quinta-feira, 22 de julho de 2010

Paisagens de uma mente conturbada



Sentado na grama do morrinho usando um par de olhos, assisti o sol brotar no horizonte e inundar a paisagem com seus raios luminosos. No rosto uma expressão de deslumbramento; a felicidade de presenciar aquele acontecimento! Respirar a atmosfera que a aurora começava a compor e ouvir o som do mar quebrando nas rochas, causava a sensação... uma mescla de euforia e prazer, aqueles instantes que antecedem a grande enxurrada  do orgasmo. Havia ali um processo de criação em marcha! Ali uma obra de arte era concebida! Uma obra de arte que durava até o sol estender-se por completo no horizonte. Esse momento não cativava a toa, era a representação daquilo que queria encontrar na própria vida.
            A fugacidade do por do sol levava à frustração a que chegam os amantes após o gozo e a vida, como sempre a conhecia, surge novamente. O horizonte desaparece; em seu lugar surge a cidade. Em todo canto a impossibilidade de admirar o horizonte. À direita edifícios; à esquerda muros; à frente uma avenida que parece findar numa curva, o mesmo ocorrendo à minha retaguarda. Dentro da cabeça a explosão constante de idéias, imagens, sensações. Como fazer da vida criação? Como ser o artista a esculpir sua obra mais fascinante: o próprio viver! O convívio roubara aquele impulso criativo; roubara a coragem e a dor. Não era possível sentir dentro daquelas condições. Nenhuma sensibilidade poderia existir assim. Ahahah! Como é tênue a linha que divide a vida e a morte!!! E mesmo assim é difícil arrebenta-la. Acabava percebendo que o material para aquela obra, o objeto que constituiria a criação estava no esgoto, na escória, porque se não era de lá que tinha vindo é para lá que caminhava.

domingo, 18 de julho de 2010

Sabedoria Popular e a Secretaria de Cultura de Ponte Nova


O conhecimento formal representado pela academia e sua produção intelectual gerou um preconceito quanto ao conhecimento gestado na esfera popular, conhecimento esse que passou a ser denominado pelo acadêmico de senso comum. Este preconceito nasce quando o conhecimento verdadeiro passar a existir enquanto conhecimento buscado pela via nacional, estabelecendo a razão como critério de verdade quanto ao conhecimento, assim tudo aquilo adquirido fora da investigação racional passa a ser considerado como inferior e falso. O preconceito pelo senso comum nasce simultaneamente ao nascimento do conhecimento filosófico. A sabedoria popular sendo constituída através da observação dos acontecimentos dentro da sociedade e não da investigação racional passa a ser descartado como via de acesso à verdade.
Contudo, alguns filósofos ao longo da história do pensamento ocidental passaram a chamar a atenção para a importância do conhecimento do "senso comum". David Hume, filósofo escocês do século XVIII, figura entre os nomes dos pensadores que colocaram o conhecimento do senso comum comum como prioritário no que tange à sobrevivência humana tanto do ponto de vista natural quanto do social. Hume mostra que se as decisões ordinárias do ser humano dependessem do estabelecimento da verdade pela via racional a raça humana nem sequer poderia existir. Isso porque a razão considera igualmente todas as possibilidades do que pode vir a acontecer, o que a impediria de se decidir por uma das alternativas estabelecidas, impedindo também que a ação ocorra.
Bom a teoria do conhecimento humeana é muito interessante, mas não é nosso propósito construir uma reflexão detalhada do que ela vem a ser. Ela nos serve aqui como exemplo afim de desconstruir o tom preconceituoso adquirido pelo senso comum, permitindo-nos reforçar a força dos ditados populares, que são construídos a partir da observação dos acontecimentos sociais. Assim os ditados populares constituem uma forma de conhecimento "verdadeiro", pois descreve com precisão situações de caráter social. Ora para uma sentença tornar-se um ditado popular ou seja tornar-se uma regra que prevê e descreve o comportamento social, quase uma regra sociológica, é porque a repetição desse comportamento ou fenômeno ocorreu no corpo social. Essa constatação não é feita pelo cientista político, mas pelo homem do senso comum e não é, como alguns parecem acreditar, uma profecia, adivinhação ou qualquer coisa dessa natureza, mas um conhecimento bem fundamentado na experiência.
O ditado popular "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura!" encaixa-se como uma luva à nova configuração que a cultura começa a ter em nossa querida Ponte Nova. O nome de Wesley Costa Melo já é bastante conhecido do povo pontenovense e principalmente dos políticos da cidade devido a luta do artista pelo fortalecimento da cena artística da cidade. Uma das questões principais dessa luta é tentar entender porque a secretaria de cultura da cidade reluta (relutava) em apoiar projetos de caráter artísticos como a escola de Música Percepção Músical e seu projeto quinzenal que conta sempre com uma atração musical de qualidade. Podemos dizer de outro modo: Porque não há uma parceria entre a Secretaria da Cultura de Ponte Nova e os artistas da cidade?
Apesar das constantes rejeições por parte da Secretaria de Cultura da cidade, e da própria prefeitura que passa a ver Wesley Costa Melo como alguém que faz críticas "deselegantes e mal educadas." (para um conhecimento mais detalhado deste "contra ataque" da prefeitura vide http://caesdidatos.blogspot.com/) , Wesley não desistiu, fez-se de Água Mole e conseguiu perfurar a Pedra Dura, ou melhor Cabeça Dura, dos governantes pontenovenses. Engraçado que foi preciso haver uma desgastante cobrança por parte dos artistas da cidade para que a Secretaria de Cultura reconhecesse a necessidade de apoiar projetos desta natureza. Outra coisa, o convite que deveria partir da Secretaria da Cultura não ocorreu, mostrando que ou a citada secretaria não possuía conhecimento da produção artística da cidade, o que revela a incompetência e ociosidade dos funcionários da mesma ou simplesmente não tiveram interesse em apoiar por não ter um retorno de caráter financeiro como a construção de hidrelétricas por exemplo, o que revelaria o espírito de porco da atual administração pública pontenovense.
Pergunto, o vínculo da prefeitura com os artistas da cidade deve ser comemorado já que a procura da Secretária da Cultura parece devido ao fato de não conseguir extinguir a força de combate do artista pontenovense? Isso pode ser expressado através de um outro ditado popular: "Se não pode vencê-los, junte-se a eles." Entendo que esse súbito interesse por parte da Secretaria de Cultura deve ser analisado com cuidado. Claro que uma postura radical não cabe na atual situação, pois seja como for, foi uma vitória para todos os artistas pontenovenses.
O cartaz que vem junto a esta postagem é referente à apresentação de Fafá do Blues que lança seu cd no projeto da Perceção Musical que FINALMENTE PODE CONTAR COM APOIO DA SECRETARIA DE CULTURA DE PONTE NOVA.

Para conhecer um pouco da música de Fafá do Blues assistam o vídeo que pode ser acessado através do link http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1033206-7822-FAFA+DA+BARRA+VELHO+BLUES,00.html

Pontenovenses de todos os cantos, encham o peito e soltem o brado: Salve a sabedoria popular!!!

Vida longa à resistência, que o combate à hipocrisia e descaso daqueles que se dizem políticos equivocadamente e governam nossas cidades, estados e país, possam ser sempre traduzidos pelas sentenças dos ditados populares.

Projeto Percepção Musical - Fafá da Barra

I FESTPON – FESTIVAL DE TEATRO DE PONTE NOVA



No dia 06/02/2010 aconteceu, na sede da CIA TEATRO DE BOLSO a primeira reunião para a realização do I FESTPON – FESTIVAL DE TEATRO DE PONTE NOVA. O projeto idealizado por Emerson de Paula (responsável pelo grupo NAED) foi aprovado pela Lei Estadual de Incentivo a Cultura do Governo de Minas Gerais e tem como objetivo divulgar os grupos teatrais da cidade e incentivar o desenvolvimento das artes cênicas no município e na região. Além de apresentações teatrais gratuitas ao público, os pontenovenses poderão participar das oficinas artísticas e palestras culturais que farão parte da programação. Grupos mineiros também farão parte do Festival como forma de promover o intercâmbio cultural.

O ponto alto desta reunião foi a união dos 4 grupos de teatro de Ponte Nova: NAED – NÚCLEO ARTÍSTICO EDUCACIONAL, CIA TEATRO DE BOLSO, O CURSO LIVRE DE TEATRO DO CSDH E GRUPO TEATRAL VIVER COM ARTE que serão os organizadores do evento.

O I FESTPON acontecerá em agosto e terá uma programação teatral intensa com apresentações em praças públicas e em espaços fechados. O projeto agora está em fase de captação de recursos e parcerias.

Mais informações no site www.culturapontenova.com.br

Segue em anexo o registro fotográfico da reunião feito pelo fotógrafo Marcelo Carvalho.

quinta-feira, 1 de julho de 2010



Há muitos anos não assisto futebol na rede Globo, principalmente por não suportar os berros e abobrinhas proferidas por Galvão Bueno durante as transmissões dos jogos. Para piorar há uma nova versão do Galvão na rede Globo, o Luiz Roberto, que por se tratar de uma imitação, consegue ser pior que o original. Felizmente o monopólio das transmissões dos jogos da Copa pela Rede Globo foi quebrado nesta edição do certame, que pode ser acompanhado, na tv aberta, pela TV Bandeirantes.
No dia 25 de junho os twiteiros organizaram um dia sem Globo, a idéia consistia em levar o maior número de pessoas deixar de assistir o jogo pelas lentes globais e ouvir a gritaria e orgasmos guturais de Galvão Bueno pela Bandeirantes em apoio ao técnico da seleção brasileira, o Dunga. Isso porque o técnico resolveu não rezar a cartilha da emissora e tampoco da CBF, algo inusitado no futebol brasileiro. Dunga vetou o acesso "exclusivo" da poderosa Fátima Bernardes aos jogadores e a ele próprio, revelando caráter, na medida em que declarou falar para toda imprensa ou não falar com ninguém.
A partir de então Dunga vem sofrendo uma marcação cerrada da emissora que busca de todas as maneiras jogar os brasileiros contra o técnico, dizendo que há um problema de Dunga com a imprensa, mas o problema reside no fato de Dunga negar exclusividade à Globo, o que sugere que ao usar o termo imprensa os jornalistas e apresentadores acreditam ser imprensa apenas aquilo que é feito pela Globo.
Durante uma coletiva de imprensa o técnico se irrita com o jornalista esportivo André Escobar do Plin Plin o que serviu de matéria para o Fantásitico quando o repórter Tadeu Schimit lê um edital atacando o técnico da seleção brasileira, declarando que sua irritação não condiz com o cargo que ocupa.

É imprenscindível o apoio ao técnico Dunga que tem peito para enfrentar o senhor Ricardo Teixeira, que segundo a Fátima Bernardes fora quem teria concedido a exclusividade da entrevista para a Rede Globo, e com o maior monópolio midiático da America Látina que é a Rede Globo de Televisão. Dunga renovou a seleção de maneira radical, fez aquilo que achou certo sem aceitar pressoes externas para a escalação para a Copa do Mundo, bem diferente do que aconteceu com Parreira em 2006 e com Zagallo em 98.

Abaixo o texto relatando a recusa do técnico a conceder a tal entrevista exclusiva para a Globo, o vídeo do Youtoube com a reportagem do Fanático, digo, Fantástico. O texto foi extraído do Blogo o Pensador da Aldeia do Professor Paulo Jonas de Lima Piva.




Dunga enfrenta monopólio e prepotência da Rede Globo: na sexta-feira, "Dia sem Globo"


por Paulo Jonas de Lima Piva

Em solidariedade à atitude corajosa do técnico Dunga em face da arrogância e prepotência do latifúndio midiático da Rede Globo, "O Pensador da Aldeia" também aderirá, e conclama aos caros leitores para que também o façam, sexta-feira, à campanha "Dia sem Globo", surgida no Twitter:

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Junte se a nós e participe do Dia Sem Globo em apoio a Dunga.

O técnico da seleção brasileira abriu fogo contra a Rede Globo. Dunga deu na canela do comentarista Alex Escobar, da Globo. Poucas horas depois, um dos apresentadores do programa Fantástico, Tadeu Schmidt, da África, leu um editorial da emissora detonando Dunga. Tudo tem um porquê. Antes do ataque ao Dunga no Fantástico, o Jornal O Globo já havia descido a lenha na seleção e principalmente no seu treinador. Qual a razão dessa súbita mudança de comportamento?

Vamos aos fatos.

Segunda feira, véspera do jogo de estréia da seleção brasileira contra a Coréia do Norte, por volta de 11 horas da manhã, hora local na África do Sul. Eis que de repente, aportam na entrada da concentração do Brasil, dona Fátima Bernardes, toda-poderosa Primeira Dama do jornalismo televisivo, acompanhada do repórter Tino Marcos e mais uma equipe completa de filmagem, iluminação etc. Indagada pelo chefe de segurança do que se tratava, a esposa do poderoso William Bonner sentenciou : " Estamos aqui para fazer uma REPORTAGEM EXCLUSIVA para a TV Globo, com o treinador e alguns jogadores...". Comunicado do fato, o técnico Dunga, PESSOALMENTE dirigiu-se ao portão e após ouvir da sra. Fátima o mesmo blá-blá-blá, foi incisivo, curto e grosso, como convém a uma pessoa da sua formação: " Me desculpe, minha senhora, mas aqui não tem essa de "REPORTAGEM EXCLUSIVA" para a rede Globo. Ou a gente fala pra todas as emissoras de TV ou não fala pra nenhuma...".

Brilhante !!! Pela vez primeira em mais de 40 anos, um brasileiro peitava publicamente a Vênus Platinada !!!" Mas... - prosseguiu dona Fátima - esse acordo foi feito ontem entre o Renato ( Maurício Prado, chefe de redação de esportes de O Globo ) e o Presidente Ricardo Teixeira. Tenho autorização para realizar a matéria". Dunga: - " Não tem autorização nem meia autorização, aqui nesse espaço eu é que resolvo o que é melhor para a minha equipe. E com licença que eu tenho mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo ( Teixeira ) que se ele quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!".

O treinador então virou as costas para a supra sumo do pedantismo e saiu sem ao menos se despedir.

Dunga pode até perder a classificação, a Copa , seu time pode até tomar uma goleada, qualquer fiasqueira na África, mas sua atitude passa à história como um exemplo de coragem e independência frente a uma das instituições privadas mais poderosas no País e que tem por hábito impor suas vontades, eis que é líder de audiência e por isso se acha acima do bem e do mal. Em linguagem popular, o Dunga simplesmente mijou na Vênus Platinada ! Sugiro uma estátua para ele!!! Após a poderosa Globo a mesma que levou o Collorido ao poder e depois o detonou por seus interesses, agora difama o Dunga, tá certo que o cara é meio Ogro, mas não teve o direito de se defender dos ataques em momento algum. Falar mal do cara é liberdade de imprensa Ouvir o cara não pode? A reação do povo foi imediata.O editorial lido no programa "Fantástico", da Rede Globo, deu repercussão no mundo virtual. E pela primeira vez na história o Brasil inteiro apóia o técnico da Seleção. Só a Globo para conseguir isso...

Dentre os assuntos mais comentados no Twitter nesta segunda-feira (21), a frase "Cala boca, Tadeu Schmidt" era líder absoluta -superou até a antecessora "Cala Boca, Galvão", que liderou por dias seguidos os Trending Topics. E não parou por ai. Em apoio ao técnico da seleção brasileira, os twiteiros lançaram o "Dia Sem Globo", que será nessa sexta-feira, quando o Brasil vai jogar com a seleção de Portugal, no encerramento da primeira fase da copa. Todo mundo na Band, ou em outra emissora, não vamos sintonizar a Globo na sexta-feira, temos que começar a deixar de ser gado manso, mostrar que não somos trouxas manipuláveis.


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quinta-feira, 17 de junho de 2010

1º ENCONTRO DE ARTE-EDUCAÇÃO DE OURO PRETO

O Born To Lose tem como uma de suas metas divulgar a produção cultural pontenovense e discutir os caminhos que a arte está tomando em nossa Ponte Nova. Emerson de Paula, diretor, ator e agora Professor do Departamento de artes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) sem dúvida é um dos nomes mais importantes da cena artística e cultural de Ponte Nova.
O trabalho de Emerson em evidência em Ponte Nova começa a se destacar também em Ouro Preto, o artista faz parte da organização do 1º ENCONTRO DE ARTE-EDUCAÇÃO DE OURO PRETO. Abaixo segue a programação deste evento e as informações necessárias para inscrição.


1º ENCONTRO DE ARTE-EDUCAÇÃO DE OURO PRETO

13 e 14 de Julho de 2010

Universidade Federal de Ouro Preto

Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil

ABRAços Artísticos – Educacionais

1 Apresentação

O Departamento de Artes da Universidade Federal de Ouro Preto, o Núcleo ABRA de Ouro
Preto e a Curadoria de Artes Cênicas do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum
das Artes 2010 realizam em parceria o 1º Encontro de Arte-educação de Ouro Preto. O evento
tem o objetivo de discutir e analisar práticas da Arte-educação no ensino formal, não-formal e
informal, através de palestras, debates e comunicações. Constitui-se como mais um lugar do
fazer científico, onde pesquisadores possam apresentar seus trabalhos e trocar experiências
sobre o desenvolvimento da Arte-educação no Brasil.

2 Programação

Dia 13/07

8h - Recepção e Credenciamento.

9h - Abertura e Apresentação do IDEA 2010.

9h30 – Palestra - Dança e Escola – Realidades Brasileiras com Michelle Gabrielli –
Professora do Curso de Graduação em Dança da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG),
Mestranda em Letras na área de Estudos Literários pela UFV, bacharela e licenciada em
Dança pela mesma instituição. Bailarina, atriz e arte-educadora.

10h30 – Debate.

11h às 13h30 – Almoço.

13h30 - Apresentação dos inscritos no grupo temático DANÇA, CORPO E CULTURA.

14h30: Debate.

15 h: Encerramento.

Dia 14/07

9h – Palestra - Perspectivas do Ensino de Teatro na Espanha com Mariano Gracia:
Professor de Interpretação e direção cênica da Real Escuela Superior de Arte Dramática de
Madrid (RESAD), Professor de Literatura Dramática no Instituto del Teatro y de las Artes
Escénicas del Principado de Astúrias. Graduado em Laboratório Teatral "William Layton" (1986
/ 1989). Graduado pela Escuela Municipal de Teatro de Zaragoza (1980 / 1983).

10h: Debate

10h30 - Apresentação dos inscritos no grupo temático PEDAGOGIA DO TEATRO & TEATRO
E EDUCAÇÃO.

11h30 – Debate.

12h às 14h – Almoço.

14h às 15 h – Palestra - Os desafios da formação de Professores de Teatro na
Contemporaneidade com Mariana Muniz - Atriz, diretora e professora da Pós-graduação em
Artes e do Curso de Graduação em Teatro da EBA/UFMG. Doutora em História, Teoria e
Prática do Teatro pela Universidad de Alcalá (Espanha). Formada em Interpretação Gestual -
Real Escuela Superior de Arte Dramática de Madrid (2005). Licenciada em Língua Portuguesa
pela Universidade Federal de Minas Gerais (2000). Líder do grupo de pesquisa do CNPq -
Núcleo Transdisciplinar de pesquisa em Artes Cênicas - NACE. Tem experiência na área do
Teatro, atuando principalmente nos seguintes temas: improvisação, licenciatura e teatro
contemporâneo. É diretora dos seguintes espetáculos de improvisação em repertório: Match de
Improvisação e Sobre Nós. É curadora do Festival de Inverno da UFMG desde 2006.
Coordenadora geral e curadora do FIMPRO - Festival Internacional de Improvisação Teatral.

15h - Debate

15h30 - Palestra – Performance e direitos Humanos: Experiências com presidiários em
Londres com Christina Gontijo Fornaciari: Doutoranda em Artes Cênicas pela UFBA -
Universidade Federal da Bahia. Mestra em Performance pela Queen Mary, University of
London (2005), com revalidação pela USP (2009) na linha de pesquisa Prática e Teoria Teatral.
Pós-graduada em Gestão Cultural pelo Instituto Struzzo (Itália-Brasil, 2008). Graduada em
Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos (2002). Graduada no Curso de Formação de
Atores do Teatro Universitário da UFMG (2000). Atualmente é professora substituta no curso
de Licenciatura em Artes Cênicas na UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto. Tem
experiência na área de Artes, com ênfase em Performance, Teatro Fisico e Dança.

16:30 às 17 h: Debate

17 h: Encerramento

3 Como inscrever seu trabalho nos grupos temáticos

• Preencher formulário de inscrição disponível no site do Festival de Inverno de Ouro
Preto e Mariana – Fórum das Artes 2010 – www.festivaldeinverno.ufop.br .

• Enviar resumo (no máximo 10 linhas):
Colocar antecedendo o resumo: Autor, título do trabalho, titulação, filiação institucional, vínculo
com a instituição (graduado; pós - graduando; pesquisador; pesquisador autônomo, docente).
Caso não haja vínculo institucional indicar: graduado por: (instituição), mestre por: (instituição)
e assim por diante. Máximo de 10 linhas, fonte Times New Roman, tamanho 12, espaço 1,5.
OBS: No caso de ser comunicação com apresentação de trabalho prático enviar com o resumo
um vídeo do trabalho.

Envie os formulários acompanhados de resumo (até 10 linhas) e um resumo ampliado para
análise da comissão dos GT’S. Formatação do texto integral: máximo de 10 laudas, fonte
Times New Roman, tamanho 12, espaço 1,5; papel A4, margens: superior 2,5cm; inferior
2,5cm; direita 3cm; esquerda 3cm, gravado em Word; contendo, Autor, Título e Filiação
Institucional. O texto integral é importante para possibilitar avaliação mais adequada pelos
coordenadores. Será entregue a cada participante ao final do encontro um CD ROM (Anais).
As inscrições de trabalhos podem ser feitas pelo e-mail cenicascuradoria@yahoo.com.br ou
entregue diretamente no DEART – DEPARTAMENTO DE ARTES – UNIVERSIDADE
FEDERAL DE OURO PRETO – CAMPUS UNIVERSITÁRIO – MORRO DO CRUZEIRO – 31-
3559-1731. Se a inscrição for feita na sede é necessário que o material impresso seja
acompanhado de CD com texto integral para publicação nos anais.

Os coordenadores dos GT’s receberão os resumos das comunicações e farão seleção das
propostas aceitas, enviando as cartas de aceite aos trabalhos aprovados e organizarão as
respectivas sessões de comunicação. Prevê-se a realização de dois GT’s, com apresentação
de cinco trabalhos.

3.1 GT 1 - Dança, corpo e cultura

Este GT tem como perspectiva abordar a dança como o pensamento do corpo. Pretende-se
também, abordar processos que investiguem a idéia de o homem ser uma corporeidade. Para
tanto terá como foco de diálogo e discussão a relação que cada um tem com seu corpo próprio
e como esse interfere nas extensões do seu viver. Os comportamentos e práticas
espetaculares humanos organizados, a diversidade e pluralidade cultural, o corpo na
educação.

3.2 GT2 - Pedagogia do teatro & Teatro e educação
Este GT tem como perspectiva abordar as práticas teatrais na diversidade de formações que o
teatro contemporâneo pode engendrar. Incluem-se neste GT os estudos teórico-práticos dos
contextos, das culturas, dos discursos e das linguagens artísticas e artístico-educacionais que
têm como centro o espetáculo, a oficina, a experimentação e as diferentes situações
pedagógicas que daí emergem. Assim, é objeto de pesquisa deste GT processos e práticas de
educadores, educandos, artistas e espectadores nos diferentes espaços de educação - formal,
informal e não-formal, assim como, reflexões produzidas em diferentes perspectivas teóricas e
metodológicas relacionadas a esses processos.

4 Prazos

Inscrição para participante como ouvinte: 10/06 A 13/07
Inscrições para apresentação nos grupos temáticos: 10/06 A 27/06
Confirmação de participação no GT (por e-mail): 05/07

5 Realização

Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum das Artes 2010/Curadoria de Artes
Cênicas

Núcleo ABRA de Ouro Preto
Departamento de Artes - UFOP

6 Coordenação Geral

Emerson de Paula (DEART - UFOP), Flaviano Souza e Silva e Osmar Vânio.

7 Comissão científica

Prof. Me. Acevesmoreno Flores Piegaz – DEART - UFOP
Prof. Me. Davi de Oliveira Pinto – DEART - UFOP
Profa. Me. Nicaulis Costa Conserva – DEART - UFOP
Prof. Dr. Ricardo Gomes – DEART - UFOP

domingo, 6 de junho de 2010

Carta pro meu Vô.






















O senhor já se perguntou o que significa viver? Eu me coloco essa questão sempre; não porque faltem respostas; respostas encontramos em cada esquina. A grande questão não é essa, mas porque sinto a necessidade de coloca-la a mim mesmo. “Pensar é estar doente dos olhos.”, a síntese do velho Caiero me atormenta! Estou doente vô, porque não consigo deixar de pensar no que significa viver. O que cativa no senhor, é justamente o vigor que vejo em sua alma. Sentir o senhor me traz a paz do silêncio, pois sinto a presença de uma vida serena, que não precisa de pensamentos e explicações, mas que está imersa no próprio viver. Ainda consigo ver o cinza daqueles domingos que não pude ir à roça! E jamais deixei de sentir a sensação daqueles dias de terra, verde e intensa atividade que a roça me deu! Era um tempo em que viver era o bastante para se estar feliz! Não me preocupar com os dias era tê-los; era passar por eles tão leve quanto a brisa das manhas de inverno! Ah! Vô, o senhor sabe do que falo né! O senhor é a própria brisa, que o intenso vento dos anos sopra cada vê mais alto. Não tenho respostas vô, na verdade, inconscientemente acho que nem as quero. Tenho algo melhor que respostas, o senhor, a própria vivência que possui mais força que qualquer resposta! Ainda serei brisa vô, pode crer!

sábado, 5 de junho de 2010

Pat Metheney - Orchestrion

Esta postagem visa compartilhar com os leitores de Born To Lose uma descoberta ocorrida ao acaso, o lançamento do novo álbum do jazz guittar Pat Metheny batizado de Orchestrion. O modo como as músicas foram gravadas é no mínimo assustador! Entendam porque lendo o texto abaixo de autoria de Rafael Sartori e extraído do blog Território da Música.

Que Pat Metheny é um dos músicos mais criativos e talentosos em atividade, todo mundo sabe. Não é segredo também o seu interesse por modernidades como samplers, sintetizadores e sequenciadores. Mas “Orchestrion”, o novo álbum, leva tudo isso para um patamar que beira o inacreditável.

Acontece que o guitarrista toca acompanhado por nada menos do que uma banda de robôs, por assim dizer. Um aparato tecnológico desenvolvido em parceria com a Electronic Musical Urban Robots registra as notas que Matheny toca, assim como a intensidade e duração de cada uma delas. A partir daí, os dados são distribuídos para instrumentos como baixo, piano, percussão e bateria, que fazem suas partes sozinhos. Veja o vídeo abaixo para entender melhor!

De nada adiantaria, contudo, criar um projeto tão audacioso se a qualidade musical não fosse boa. Quanto a isso o ouvinte pode ficar tranquilo, pois raramente Pat Metheny decepciona. O repertório traz cinco longas faixas de um jazz calmo, intimista e cheio de climas. Embora o grande destaque seja a forma de como o disco foi feito e não as músicas em si, não dá para reclamar das belíssimas melodias e passagens que encontramos ao longo da faixa-título, em “Soul Search” e “Spirit of the Air”, por exemplo.

Como estava experimentando seu novo brinquedinho, Pat Metheny não se arriscou muito em “Orchestrion”, permanecendo em sua zona de conforto e sem exigir muito de seus novos “companheiros”. Se ele levar a idéia adiante, porém, não haverá limites para o guitarrista.


Relato de uma morte que vive

















Hoje caminha. Assim como ontem, assim como amanhã. Dias úmidos ou quentes, ruas claras ou escuras, não importa; seus olhos olham, mas não vêem. Respira o ar, mas não o sente; beija os lábios da mulher e sua pulsação continua estável. Os traços de seu rosto são os mesmos sempre. Não sabe se teve dias ou se está preso ao mesmo dia, que se repete eternamente.

Em sua direção, na direção oposta, do lado esquerdo, do lado direito, sobre sua cabeça, abaixo de seus pés: corpos. Corpos de carne, corpos de metal, corpos de vidro, corpos de terra, corpos de aço, corpos de madeira. Até corpos sem corpos.

Suor saindo de seus poros escorrega pela superfície do seu rosto. Caem ao chão ou sobre os braços da mulher. Existem flores e nas flores existe o amarelo, o verde, o vermelho, o azul e o preto. Ainda existe vida deste lado! Entretanto, seus olhos não piscam, estão presos a imagens fixas, sentimentos diamantes, que imploram pelo cinza de todas as cinzas. A isso chama vida.

Acredita viver. Diante de seus olhos o fardo, o peso, a medida, uma tonelada. Acredita em ganhar e perder, morrer e viver, cagar e mijar, ser bom ou mal (acho que até mesmo acredita em ser bom e mal). Ainda não conseguiu chorar, só consegue rir. Concebe as coisas dentro de uma escala evolutiva: do mal ao bom, do errado ao certo, do triste ao feliz, do doentio ao saudável, da escravidão à liberdade, do amor ao ódio. Outras vezes as concebe dentro de uma escala hierárquica: primeiro o bom e depois o mal, primeiro o certo e depois o errado, primeiro a felicidade e depois a tristeza, primeiro a saúde e depois a doença, primeiro a liberdade e depois a escravidão, primeiro o amor e depois o ódio. Por enquanto não odiou, não amou, não sofreu, não escolheu, não desejou.

Certa vez contaram-lhe que a chama é quente e queima a ponta dos dedos. Disseram-lhe que há flores nos jardins e que nelas podemos aspirar fragrâncias diversas. Até hoje não colocou a mão na chama, muito menos se abaixou para respirar o perfume dos jardins.

Nunca o julgaram louco. Na verdade, alguns o chamaram de mestre, outros de experiente; mas inconseqüente, desmedido ou aprendiz, isso nunca.

O pior é que nada disso ele sabe. Pensa estar acordado em seu sono profundo. Nada disso se quer relampejou em seu espírito. São seus olhos que contam esse sentimento ou vivemos num palácio de espelhos?

domingo, 30 de maio de 2010

Conheça Marcos Bagno























te post visa divulgar o trabalho do Professor Marcos Bagno, o texto abaixo foi extraido da pagina pessoal do Professor. Acessem o site, é só clicar no link abaixo:




Marcos Bagno nasceu em Cataguases (MG), mas sempre viveu fora de seu estado de origem. Depois de ter vivido em Salvador, no Rio de Janeiro, em Brasília e no Recife, transferiu-se em 1994 para a capital de São Paulo, onde viveu até 2002, quando se tornou professor do Instituto de Letras da Universidade de Brasília (UnB),

tendo atuado no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas até 2009, ano em que se transferiu para o Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução.

Como escritor, Bagno iniciou sua carreira em 1988 ao receber o IV Prêmio Bienal Nestlé de Literatura pelo livro de contos A Invenção das Horas, publicado pela Editora Scipione.

Vieram em seguida outros livros, a maioria deles dedicados ao público infanto-juvenil. Sua produção literária soma no momento quase 30 títulos. Outros prêmios importantes: "João de Barro" (literatura infantil, 1988), "Cidade do Recife" (poesia, 1988), "Cidade de Belo Horizonte" (contos, 1988), "Estado do Paraná" (contos, 1989) e "Carlos Drummond de Andrade" (poesia, 1989). Alguns de seus livros receberam da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil a classificação de "Altamente Recomendável". Desde 1997, tem se dedicado à produção de obras voltadas para a educação, como Pesquisa na escola: o que é, como se faz (Ed. Loyola), Machado de Assis para principiantes (Ed. Ática), O processo de independência do Brasil (Ed. Ática). Suas obras no campo da linguística se concentram principalmente nas questões relativas à crítica do ensino da língua portuguesa nos moldes tradicionais, baseados exclusivamente nas noções pouco consistentes da gramática normativa e impregnados de preconceitos sociais. Seu primeiro trabalho nessa linha foi A língua de Eulália (novela sociolinguística), publicado pela Ed. Contexto em 1997 e desde então constantemente reeditado.

Paralelamente, Bagno vem trabalhando como tradutor para algumas das principais editoras do país, e já traduziu mais de 50 livros do inglês, do francês, do espanhol e do italiano. Como intérprete simultâneo de conferências, soma mais de 1.000 horas de cabine em eventos nacionais e internacionais.

No campo da investigação científica e acadêmica, Bagno sempre se interessou pelo que diz respeito à linguagem humana em todas as suas manifestações. Se graduou em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde também obteve o título de Mestre em Linguística com uma investigação sociolinguística sobre o tratamento da variação nos livros didáticos de português. Obteve o título de Doutor em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) com uma tese sobre as discrepâncias entre a língua realmente utilizada pelos brasileiros e a norma-padrão conservadora, veiculada pelas gramáticas tradicionais, pelos livros didáticos e pela mídia, que se baseiam em doutrinas ultrapassadas e não refletem a realidade da língua viva. A tese, orientada pelo Prof. Ataliba de Castilho e co-orientada pela Profa. Marta Scherre, foi publicada em agosto de 2000 pela Ed. Loyola com o título Dramática da língua portuguesa (atualmente em 3a. edição).

A militância de Bagno contra toda forma de exclusão social pela linguagem se tornou mais conhecida depois da publicação do livro Preconceito linguístico: o que é, como se faz (Ed. Loyola) que, desde seu lançamento, em 1999, vem sendo reeditado de modo ininterrupto e constante, com uma edição nova a cada mês. Já perto de atingir sua 50ª edição, o livro é amplamente utilizado nos cursos de Letras e Pedagogia de todo o Brasil.

Graças a esta militância em favor do reconhecimento da riqueza e do valor das múltiplas variedades linguísticas que compõem o universo da língua portuguesa do Brasil, Bagno vem sendo convidado a ministrar cursos, palestras e conferências nas mais diversas regiões do país. Em 2004, foi coordenador-adjunto da avaliação dos livros didáticos de português para o ensino médio (PNLEM), processo executado pelo Ministério da Educação. No mesmo ano, a convite do Ministério das Relações Exteriores, esteve na Argentina, no Paraguai e no Uruguai para discutir questões relativas ao ensino do português brasileiro para estrangeiros. Atuou em mais dois processos de avaliação de material didático para o Ministério da Educação: o PNLD-Dicionários (2005) e o PNLD-2008 (5ª a 8ª séries). A convite da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha), ministrou curso sobre a realidade sociolinguística brasileira no verão europeu de 2005.

Em 2001, publicou o livro Português ou brasileiro? Um convite à pesquisa (Parábola Editorial), que propõe uma metodologia para a introdução da prática da pesquisa em sala de aula como ferramenta pedagógica para substituir a prática tradicional das "aulas de gramática". Organizou os volumes Norma linguística (2001) e Linguística da norma (2002) (ambos pelas Ed. Loyola) e Língua materna: letramento, variação & ensino (Parábola, 2002). Traduziu História concisa da linguística de Barbara Weedwood (Parábola, 2002) e Para entender a linguística de Robert Martin (Parábola, 2003). Retomando seu trabalho de ficcionista, Bagno escreveu O espelho dos nomes (Ática, 2002), uma aventura pelo reino fascinante da linguagem, dedicada ao público infantil e juvenil. Em 2005, publicou mais três livros dedicados ao público infanto-juvenil: Murucututu: a coruja grande da noite (Ática), Uma vida de conto de fadas: a história de Hans Christian Andersen (Ática) e A Lenda do Muri-Keko (Ed. SM).

Em 2003 publicou o livro A norma oculta: língua & poder na sociedade brasileira (Parábola Editorial), em que retoma a discussão sobre o preconceito linguístico a partir da reação da imprensa brasileira à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República. Discute os problemas que envolvem a expressão "norma culta" e propõe novos termos e conceitos para uma análise mais precisa da realidade sociolinguística do Brasil. Examina as relações entre língua e poder na sociedade brasileira, numa perspectiva histórica, desde o período colonial até os dias de hoje.

No início de 2007 a Parábola Editorial lançou Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. Neste novo livro, Bagno analisa os problemas existentes nas abordagens que livros didáticos e materiais de formação docente vêm dando à variação linguística, problemas decorrentes da falta de bons fundamentos teóricos para o tratamento do tema. O livro traz os principais conceitos da sociolinguística, propõe um roteiro para a análise crítica dos materiais didáticos, oferece atividades práticas para o tratamento da variação e da mudança em sala de aula e, por fim, leva o leitor a refletir sobre os conceitos abordados por meio de exercícios.

sábado, 20 de março de 2010

Em defesa de Kill Bill (parte 2): O PULP AINDA POLPA...

O Born To Lose tem muitos blogs parceiros, dentre eles O Coringa. O texto que traz esta nova postagem é referente a uma discussão iniciada alguns anos atras sobre o filme de Quentin Tarantino Kill Bill. Para quem não acompanhou a discussão aqui pelo blog, pode procurar a postagem da primeira parte da discussão em nossos arquivos.
Fiquem com a contribuiçao do Coringa, tirem suas próprias conclusões e participem desta discussão.

Recomendamos aos nossos leitores que acessem o blog O Coringa e conheçam as posições desta figura misteriosa sobre o mundo do cinema e da arte. O link é: http://cartasdocoringa.blogspot.com



Contribuição do Coringa ao amigo mineiro…

Uai sô, sério?

(Why so serious?)[1]

Este texto chega com um pouco de atraso, e compõe a segunda parte da defesa de Kill Bill. Foi-me solicitado já há algum tempo e há quase um ano estou enrolando para escrevê-lo. O texto aqui presente é oriundo de conversas e discussões entre amigos, nas quais as opiniões por mim expressas em muitos casos iam ao encontro e se completavam com as opiniões expressas pelo autor desse blog. Em muitas das coisas ditas por ele durante nossas conversas, via como se as minhas próprias idéias me estivessem sendo reveladas, e não me admiraria se ele dissesse o mesmo em relação às minhas opiniões. Ao finalizar o texto percebi que ambos expressam, de maneira diferente, opiniões muito próximas. O fato é que, assim como Inácio (como ele é conhecido na Bahia) não considero que Kill Bill possa ser reduzido aos filmes pré-fabricados de Hollywood. Como se sabe, Tarantino é um aficcionado pela literatura pulp, chegando inclusive a lhe dedicar um filme (Pulp Fiction). Este tipo de literatura possui algumas características próprias e influenciou muita coisa na cultura americana, diria, inclusive, que constitui a raiz de uma espécie de mitologia pop americana. O pulp é uma espécie de literatura de cordel americana, ou seja, são histórias contadas em linguagem acessível e impressas da maneira mais barata possível. Tanto o pulp quanto o cordel adquiriram suas nomenclaturas a partir de características de confecção. O cordel adquiriu este nome por conta das páginas impressas serem colocadas para secarem em cordas estendidas, e o pulp por conta das páginas utilizadas serem confeccionadas da polpa (pulp) das árvores. Basicamente a literatura pulp consistia em contar histórias curtas com muita ação e mistério, criando personagens com capacidades fora do comum, e cuja origem em muitos casos era rodeada de segredos. Sempre que possível o desenrolar da história deveria ser resolvido no episódio seguinte, levando o leitor a adquirir a próxima edição. O público alvo desse tipo de literatura eram trabalhadores com baixa renda, os quais, evidentemente, não poderiam pagar muito por um exemplar e também não possuíam muito tempo ocioso para a leitura. Isso faz com que as características básicas da literatura pulp sejam a confecção barata, o diálogo rápido e sem se perder muito em divagações, a linguagem fácil e acessível ao grande público, a presença de pessoas com capacidades extraordinárias, e em alguns casos as histórias seqüenciadas. Percebemos o desenrolar da cultura pulp nos romances policiais, nas HQs (que mais tarde influenciaram significativamente a Pop Art), nos super-heróis, no filme de ação e no bang-bang. Isso lembra alguma coisa? Lembra Kill Bill.

(i)

O primeiro ponto a respeito do qual gostaria de comentar refere-se à presença constante de referências constantes às grandes marcas comerciais no filme de Tarantino, tais como o tênis Puma, a espada Hatori Hanzo, ou as motos de não sei que espécie, e outras referências que constantemente aparecem em seus filmes. Aqui Tarantino se utiliza de uma técnica cara à Pop Art, qual seja, a utilização de ícones do mass-media como matéria prima a ser transformada em linguagem artística. Um bom exemplo disso são duas obras de Caetano Veloso, Superbacana e Alegria, alegria, ambas com ampla referência a ícones do mass-media e, apesar disso, poéticas. Caetano conhecia e era um adorador do trabalho de Andy Warhol (pai da Pop Art), de modo que não foi casual a utilização dessa técnica em sua obra. Assim como a literatura pulp, a Pop Art pretendia atingir as massas com uma linguagem acessível. A questão é análoga à da literatura policial e da literatura de cordel no Brasil. As histórias deveriam ser construídas utilizando-se de uma linguagem acessível. A sacada da Pop Art foi se utilizar de ícones que estavam presentes na mídia (sejam eles comerciais ou não). Isso não constitui uma apologia ao consumo. Quando Caetano compôs Alegria, alegria e inseriu pela primeira vez a coca-cola na letra de uma canção brasileira ele não estava fazendo apologia à coca-cola. Somente um pseudo revolucionário cego (e burro) poderia enxergar nessa alusão uma apologia ao consumo. Trata-se somente de utilizar uma referência conhecida de todos. A coca-cola, aí, é ressiginificada e aparece como uma alusão à falta de preocupação e à descontração (“eu tomo uma coca-cola / ela pensa em casamento”). O que Tarantino faz não é muito diferente disso. Tarantino se utiliza de grandes marcas precisamente porque essas são conhecidas do grande público, e a universalidade sempre foi uma das características da arte. Os artistas que se prezam pretendem compartilhar um sentimento através de sua obra e não apenas satisfazer o próprio ego ou o ego de seu papai que queria ter um filho artista. Daí porque não somente Tarantino, mas todos os artistas oriundos da Pop Art (que não é equivalente de arte comercial ou de arte pré-fabricada), se utilizam de ícones do mass-media em suas obras, ícones que justamente por serem conhecidos do grande público tornam a obra mais acessível. Os ícones do mass-media, aqui, são a matéria prima a ser transformada em linguagem artística. Tal qual a coca-cola na música de Caetano, esses ícones expressam outra coisa além de si mesmo, e penso que não é diferente com Tarantino. É claro que a novela da Globo, o filme da Globo – e o de Hollywood também – fazem constantes referências a marcas comerciais, com a única diferença de que a referência é feita de maneira completamente descarada e sem nenhum nexo com o restante da obra, e além disso não é atribuído um novo significado à marca. Por essas razões considero que não dá pra chamar a obra de Tarantino de comercial e pré-fabricada. Utilizar-se de referências comerciais como matéria para a linguagem artística não é o mesmo que fazer um filme comercial e inartístico. Há uma diferença sutil e determinante quando falamos de uma marca conhecida para através dela dizermos outra coisa (como na música de Caetano) e quando utilizamos dela para fazer propaganda (como uma citação forçada das marcas nas novelas da Globo). No primeiro caso novos significados são criados, no segundo não ocorre senão a redundância daquilo que seria desnecessário dizer.

(ii)

O outro ponto que gostaria de abordar é com relação aos filmes orientais classe B, aos quais Tarantino remete em Kill Bill. O diretor se utiliza em grande parte dos fiascos deste cinema, como o sangue esguichando do pescoço decepado, o sorriso do mestre não sei o quê, a luta de uma única pessoa contra um exército, a utilização explícita do cenário de papelão ao fundo, a interpretação forçada, etc. etc. etc. O mérito de Tarantino é estilizar os erros do cinema classe B. Explico: estes diretores procuravam reproduzir Hollywood e não conseguiam, e suas falhas não eram obtidas intencionalmente, mas por incompetência ou falta de recursos mesmo; ao contrário, Tarantino parte destas falhas por princípio.

Tarantino coloca em evidência precisamente os pontos em que o cinema classe B foge à Hollywood, isto é, os seus erros. Dito de outra maneira, Tarantino ressalta precisamente a incapacidade do cinema oriental reproduzir Hollywood, e nisto revela a potência crítica contida neste. Tal qual uma alma nobre não consegue reproduzir os hábitos de uma alma vil sem se tornar ridícula, assim também o cinema oriental não consegue reproduzir os “efeitos especiais” do cinema Hollywoodiano. Mas o principal fato em questão é que a aparência tosca e mal acabada é característica própria do gênero pulp. Não é de se estranhar se um diretor de cinema aficcionado por literatura pulp estilizasse a parte “tosca” do cinema B oriental. O exagero também é uma das características mais marcantes da literatura pulp e dos quadrinhos, cujos heróis são seres com capacidades fora do comum (alguma semelhança com os heróis do bang bang?). Aliás, o exagerado e o hiperbólico é comum à toda arte vigorosa, principalmente quando esta se encontra mais crua e em seus primórdios. Quando digo “hiperbólico” estou me referindo à ampliação de determinados caracteres da realidade em um todo harmônico, e não ao melodramático ou ao megalomaníaco simplesmente. Vejam-se as grandes epopéias, tragédias e comédias, todas elas se valem de um sentido hiperbólico de determinados caracteres da realidade. Veja-se a ênfase de Homero colocada sobre os atos mais triviais de seus heróis, cada atar de sandálias de Telêmaco é enunciado como se fosse colocado um zoom sobre os pés do personagem, gerando a sensação de grandiosidade do mesmo. Evidentemente, Tarantino não é Homero, mas a questão é análoga. A vingança da noiva em Kill Bill não é senão uma explosão da violência vista sobre a ótica desse hiperbolismo, somente que a ênfase é dada sobre o sentimento da violência e não sobre o personagem. A luta contra os Oitenta Loucos não é senão um dos aspectos desse hiperbolismo. Tarantino capta algo que está presente de forma germinal e mal-acabada nos filmes B e lhes confere uma forma própria, precisamente porque se desliga da maneira pseudo-realista com a qual os filmes de Hollywood pretendem garantir a sua veracidade. A veracidade da arte é obtida mediante a unicidade e a harmonia da composição, e não por verossimilhança com a realidade. Os “efeitos especiais” de Hollywood não são senão a prova desse pseudo-realismo e o atestado de incompetência hollywoodiano em lidar com a hipérbole e a metáfora, tais efeitos estão para o cinema assim como o deus ex machine estava para o teatro grego: uma inovação técnica que muitas vezes esconde uma incapacidade poética. Em alguns casos, o cinema classe B oriental sabe lidar com esse hiperbolismo melhor que Hollywood. O problema com esse tipo de cinema é justamente tentar ser uma cópia de Hollywood sem possuir os mesmos recursos financeiros e, principalmente, negligenciando a sua potência própria e sua idiossincrasia em relação à Hollywood. Idiossincrasia esta que foi percebida por Tarantino, o qual lhe conferiu um modo de expressão adequado. Daí porque Kill Bill possui uma plasticidade e uma potência imagética que não reproduz as cenas típicas de Hollywood, mas que também não ocorre nos filmes classe B.

Se por um lado Kill Bill não pode ser igualado aos filmes de Hollywood, por outro lado, também não pode ser igualado aos filmes classe B. A diferença entre o cinema B e Tarantino, se dá porque no primeiro estes erros são falhas em relação à Hollywood, e no segundo porque estes erros são obtidos intencionalmente. Daí poder apontar uma diferença, em princípio, entre eles. Em Kill Bill, é como se o cinema classe B tomasse consciência de sua própria capacidade e de sua irredutibilidade em relação à Hollywood. Por quê as cenas de Kill Bill nos agradam? Não seria porque elas estão estilizadas? Ou porquê o autor utilizou os erros do cinema B como princípio, e por isso pôde estiliza-las? Não seria este o fato que nos faz admirar Kill Bill, e não admirar as obras que Kill Bill supostamente imita? E não se dirá que Tarantino está reproduzindo Hollywood, precisamente porque sua obra estiliza aquilo que não se encaixa na regra hollywoodiana, porque esta obra busca pela incapacidade de recriar os efeitos especiais de Hollywood. Algumas cenas extremamente clichês às quais torceríamos o nariz constituem precisamente um dos méritos de Kill Bill. E, diga-se de passagem, o mérito do filme de Tarantino justamente não é o “efeito especial”. Como já foi dito no primeiro texto, o diretor conseguiu com grande mérito entrelaçar coisas distintas como a estética pop, as histórias de samurai e máfia japonesa, os HQs e seus heróis e o bang bang. Tudo isso num roteiro coeso e com cenas, diálogos, músicas e fotografia harmônicas. Fazer coabitar coisas tão distintas como estas num todo harmônico, por si só, já basta para elogiar Kill Bill. Como ele pôde conseguir isso? Utilizando justamente a literatura pulp, a qual, como já foi dito, constitui um ponto de encontro entre todas essas vertentes. O filme não é um mero recorte de outros filmes à la “Todo mundo em pânico” precisamente por conta da unidade, coesão e harmonia nele encontradas, o que não ocorre em “Todo mundo em pânico”, e nem mesmo na maioria das obras de Hollywood, cuja fraqueza das cenas e excesso de elementos superficiais à trama é gritante. O estilo de Tarantino é pulp-fiction: a literatura violenta, com diálogos curtos, rápidos, de inteligência sagaz, com poucos elementos e, sobretudo, com uma trama bem amarrada; heróis com suas lendas e histórias acerca de seu nascimento, com suas presenças misteriosas também são elementos de influência marcadamente pulp. Até mesmo a remissão da solução do enredo para um segundo volume é algo comum na literatura pulp. O que Tarantino faz é vestir o cinema B com roupas adequadas, o que até então não havia sido feito por conta da tendência em reproduzir Hollywood. Tarantino traz à tona a literatura pulp em seu caráter mais cru, sem divagações teóricas, e conferindo vida aos clichês e lugares comuns da literatura pulp. Algo bastante diferente do cinema monótono, requentado, a-poético, confeitado, pseudo-realista e enfeitado de Hollywood, um cinema cujo uso de “efeitos especiais” e incapacidade de se desvencilhar do realismo revela a sua incapacidade em se afirmar enquanto arte.

Abraços desse anti-herói dos quadrinhos, aqui travestido em comentador de arte: o Coringa


[1] Trocadilho extraído da Desciclopédia.