, os donos do poder agradecem aos Cesares. O Coliseu acabou sendo o que os romanos tinham de mais próximo ao cinema, ops, Ponte Nova não tem cinema, péssima analogia, desculpem. Vou tentar novamente, o Coliseu era o que os romanos tinham de mais próximo a um Parque de Exposição, ao invés de irem ver shows de música, as pessoas iam ver os inimigos do estado romano serem massacrados por gladiadores ou devorados pelas feras. Isso deixava os cidadãos romanos bastante distraídos e felizes por terem tido um ótimo dia de lazer.

IV

No dia 29 de outubro a Raza terá seu grande momento, será o palco do maior show que Ponte Nova e região já viram, será o Coliseu pontenovense, ao menos por uma noite. Mais uma vez o entretenimento vem disfarçado de cultura e nós o aceitamos. A cultura pontenovense sai perdendo, os artistas locais certamente sentem-se desvalorizados, o esforço de grupos teatrais como o Teatro de Bolso e o NAED – Núcleo Artístico Educacional de fortalecer o teatro pontenovense e assim a nossa cultura encontra uma barreira, pois o que poderia ser um bom momento para apresentações de suas montagens teatrais não é utilizado a seu favor. O aniversário da nossa cidade poderia ser o momento de criarmos a nossa identidade cultural, de trazer as manifestações artísticas escondidas no Pacheco, no Bairro de Fátima, os músicos, os artesãos, fotógrafos, escultores, pintores, atores, diretores teatrais para as ruas, buscando dar uma cara à cultura pontenovense, mas a intenção dos donos do poder em Ponte Nova é posar de patronos da arte e da cultura através do engodo, representado pelo entretenimento, o Show da Calcinha Preta.

Fala-se muito em democracia, mas como pode haver democracia em uma comemoração em que apenas uma parcela é contemplada, a dos que querem apenas se distrair, fugir da realidade por algumas horas, enquanto aqueles que tem sede por novos rumos para a cidade, que tem interesse em valorizar, e em muitos casos apenas conhecer, o que está acontecendo em termos artísticos e culturais em sua própria terra ficam de lado.

Bom, estas são algumas considerações a respeito do aniversário de nossa Ponte Nova, que o próximo ano seja mais pontenovense. Apesar de haver certo pessimismo quanto à nossa cidade aqui neste texto, quero abrir meu coração e dizer que Ponte Nova, você não vale nada, mas eu gosto de você.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Wesley Costa Melo: Percepção Musical, Política e Social


A publicação da entrevista de outubro está atrasada devido a problemas de comunicação com nosso entrevistado Wesley Costa Melo. Quero tranquilizá-los, a entrevista saíra. O objetivo desta postagem é falar um pouco da produção artística de Wesley, bem como expor sua reflexão política acerca das questões culturais e sociais de Ponte Nova.
Certamente Wesley tem sido o principal responsável, senão o único, pela reflexão artístico-político-social de Ponte Nova. Parece muita coisa, mas Wesley consegue interligar estas esferas, mostrando de que modo elas se articulam. Desta forma, mesmo que sendo feita por poucos ou por uma só pessoa, podemos dizer existir em Ponte Nova uma movimentação crítica, que pensa a condição do pontenovense no âmbito da cultura, da política e da sociedade, que saí do campo das idéias e procura atuar na prática. Quando houve isso em Ponte Nova? Meus caros, isso é algo que não sei responder, mas que, mesmo que paradoxalmente, eu responderia caso alguém me perguntasse: NUNCA! Sem dúvida Wesley é a pedra fundamental deste espírito de contestação que paira sobre a cidade.
Durante a entrevista pude me surpreender, para logo depois me inflamar, a ponto de ter algum interesse por Ponte Nova após todos estes anos, ao ler as respostas de Wesley que realizavam uma crítica lúcida à política pontenovense. Chamamos de política por ter-se convencionado chamar tal prática assim, mas seu sentido originário, do termo política, está lá na Grécia Clássica, principalmente em Aristóteles, que de forma alguma é o que convencionalmente hoje chamamos de política, mas isso é assunto para outra postagem.
Ao se estar familiarizado com as idéias de Wesley, percebe-se que a própria noção de política é confusa entre os pontenovenses que estão govenando nossa cidade. As pessoas não se dão conta disso, pois não tem qualquer formação que as coloque em contato com tais questões. Wesley tem uma escola de música em Ponte Nova, a Percepção Musical. Quando houve uma escola de música de verdade em Ponte Nova, que oferecesse uma formação clássica e popular? Mais uma vez: NUNCA! A importância de uma escola como esta para o crescimento cultural de Ponte Nova é imensurável! Estamos falando da formação de músicos, mas também de pessoas que certamente terão a oportunidade de estar em contato com um ambiente em que outras questões serão tratadas, ou seja, abre-se a possibilidade de se adquirir a capacidade de refletir acerca da sua própria condição, garantindo autonomia aos estudantes. Não teremos apenas músicos, mas cidadãos com alguma bagagem cultural. A prefeitura de Ponte Nova apoia iniciativas como esta? NÃO! Quanto tempo pode durar uma ecola como esta, que tenta se pautar na formação de músicos ao invés de ter como objetivo a obtenção de lucro se não pouder contar com insetivos por parte da secretaria de cultura da cidade?
Além da escola Wesley organiza o Projeto Percepção Musical em que uma vez por mês traz um artista local, e os próprios alunos da escola, para se apresentarem em frente à escola. Estranho isso, a responsabilidade de divulgação da cultura em Ponte Nova é feita pelas próprias pessoas e não pela Secretaria de Cultura, que está mais preocupada em entreter as pessoas trazendo Calcinha Preta pra tocar no aniversário da cidade. Esta banda de pseudo forró cobra um cachê astronomico pra se apresentar, dinheiro que poderia ser investido na divulgação da cultura local. Dinheiro que poderia ser usado para dar ao pontenovense uma identidade cultural. É aquela história, rir pra não chorar.
Pra finalizar esta postagem, quero chamar atenção para o importante trabalho de Wesley acerca da história do poder em Ponte Nova. Wesley faz uma genealogia do poder político em Ponte Nova, mostrando como a estrutura política atual da nossa cidade é uma herança dos antigos coronéis da cana de açucar, que transformaram cana em lucro e poder e o suor dos trabalhadore em bagaço de cana, representado no vazio que é a mentalidade do cidadão pontenovense de nosso tempo.
Além de ser um educador, Wesley é compositor e um exímio violonista. Faz trilhas para peças teatrais e está sempre envolvido com parcerias musicais. Esperem pela postagem da entrevista, ela chegará e então vocês poderão conhecer as idéias do próprio Wesley Costa Melo. Até lá.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Em Ponte Nova tem Teatro Porraaaa!!!!!!!


Talvez Hailton Karran seja o principal nome do teatro pontenovense. Responsável por formar gerações de atores em Ponte Nova através de grupos teatrais como o GRUPO DE TEATRO PALMEIRENSE e agora com a Compahia Teatro de Bolso, podemos considerá-lo responsável por manter viva a prática teatral de nossa cidade nas últimas décadas. Foram formados pela escola de Karran atores como Emerson de Paula que faz parte do se NAED - Núcleo Artístico Educacional, além de ser professor de teatro em duas escolas de Ponte Nova e Thiago Gonsalves da Companhia Teatro de Bolso, que desempenha um papel fundamental neste grupo de teatro, deram uma nova cara ao teatro pontenovense e se preocupam em levar tornar os espetáculos acessíveis às pessoas. No último festival de Inverno de Ponte Nova, o teatro teve presença marcante, havendo apresentações a céu aberto, chamando a atenção das pessoas para a existência do teatro na cidade.

O Grupo Teatro de Bolso está em intensa atividade, produzindo novos espetáculos constantemente, permitindo que o sangue da artéria artística pontenovense corra num fluxo constante e diversificado. O teatro existe em Ponte Nova, o acesso é fácil, a experiência do palco está nas ruas e em palcos que estão de portas abertas à todas as pessoas.

Infelizmente estou em Salvador, impossibilitado de vivenciar esta nova força artística de nossa cidade, de redigir um texto que tenha um teor mais crítico e que busque ressaltar as características estéticas das peças, portanto, peço desculpas. Desta forma quero ressaltar a importância desta força artística da nossa cidade que precisa se consolidar e tornar Ponte Nova cada vez mais uma cidade do teatro. Segue abaixo a divulgação do novo espetáculo da Companhia Teatro de Bolso, assistam!!!

Data: 24/10/2009

Horario: 20:30hs

Local: Colégio Salesiano Dom Helvécio

Valor: R$5,00

Apresentação

Com o intuito de ampliar o acesso à cultura, a formação de público e fortalecer a produção artística ponte-novense, a Cia. Teatro de Bolso apresenta o projeto de seu mais novo espetáculo: A Rainha e a preguiça dos ministros.


O espetáculo:

A história é baseada em contos infantis de autores como Ruth Rocha e Mauro Martins. O espetáculo conta a história de um reino que era comandado por uma rainha que tinha três ministros muito preguiçosos e que viviam fingindo que trabalhavam, mas não faziam nada de nada. Até que um dia, convenceram a rainha a comprar uma máquina que resolvesse todos os problemas do reino, para que assim, tivessem mais tempo para não fazer nada. Mas nem tudo saiu como planejado. A máquina deu alguns desarranjos e ao invés de imprimir o jornal, ela picotava todo o papel e empurrou tudo que era nuvem para longe e não chovia. Os campos ficaram todos secos. A partir daí, gera-se uma reflexão do uso da máquina na vida do homem. Assim se desenvolve a história “A Rainha e a preguiça dos ministros”.


Sobre o grupo:

A CIA DE TEATRO DE BOLSO foi criada em 2008, através do diretor Hailton Karran, com o objetivo de popularizar o teatro em Ponte Nova. Esta companhia é oriunda do GRUPO DE TEATRO PALMEIRENSE que teve uma ação cultural significativa nos anos de 1991 a 2007. O surgimento deste novo grupo fez com que o mesmo se preocupasse em criar uma identidade teatral própria buscando uma forma de intervir no cenário cultural ponte-novense. Chamamos de teatro de bolso, as pequenas casas de espetáculos com sua platéia girando aproximadamente em 80 a 150 lugares criando um ambiente de proximidade com o público, gerando formas não realistas de construção de espetáculos.

Ficha Técnica:

Direção Geral: Hailton Karran.

Adaptação do texto: Cia. Teatro de Bolso.

Produção: Thiago Gonçalves e Daniela Lima.

Fotografia: Marcelo Carvalho.

Maquiagem: Fabinho.

Figurino: Marta Soares.

Cenário: Cia. Teatro de Bolso.



O texto abaixo conta um pouco da trajetória da Companhia Teatro de Bolso.


Criada no mês de março de 2008 pelos seus diretores Hailton Karran e Thiago Gonçalve’s, localizado à Av. Abdala Felício nº130 em Ponte Nova/MG (próximo ao Auto Posto Rio Doce), foi marcado pelas estréias dos espetáculos “O PADRE E A PÍLULA DO PECADO” baseado no texto de João Bethencourt e “O ARTEIRO E O TEMPO” texto de Luiz Fernando Veríssimo.

A Cia. Teatro de Bolso participou já, do Festival de Inverno 2009 de Ponte Nova com ambos os espetáculos. Participou também do “X FACE” – 10º festival de artes cênicas de Conselheiro Lafaiete, o FACE é o maior festival de teatro amador de Minas Gerais, que reúne artistas de todo Brasil durante 10 dias do mês de julho todos os anos.

Nessa edição do FACE, fomos indicados a 4 premiações que foram:

  • Melhor atriz coadjuvante (Daniela Lima)
  • Melhor ator coadjuvante (Rogers Xavier)
  • Melhor diretor (Hailton Karran)
  • Melhor trilha sonora (cantado pelo grupo e feito violão por Thiago Gonçalves)

Sendo premiados em melhor atriz coadjuvante e melhor diretor na categoria infantil com o espetáculo “O ARTEIRO E O TEMPO”.

Criamos essa cia com o intuito de acostumar as pessoas daqui a ir ao teatro, por isso fazemos apresentações todas as sextas e sábados com um valor acessível de R$5,00. No momento estamos preparando duas novas peças, uma comédia e outra infantil de própria autoria. Resolvemos pensar em um modo de propaganda que fizesse efeito, mas, sem ajuda acabou ficando um pouco difícil, então pensamos em várias formas até chegarmos à idéia de criarmos um site que fosse destinado não somente a nós, mas, sim a toda cultura local, ai criamos o site www.culturapontenova.com.br onde envolvemos teatro, dança, música, artes plásticas, escritores, fotografia e turismo, e o site está no ar a um mês. Resolvemos recentemente trazer espetáculos de outras cidades uma vez ao mês para concretizar a idéia de acostumar as pessoas ir ao teatro, e claro fazermos a marca Cia. Teatro de Bolso.

Contamos com a equipe de ator e atriz: Thiago Gonçalves, Rogers Xavier, Daniela Lima, Joana Coridola, Juliano Silva, Elisete Rocha, Taynara Tomaz e Raquel Nunes.

Diretores: Hailton Karran e Thiago Gonçalves

Fotografo:Marcelo Carvalho

bom thiago, há outros links de blogs de artistas pontenovenses que talves fosse interessante divulgar no site. vou te passar os links e voce da uma olhada pra ver se atende à proposta do site.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Galeria de Arte Online, confiram!

Para aqueles que se interessam por artes plásticas vai aqui uma dica, acessem o blog GA online 2009, basta clicar no link http://lucianoja.multiply.com/ . O blog expõe obras de artistas contemporâneos e nos permite conhecer o que está acontecendo no campo das artes plásticas hoje. Temos a oportunidade de acessar de nossas casas uma galeria de arte, um museu virtual que nos coloca a par dos novos paradigmas das formas visuais, das cores e de como a tecnologia pode servir aos propósitos de pintores, gravuristas e desenhistas. A falta de acesso a obras de artes contemporâneas e das discussões estéticas acerca das artes plásticas está disponível na velocidade de um clic.

Particularmente sempre senti falta em saber o que está acontecendo nas artes em nosso tempo. Quais as inovações no campo da música clássica, do jazz, da pintura, da escultura? Isso é algo que me faz falta e descobrir a existencia desse espaço virtual e das obras de artistas que fazem parte da minha época, que realizam trabalhos extremamente criativos, autenticos e independentes constitui um momento de celebração, que desejo repartir com outras pessoas que sentem a necessidade de saber o que está acontecendo nas artes plásticas na sua época, viver as transformações. É importante conhecer os grandes nomes que fizeram a história das artes plásticas, contudo mais importante é saber que existem em nossa época artistas que promovem transformações, que estabelecem novos rumos paras as formas e cores.

O site realiza exposição de vários artistas, assim aqueles que realizam trabalhos no campo das artes plásticas podem entrar em contato com o site, enviar seu material e quem sabe tê-loes expostos na galeria. O subtítulo do siete é Do It-yourself ou faça você mesmo, ficando aí um recado para aqueles que fazem arte e estão esperando que algo aconteça para que tenha seu trabalho reconhecido. Há muitos casos assim, artistas que não tem a atitude de buscar seu espaço, que acham-se gênios e que o trabalho de buscar por si mesmos a visibilidade de seu trabalho é algo que deve ser feito pelos seres humanos comuns, que não foram agraciados pelas musas.

Ressaltamos que o GA Online comemora o segundo ano de existência, deixamos registrado nosso desejo de que muitos anos venham e com eles exposiçoes de mais e mais artistas.

Abaixo a descrição da galeria:


"A online – mostra desde 10.10.2007 diferentes estilos de arte. Além disso, são apresentados por brasileiros, indianos, iranianos,paquistaneses, americanos, portugueses, etc… Convidamos os artistas para a criação desse ambiente no orkut. Para o GA online esse é um espaço real-alternativo onde o tema é construir conexões entre os internautas. Artistas diferentes e histórias em conjunto, e ligá-los através de suas obras. A idéia de que tudo é possível, e que estas bases incluem grandes exposições de pessoas brilhantes e desconhecidas. Do It-yourself (faça você mesmo) é o impulso do GA. A ampliação e colaboração dos artistas é o que está dando continuidade da criação artística multipla e não individual e solitário."



As fotos abaixo são do artista Murilo Antonio Pereira. A exposição completa pode ser conferida no link: http://lucianoja.multiply.com/photos/album/65/MURILO_PEREIRA


O artista Murilo Antonio Pereira


Sobre o artista Murilo Antonio Pereira: "Tenho um BAP- Gravura no Ceart/Udesc, onde também cursei a pós-graduação "A linguagem plástica contemporânea". Em Desenho e Pintura sou autodidata. Participo de exposições desde 1991, entre outras: 1º Salão Vitor Meirelles da FCC e 1º Sãlão dos novos talentos da Fund. Franklin Cascaes. Sou membro do www.barenforum.org/ e www.grupogravura.org/ desde 2000. Participei de eventos nacionais e internacionais promovidos pelos dois links. O papel é meu suporte preferido para trabalhos em nanquim, PVA, acrílico, óleo. e a xilogravura. No orkut fui capa e destaque por duas vezes da comunidade "Arte e Artistas"".

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Carranca´s Roots

Nesta postagem podemos conferir um registro raro da Carranca em ação. Conversando com o vocalista da banda, Marcelo Baia, na madrugada desta quarta-feira pelo msn pude ouví-lo declarar que nesta fase a pegada da banda estava no nível máximo. Infelizmente este é o único vídeo da banda se apresentando ao vivo, os demais registros são gravações de estúdio e contam com composições próprias. No momento a banda está de molho e o vocalista Marcelo Baia e o baixista Alisson Sanches envolvidos em um novo projeto musical. Contudo a banda está em fase de preparação de seu primeiro album, algumas músicas podem ser ouvidas no myspace da banda clicando no link http://www.myspace.com/carranca .
O vídeo traz a banda fazendo um cover da música Roots do Sepultura, que coincidentemente ou não, traduz bem a sonoridade da Carranca, cujas raízes estão fincadas na música brasileira e em vertentes pesadas do rock´n roll, como o Heavy e o Trash Metal. A apresentaçã ocorreu, segundo Marcelo, no ano de 2005 na casa de Wesley Costa Melo, que assim como Davi Primavera, procurou e ainda procura realizar projetos que mostrem a força da música pontenovense. O envolvimento de Wesley com a música feita em Ponte Nova é tão forte que alguns destes projetos músicais foram realizados no quintal de sua casa, já que a cidade não conta com espaços destinados à apresentação de bandas de linhagem sonora mais pesada.
Chega de blá, blá, blá e vamos para o que interessa, com vocês Carranca.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Percepção Musical: uma tentativa de desembrutecer o espírito pontenovense



No sábado, dia 26 de setembro, a escola de música Percepção Musical iniciou um projeto cultural na cidade de Ponte Nova, onde pretende trazer no último sábado de cada vez uma atração artística. As apresentações acontecem na frente da escola e o objetivo é oferecer ao público pontenovense acesso à arte produzida na cidade. Embora seja uma iniciativa importante, na medida em que procura constituir um ambiente em que a cultura está presente, consolidar uma agenda cultural na cidade e porque não, formar uma identidade cultural pontenovense, houve poucas pessoas assistindo à apresentação da Persona, primeira atração do projeto. Bom, eu não estava lá, mas vi as fotos da apresentação no orkut da banda e pude constatar que as poucas pessoas presentes eram alunos, parentes ou amigos dos componentes da banda.
Certamente a falta de um número maior de pessoas não foi por se tratar do show de uma banda ruim, pois a Persona faz um blues de qualidade e todos os componentes são excelentes músicos, inclusive foi publicado aqui no Born To Lose um texto sobre a banda caso alguém queira confirmar o que estou dizendo. Assim não posso evitar perguntas como: o que há em Ponte Nova para que as pessoas não se interessem em presenciar um show como esse? Porque as pessoas se aglomeram em lugares como o Estação do Chopp para ouvir sonzinho feito por voz e violão e desprezam aqueles que fazem seu próprio som e buscam sua identidade musical? O que há na mesmice, visto pela maioria dos pontenovenses, que pode ser mais interessantes que a surrealidade de haver uma banda de blues tocando numa das calçadas da cidade? Alguém aí consegue responder alguma destas perguntas?
Por estas e outras que ás vezes me sinto como o Simão Bacamarte do conto O Alienista do Machado de Assis, sendo levado à concluir que se todos os loucos estão internados e apenas eu estou são, alguma coisa há de errado, talvez eu é quem esteja louco e todos os internos sãos. Não é difícil à alguém ser levado a esta conclusão caso viva em Ponte Nova e busque tornar visível a arte feita na cidade. Sei que este problema não é exclusivo de Ponte Nova, mas é um sintoma da sociedade global. É preciso promover o desembrutecimento espiritual do pontenovense, não porque seja o único tipo de ser humano a ter seu espírito embrutecido, mas por se tratar de nós mesmos, nascidos em Ponte Nova. Um projeto como este que traz uma atração musical como a Persona e conta apenas com a presença de outros músicos, fica impedindo de cumprir seu papel social, talvez apenas sirva para que haja interação entre os próprios músicos.
Conheço as pessoas envolvidas neste projeto e estou certo de que querem mais que construir um espaço em que os músicos possam interagir, pois isso a escola Percepção Musical já faz muito bem. A intenção é tornar visível a arte pontenovense, mas como diz o ditado popular “O pior cego é aquele que não quer enxergar”, sendo assim como fazer que os pontenovenses enxerguem sua arte? Talvez não baste coloca-la em sua frente, mas procurar mudar o modo como a enxergam. Quero dizer, o problema não está no objeto, mas no sujeito. O que parece acontecer é haver um bloqueio da subjetividade das pessoas, ou seja, ela esta cristalizada, impedida de fluir e assim poder reconhecer novas possibilidades, dentro outras coisas, do fazer artístico.
Pode ser que tudo dito por mim não tenha nenhuma relação como que ocorreu de fato. Talvez as fotos tenham sido tiradas em momentos em que as pessoas haviam saído ou não haviam chegado. Talvez como foi escrito sobre meu texto Arte Subterrânea em Ponte Nova, tudo escrito aqui não passe de BLÁ, BLÁ, BLÁ. (rs) Portanto, caros leitores façam justiça e deixem seu comentário sobre a apresentação, pois se há equívocos no texto, muito se deve ao fato de eu querer muito estar ai para ouvir o som da Persona ao vivo e não poder, e saber que aqueles que poderiam ter este prazer deixaram o rejeitaram.
Espero que projetos como o da Percepção Musical tenham vida longa e se multipliquem na cidade, quem sabe a situação mude, quem sabe a persistência de tais projetos alcance o objetivo de fazer com que a arte pontenovense seja conhecida por todos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Serie Entre-Vistas, com Davi Primavera.


A série Entre Vista em setembro tem como convidado o músico e compositor pontenovense Davi Primavera, agora é só conferir.

Born to Lose - Aqui temos uma pergunta padrão que abre nosso bate papo e a faço a você agora: o que você entende por arte? Qual a sua concepção mais particular de arte? Esqueça qualquer definição objetiva, seja o mais subjetivo e sincero possível.
Davi Primavera - Pra mim arte é transformação, junção das coisas. Pensamentos, palavras, papel, tecido, cores, restos e etc... No meu ver, arte é uma coisa difícil de definir, pois essa palavra pode ser usadas em várias circunstâncias, alguns tem a arte de enganar, outros de pintar, outros de compor, outros de sorrir e por ai vai.
Born to Lose – Esta definição de arte que você nos apresenta, representa bem a relação entre o artista e sua atividade, o malandro com o ato de ludibriar, o pintor com o de pintar, o compositor com o de compor, etcetera. Essa ligação entre o artista e sua arte, sugere um vínculo necessário entre as partes, como se a existência do malandro só fizesse sentido na possibilidade de ludibriar, a do pintor na de pintar, a do compositor na de compor, a do músico na de tocar. Sei meu amigo que seu interesse pela música vai além do prazer de tocar, deságua na necessidade de compor, de criar, enfim de transformar e juntar coisas. Como você vê em si mesmo esta ligação entre a atividade de composição e a necessidade de exteriorizar, expressar suas idéias e emoções? Quando e de que maneira você se deparou com este lado criador, que o levou a ultrapassar o limite entre o instrumentista e o compositor?
Davi Primavera - Então meu caro amigo, acredito que essa relação com a composição surgiu desde a minha infância, pois cresci ao lado de uma poetisa, creio que ao ver minha mãe escrever seus poemas sugira a inspiração (ou nessecidade) de escrever também! Lembro-me que aos doze ou treze anos de idade compus minha primeira canção (que por sinal nem me recordo da letra e melodia) e assim, não consegui mais ficar sem compor, sempre que pego meu violão surge essa necessidade ou então podemos chamar de cobrança (sei lá) isso passou a fazer parte da minha vida (estranho isso neh!), mas é isso
Born To Lose: Bom Davi, faz algum tempo você tem se dedicado à um repertório voltado aos grandes nomes da música brasileira como o nosso conterrâneo João Bosco. Entretanto, não faz muito tempo você fazia parte de uma banda, a Voto Nulo, com forte influência hardcore, indie, punk... o que desde a adolescencia faz parte de suas verve musical. O que o levou a esta transiçao? A que voce atribui esta mudança?
Davi Primavera: Bem, não diria mudança, pois, desde criança sempre gostei de ouivr variados estilos musicais, nunca tive uma tribo certa, como diria o Cazuza: " Gosto de andar em bando ". Acho isso uma coisa bem tipica de cidade do interior, pois não temos muitas opções, todo mundo conhece todo mundo, as opções de laser quase sempre são as mesmas, as pessoas quase sempre são as mesmas e acho que isso acabou interferindo no meu gosto musical. Comecei estudando violão classico e acabei me interessando mais pelo violão popular, era legal aprender uma musica e sair com a moçada para fazer um luau... Mais tarde fui convidado Pelo Luis Gustavo Cota (Gugu) e pelo Nelson Jr. para participar de uma banda de Pop Rock chamada " Vovó Croysnah " e paralelo à essa banda eu tocava violão em bares para tirar um trocado, dessa forma fui conhecendo muitas bandas, muitos ritmos. Quando terminamos com a " Vovó Croysnah " eu e o Nelson convidamos o baixista Vitor ( Vitão) para montar outra banda que viria a se chamar Voto Nulo. Com o Vitão conhecemos muitos sons legais e começamos a tocar alguns couvers de bandas como Rancid, Nofx, Green Day, dentre outras, até que começamos a compor nossas proprias musicas. Mesmos tocando em uma banda Punk eu ainda garantia uma grana na noite pontenovense com meu violão. Agora que o Voto Nulo não está mais tocando acaba sobrando tempo pra eu me dedicar mais ao violão. E dessa forma foi acontecendo até que meu gosto musical virasse essa salada de frutas. Hoje quando alguém me pergunta quais são minhas influências musicais é até engraçado quando digo: Milton Nascimento, João Bosco, João Gilberto, Gilberto Gil, Rancid, Sex Pistols, Louis Armstrong, James Brown, Jorge Ben, Tim Maia, etcetera ( Salada de Frutas ). Ou seja: Me agradou, seja bem vinda canção!
Born To Lose: Entendo. Como você consegue conjugar todas estas influências na hora de compor? São bandas e músicos com estilos variados, muitas sonoridades que não se chocam, são antagônicas como Sex Pistols de um lado e Milton Nascimento de outro, você tenta conjugar tendências tão dispares em suas composições?
Davi Primavera: Procuro ouvir muitas coisas, até mesmo som de outros países, sempre fico procurando conhecer novos artistas na internet, ouvi certa vez o Herbert Viana dizendo numa entrevista que alguém disse que "a musica já estava pronta, ele só teve a sorte de pegar primeiro"... concordo em partes, o instrumental sim acredito que tivemos a sorte de pegar primeiro, mas as letras isso vem da pessoa, tem gente que escreve de acordo com o que vive ou o que está passando naquele momento, outras fazem nascer uma letra a partir de uma melodia criada no instrumento e esse é o meu caso, às vezes até uma frase que ouço vira uma letra e ai pego o violão e vou criando tudo junto. Minhas preocupações são com quem irá executar comigo a musica, é muito bom quando outro musico entende a mensagem que você está querendo passar na música.
Born To Lose: Você diz que é muito bom ter a mensagem transmitida através da sua música compreendida por outro músico. Porque isso é tão bom Davi?
Davi Primavera: Quando estou construindo alguma musica sempre imagino ela já pronta, imagino os instrumentos que irão completar a melodia, a sensibilidade ou força com que a voz vai entrar... outro dia mostrei uma nova canção pro meu amigo Zeca (José Carlos Daniel) e acabou que ele teve uma belíssima visão que eu não tinha percebido, ele imaginou algumas vozes de crianças no refrão da musica, agora quando toco essa musica consigo até ouvir essas vozes, parece que é o que estava faltando para completar a canção. Como eu disse anteriormente, parece que a musica já estava pronta e eu peguei primeiro.
Born To Lose: Interessante esta imagem Davi, porque ela privilegia muito a intuição no processo de composição. Como se o compositor ele tivesse um sexto sentido, a intuição vista como um guia a conduzir o artista aos caminhos certos, aos lugares certos onde encontrar as melodias, as harmonias adequadas à seu propósito. Outro fator interessante é que neste sentido você faz um elogio da intuição, da sensibilidade em detrimento do uso racional dos conceitos estéticos, no caso da música, as noções próprias à teoria musical. A meu ver o artista autêntico não despreza a razão, contudo ele a subordina à intuição; desse modo é a paixão que conduz as mãos do instrumentista e a imaginação do compositor. O conhecimento racional, o conhecimento teórico é um recurso, e se domínio certamente está mais no campo das ciências. Assim Davi, de que modo você relaciona intuição e razão (entendida aqui como uso lógico dos conteúdos da teoria musical) no seu processo de criação?
Davi Primavera: Cara, isso é muito louco no meu processo de criação, quase sempre eu imagino uma situação e começo a escrever, isso acabada criando um mundo de magia... Se na vida real um compositor ou um poeta está fracassado no amor, por exemplo, ele pode reverter a situação em uma letra, pode ser o que quiser e fazer o que quiser, mesmo que tenha inventado alguma historia que não o envolva diretamente, a letra sempre tem um pouco da pessoa que a escreveu. Tipo, uma coisa vai puxando a outra, o músico se envolve com o instrumento que já chama uma melodia, ou de voz ou instrumental e por ai vai. " Sei la se consegui responder sua pergunta" rsrsrs
Born To Lose: Bom Davi, sei que é professor de violão, isso implica uma responsabilidade que interessa pouco, ou não interessa nada ao artista de um modo geral, que é o ato de ensinar, neste caso o ensinar para a música. Como você encara esta relação entre o educador e o artista?
Davi Primavera: Cara, isso é uma responsabilidade tremenda, muitas pessoas entram na aula de violão porque acham bonito, mas existem muitos casos em que os alunos levam a serio e tem o sonho de poder viver de musica, ajudar a construir o sonho de alguém é muito importante e delicado. Acredito que dar aula é um aprendizado tanto para o aluno, tanto para o professor, pois, ensinando vco está treinando e assim fica mais gratificante para todos, pois mesmo um aluno que não saiba tocar ainda, sem saber ele está ajudando o professor a desenvolver.
Born To Lose: Como você vê a cultura pontenovense? O que você considera esta acontecendo em termos culturais na cidade que valham a pena ser ressaltado?
Davi Primavera: A cultura Pontenovense desde sempre anda muito falha, pouco insentivo, os artistas têm que fazer por si proprio, que por esse lado tem acontecido muitas coisas legais, por exemplo: O Karran que tem feito o teatro de bolso, é um movimento em que ele reune umas 30 pessoas em sua casa toda sexta e sabado para apresentar suas peças, construiu até uma arquibancada, as peças são simplismente apaixonantes. Existem também bandas fazendo sua parte, como a banda Primatas que gravaram um cd rescentemente e e gravaram um dvd esse mês, existe um apoio entre amigos e tal, mas nada diretamente relacionado a prefeitura de nossa cidade. Outra pessoa que eu gostaria de destacar aqui é o João Matos (PonteNet), que tem apoiado a cultura em Ponte Nova, todo evento que esteja relacionado a cultura lá está o João com sua camera fotografica ou filmadora, além de divulgar no site da PonteNet os acontecimentos culturais da nossa cidade ou quando não está participando diretamente para realizaçao dos eventos. Ponte Nova tem tantos impresarios que poderiam estar ajudando e no entanto isso não acontece. Nesse mês de agosto por exemplo aconteceram alguns eventos na cidade, Encontro de Motociclistas, Festival de Inverno dentre outros que não me lembro agora, mas um detalhe, todos eventos no mesmo final de semana, eu mesmo toquei no encontro de motociclista e devido a isso não pude comparecer em muitas apresentaçoes do Festival de Inverno que eu gostaria de ter assistido, faltou divulgação também... Como a prefeitura libera alvará pra varios eventos e que estão relacionados a cultura no mesmo final de semana numa cidade tão pequena como Ponte Nova? Fica complicado.
Mas por outro lado tenho notado que as coisas estão acontecendo mesmo sem apoio, gostaria até de destacar algumas pessoas aqui que tem produzido muita coisa legal como os Primatas que citei anteriormente, a banda Farol Verde, Officiais, Dog Jones, Carranca, Wesley Costa Melo, Persona (minha atual banda), Joe, Pedro Zaidan, Tiago Otoni, e também existem os artesões que por muita vezes tem que correr atraz para vender, existem as feirinhas de artesanato mas que não sei qual o envolvimento da prefeitura nisso, mas que também não vejo muito interesse das pessoas nas peças expostas e sim na comida e bebidas, cheguei até produzir algumas coisas pra algumas feiras mas que davam mais trabalho do que lucro. É isso, não vejo muito interesse nas pessoas de Ponte Nova em contribuir com a cultura, nem que seja com a presença.
Born To Lose: Bem Davi, como é fazer blues em Ponte Nova? A pergunta pode parecer estranha, mas o fato é que não consigo pensar como seria o blues pontenovense. Por estar afastado da cidade fico curioso em saber o efeito do blues sobre as pessoas em Ponte Nova, visto que o blues não está entre os gêneros preferidos do pontenovense. Outro fator que desperta tal curiosidade está em vocês da Persona serem a primeira banda de blues em Ponte Nova, ao menos não cheguei a conhecer nenhuma outra. Havia o Claudinho (Mentor) e o Lele que tocavam blues, mas que não ousaram em levar o som para além de sua intimidade.
Davi Primavera: Então cara, pra mim está sendo um excelente experiencia. Já há algum tempo o pessoal do Persona vinha me convidando para fazer parte da banda nos vocais, mas como eu estava envolvido em outros projetos não tinha tempo pra me dedicar a outra banda, com o fim do Voto Nulo veio novamente o convite pra que eu entrasse na banda e ai sim aceitei por conhecer melhor o trabalho da banda, as musicas cantadas em brasileiro, então pra mim foi mais fácil, pois a musicas estavam prontas, era só eu decorar e pronto. Mas agora já estamos trabalhando em novas musicas e ai sim tem minha participação, estou achando uma experiência fantastica, comecei a compor por esses dias uma nova canção e tá surgindo coisas que realmente me agradam muito, por exemplo: o som do Persona tem muito a ver com o som que eu gosto, são musicas que dão pra executar no violão tranquilamente. Fizemos nosso primeiro show nesse mês de agosto e ficamos surpresos com o resultado, tivemos uma aceitação muito grande e até hoje estão rolando os comentarios, não imaginava que Ponte Nova iria receber tão bem esse estilo. Tomara que continue assim, não só nos encontros de motociclistas mas sim nas festinhas e tal... Vejo o som do persona hora blues rock hora blues jazz. E em breve terminaremos a gravação e postaremos um link pra que todos possam ouvir.
Born To Lose: Quais seus planos para o futuro? Pensa em dedicar-se exclusivamente ao blues da Persona, ou há intenção de desenvolver um projeto solo?
Davi Primavera: Estou muito empolgado com o Persona, pois é um trabalho levado com muita dedicação por todos os membros da banda. Num primeiro momento não achei que seria tão bacana como tem sido, mas admito que me surpreendi, pois o som tá com a cara que eu gosto... Há muito tempo tenho uma ideia de desenvolver um trabalho no violão, mas que ainda não tem nada definido e nem data marcada.
Born To Lose: Davi, quero agradecer por ter nos concedido esta entrevista. Caso haja alguma pergunta que não tenha sido feita, mas que você acha que deveria fazer parte desta entrevista, por favor faça esta pergunta você mesmo e responda. Sei que pode parecer estranho, porém, algo pode ter escapado a este seu entrevistador e que poderia que me surpreendi, pois o som tá com a cara que eu gosto... Há muito tempo tenho uma ideia de desenvolver um trabalho no violão, mas que ainda não tem nada definido e nem data marcada.
Davi Primavera: Nem precisa agradecer, sinto-me privilegiado em ser entrevistado por uma pessoa que admiro tanto quanto você Carlin, que mesmo longe contribui como poucos para divulgar a cultura em Ponte Nova. Parabéns pelo trabalho.

Não tem outra pergunta que eu gostaria de me fazer, a entrevista foi exelente. Gostaria sim de deixar aqui um agradecimento especial para as pessoas que contribuiram de forma direta para minha formação:

Primeiramente gostaria de agradecer aos meus pais, Expedito Jorge de Azevedo (em memoria) e a minha mãe, Lindaura Primavera de Azevedo (principal responsável pela minha carreira). Outras pessoas que também contribuiram foram todos com quem já toquei ou tive algum projeto como: Vitão (Voto Nulo), Luciano (Voto Nulo), Luis Gustavo Santos Cota (Vovó Croysna), Nelson Junior (Vovó Croysna e ex-Voto Nulo, atual baterista do Dog Jones), Francis (Vovó Croysna), Bruno Bueno (ex-Voto Nulo, atual baterista do Ballet e Chivas Duo), José Carlos Daniel, Wesley Costa Melo, Jaqueson Rodrigues, Leonísio, Joe, Samuel e Emerson (Persona, minha atual banda). Outros insentivadores: Lili minha branquela, Ayrton Pirtz, Carlin (Born to Lose), galera de Ouro Preto, dentre outros que são muitos e que por favor me desculpem por não lembrar no momento.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O Bluesman





As marcas do blues não são apenas sons
Basta olhar as mãos e a face do bluesman
Sulcadas por uma existência de dor
Mas que faz o blues sair do fundo da alma.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Davi Primavera - Uma vida através dos sons



Pode-se ir para qualquer parte do mundo, viver por muitos anos afastado, mas sempre estará presente em cada um a lembrança da terra natal, e porque não, a vontade de para lá retornar um dia. Este sentimento se faz presente mesmo quando a terra natal é madrasta. Para muitos de seus filhos Ponte Nova foi e para muitos ainda é madrasta, por este motivo se afastam e vão procurar as condições para satisfazer seus desejos em terras distantes. Contudo existem aqueles que persistem que batem o pé e tentam comove-la, demonstrando-lhe seu amor, procurando converter esta madrasta em mãe carinhosa e dedicada. Quão utópica é esta luta! Mas também, quão necessária é a utopia! A dinâmica da vida muitas vezes é ditada por um desejo, pela busca do orgasmo, cuja satisfação plena se dá apenas nos braços da morte. Desta maneira, muitas vezes as melhores vivências, as vidas mais vivas, são aquelas que sempre perseguiram o orgasmo pleno, mas nunca o alcançaram. Possivelmente Ponte Nova jamais será amável como nossas mães, mas as tentativas de torná-la acolhedora a seus filhos estarão sempre presentes, ditando o ritmo das vidas de muitos de seus filhos.
Poderia citar muitos filhos de Ponte Nova que se encontram nesta luta, entretanto, queremos ressaltar o nome de Davi Primavera, convidado de setembro da série Entre-Vistas de nosso blog. A vida de Davi se constrói à cada acorde cuidadosamente colocado na harmonia, à cada melodia cantada, outras vezes gritada, afirmando sua existência através de sons. Talvez alguns considerem exagerada a afirmação de que alguém como Davi tenha começado a viver quando descobriu haver no mundo sons, que poderiam ser manipulados por sua imaginação, que poderiam se repetir na sua memória, que poderiam ser a exteriorização de seu espírito. Temos acesso ao espírito de Davi porque este nos mostra em suas composições e podemos afirmar com segurança que o espírito de Davi Primavera á pura sonoridade.
Davi ainda acredita na utopia, ainda acredita ser possível transformar a madrasta em mãe, basta lembrarmos de todos os esforços empreendidos por ele para chamar atenção de sua terra para suas riquezas sonoras. Muitos foram os Festivais de Rock por ele organizados, muitas foram as bandas que participou, muitas foram as vertentes musicais pelas quais se apaixonou e tentou chamar atenção de sua terra para elas, e apesar de muito pouco efeito estes esforços terem produzido em sua terra, ainda sim ele se mantêm a seu lado, procurando despertar seu afeto por si e por seus filhos. Tanto é assim que Davi se dedica hoje ao ensino da música, transformando a arte de fazer música na arte de ensinar música, talvez o maior desafio que tenha assumido enquanto músico. Há muito o que dizer sobre Davi Primavera, por isso nada melhor que ler suas próprias palavras. Então até o dia 25, quando a entrevista do músico será publicada neste blog.

Para conhecer um pouco mais do trabalho de Davi Primavera visite o my space do musico clicando do link: http://www.myspace.com/daviprimavera