quinta-feira, 17 de junho de 2010

1º ENCONTRO DE ARTE-EDUCAÇÃO DE OURO PRETO

O Born To Lose tem como uma de suas metas divulgar a produção cultural pontenovense e discutir os caminhos que a arte está tomando em nossa Ponte Nova. Emerson de Paula, diretor, ator e agora Professor do Departamento de artes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) sem dúvida é um dos nomes mais importantes da cena artística e cultural de Ponte Nova.
O trabalho de Emerson em evidência em Ponte Nova começa a se destacar também em Ouro Preto, o artista faz parte da organização do 1º ENCONTRO DE ARTE-EDUCAÇÃO DE OURO PRETO. Abaixo segue a programação deste evento e as informações necessárias para inscrição.


1º ENCONTRO DE ARTE-EDUCAÇÃO DE OURO PRETO

13 e 14 de Julho de 2010

Universidade Federal de Ouro Preto

Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil

ABRAços Artísticos – Educacionais

1 Apresentação

O Departamento de Artes da Universidade Federal de Ouro Preto, o Núcleo ABRA de Ouro
Preto e a Curadoria de Artes Cênicas do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum
das Artes 2010 realizam em parceria o 1º Encontro de Arte-educação de Ouro Preto. O evento
tem o objetivo de discutir e analisar práticas da Arte-educação no ensino formal, não-formal e
informal, através de palestras, debates e comunicações. Constitui-se como mais um lugar do
fazer científico, onde pesquisadores possam apresentar seus trabalhos e trocar experiências
sobre o desenvolvimento da Arte-educação no Brasil.

2 Programação

Dia 13/07

8h - Recepção e Credenciamento.

9h - Abertura e Apresentação do IDEA 2010.

9h30 – Palestra - Dança e Escola – Realidades Brasileiras com Michelle Gabrielli –
Professora do Curso de Graduação em Dança da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG),
Mestranda em Letras na área de Estudos Literários pela UFV, bacharela e licenciada em
Dança pela mesma instituição. Bailarina, atriz e arte-educadora.

10h30 – Debate.

11h às 13h30 – Almoço.

13h30 - Apresentação dos inscritos no grupo temático DANÇA, CORPO E CULTURA.

14h30: Debate.

15 h: Encerramento.

Dia 14/07

9h – Palestra - Perspectivas do Ensino de Teatro na Espanha com Mariano Gracia:
Professor de Interpretação e direção cênica da Real Escuela Superior de Arte Dramática de
Madrid (RESAD), Professor de Literatura Dramática no Instituto del Teatro y de las Artes
Escénicas del Principado de Astúrias. Graduado em Laboratório Teatral "William Layton" (1986
/ 1989). Graduado pela Escuela Municipal de Teatro de Zaragoza (1980 / 1983).

10h: Debate

10h30 - Apresentação dos inscritos no grupo temático PEDAGOGIA DO TEATRO & TEATRO
E EDUCAÇÃO.

11h30 – Debate.

12h às 14h – Almoço.

14h às 15 h – Palestra - Os desafios da formação de Professores de Teatro na
Contemporaneidade com Mariana Muniz - Atriz, diretora e professora da Pós-graduação em
Artes e do Curso de Graduação em Teatro da EBA/UFMG. Doutora em História, Teoria e
Prática do Teatro pela Universidad de Alcalá (Espanha). Formada em Interpretação Gestual -
Real Escuela Superior de Arte Dramática de Madrid (2005). Licenciada em Língua Portuguesa
pela Universidade Federal de Minas Gerais (2000). Líder do grupo de pesquisa do CNPq -
Núcleo Transdisciplinar de pesquisa em Artes Cênicas - NACE. Tem experiência na área do
Teatro, atuando principalmente nos seguintes temas: improvisação, licenciatura e teatro
contemporâneo. É diretora dos seguintes espetáculos de improvisação em repertório: Match de
Improvisação e Sobre Nós. É curadora do Festival de Inverno da UFMG desde 2006.
Coordenadora geral e curadora do FIMPRO - Festival Internacional de Improvisação Teatral.

15h - Debate

15h30 - Palestra – Performance e direitos Humanos: Experiências com presidiários em
Londres com Christina Gontijo Fornaciari: Doutoranda em Artes Cênicas pela UFBA -
Universidade Federal da Bahia. Mestra em Performance pela Queen Mary, University of
London (2005), com revalidação pela USP (2009) na linha de pesquisa Prática e Teoria Teatral.
Pós-graduada em Gestão Cultural pelo Instituto Struzzo (Itália-Brasil, 2008). Graduada em
Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos (2002). Graduada no Curso de Formação de
Atores do Teatro Universitário da UFMG (2000). Atualmente é professora substituta no curso
de Licenciatura em Artes Cênicas na UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto. Tem
experiência na área de Artes, com ênfase em Performance, Teatro Fisico e Dança.

16:30 às 17 h: Debate

17 h: Encerramento

3 Como inscrever seu trabalho nos grupos temáticos

• Preencher formulário de inscrição disponível no site do Festival de Inverno de Ouro
Preto e Mariana – Fórum das Artes 2010 – www.festivaldeinverno.ufop.br .

• Enviar resumo (no máximo 10 linhas):
Colocar antecedendo o resumo: Autor, título do trabalho, titulação, filiação institucional, vínculo
com a instituição (graduado; pós - graduando; pesquisador; pesquisador autônomo, docente).
Caso não haja vínculo institucional indicar: graduado por: (instituição), mestre por: (instituição)
e assim por diante. Máximo de 10 linhas, fonte Times New Roman, tamanho 12, espaço 1,5.
OBS: No caso de ser comunicação com apresentação de trabalho prático enviar com o resumo
um vídeo do trabalho.

Envie os formulários acompanhados de resumo (até 10 linhas) e um resumo ampliado para
análise da comissão dos GT’S. Formatação do texto integral: máximo de 10 laudas, fonte
Times New Roman, tamanho 12, espaço 1,5; papel A4, margens: superior 2,5cm; inferior
2,5cm; direita 3cm; esquerda 3cm, gravado em Word; contendo, Autor, Título e Filiação
Institucional. O texto integral é importante para possibilitar avaliação mais adequada pelos
coordenadores. Será entregue a cada participante ao final do encontro um CD ROM (Anais).
As inscrições de trabalhos podem ser feitas pelo e-mail cenicascuradoria@yahoo.com.br ou
entregue diretamente no DEART – DEPARTAMENTO DE ARTES – UNIVERSIDADE
FEDERAL DE OURO PRETO – CAMPUS UNIVERSITÁRIO – MORRO DO CRUZEIRO – 31-
3559-1731. Se a inscrição for feita na sede é necessário que o material impresso seja
acompanhado de CD com texto integral para publicação nos anais.

Os coordenadores dos GT’s receberão os resumos das comunicações e farão seleção das
propostas aceitas, enviando as cartas de aceite aos trabalhos aprovados e organizarão as
respectivas sessões de comunicação. Prevê-se a realização de dois GT’s, com apresentação
de cinco trabalhos.

3.1 GT 1 - Dança, corpo e cultura

Este GT tem como perspectiva abordar a dança como o pensamento do corpo. Pretende-se
também, abordar processos que investiguem a idéia de o homem ser uma corporeidade. Para
tanto terá como foco de diálogo e discussão a relação que cada um tem com seu corpo próprio
e como esse interfere nas extensões do seu viver. Os comportamentos e práticas
espetaculares humanos organizados, a diversidade e pluralidade cultural, o corpo na
educação.

3.2 GT2 - Pedagogia do teatro & Teatro e educação
Este GT tem como perspectiva abordar as práticas teatrais na diversidade de formações que o
teatro contemporâneo pode engendrar. Incluem-se neste GT os estudos teórico-práticos dos
contextos, das culturas, dos discursos e das linguagens artísticas e artístico-educacionais que
têm como centro o espetáculo, a oficina, a experimentação e as diferentes situações
pedagógicas que daí emergem. Assim, é objeto de pesquisa deste GT processos e práticas de
educadores, educandos, artistas e espectadores nos diferentes espaços de educação - formal,
informal e não-formal, assim como, reflexões produzidas em diferentes perspectivas teóricas e
metodológicas relacionadas a esses processos.

4 Prazos

Inscrição para participante como ouvinte: 10/06 A 13/07
Inscrições para apresentação nos grupos temáticos: 10/06 A 27/06
Confirmação de participação no GT (por e-mail): 05/07

5 Realização

Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum das Artes 2010/Curadoria de Artes
Cênicas

Núcleo ABRA de Ouro Preto
Departamento de Artes - UFOP

6 Coordenação Geral

Emerson de Paula (DEART - UFOP), Flaviano Souza e Silva e Osmar Vânio.

7 Comissão científica

Prof. Me. Acevesmoreno Flores Piegaz – DEART - UFOP
Prof. Me. Davi de Oliveira Pinto – DEART - UFOP
Profa. Me. Nicaulis Costa Conserva – DEART - UFOP
Prof. Dr. Ricardo Gomes – DEART - UFOP

domingo, 6 de junho de 2010

Carta pro meu Vô.






















O senhor já se perguntou o que significa viver? Eu me coloco essa questão sempre; não porque faltem respostas; respostas encontramos em cada esquina. A grande questão não é essa, mas porque sinto a necessidade de coloca-la a mim mesmo. “Pensar é estar doente dos olhos.”, a síntese do velho Caiero me atormenta! Estou doente vô, porque não consigo deixar de pensar no que significa viver. O que cativa no senhor, é justamente o vigor que vejo em sua alma. Sentir o senhor me traz a paz do silêncio, pois sinto a presença de uma vida serena, que não precisa de pensamentos e explicações, mas que está imersa no próprio viver. Ainda consigo ver o cinza daqueles domingos que não pude ir à roça! E jamais deixei de sentir a sensação daqueles dias de terra, verde e intensa atividade que a roça me deu! Era um tempo em que viver era o bastante para se estar feliz! Não me preocupar com os dias era tê-los; era passar por eles tão leve quanto a brisa das manhas de inverno! Ah! Vô, o senhor sabe do que falo né! O senhor é a própria brisa, que o intenso vento dos anos sopra cada vê mais alto. Não tenho respostas vô, na verdade, inconscientemente acho que nem as quero. Tenho algo melhor que respostas, o senhor, a própria vivência que possui mais força que qualquer resposta! Ainda serei brisa vô, pode crer!

sábado, 5 de junho de 2010

Pat Metheney - Orchestrion

Esta postagem visa compartilhar com os leitores de Born To Lose uma descoberta ocorrida ao acaso, o lançamento do novo álbum do jazz guittar Pat Metheny batizado de Orchestrion. O modo como as músicas foram gravadas é no mínimo assustador! Entendam porque lendo o texto abaixo de autoria de Rafael Sartori e extraído do blog Território da Música.

Que Pat Metheny é um dos músicos mais criativos e talentosos em atividade, todo mundo sabe. Não é segredo também o seu interesse por modernidades como samplers, sintetizadores e sequenciadores. Mas “Orchestrion”, o novo álbum, leva tudo isso para um patamar que beira o inacreditável.

Acontece que o guitarrista toca acompanhado por nada menos do que uma banda de robôs, por assim dizer. Um aparato tecnológico desenvolvido em parceria com a Electronic Musical Urban Robots registra as notas que Matheny toca, assim como a intensidade e duração de cada uma delas. A partir daí, os dados são distribuídos para instrumentos como baixo, piano, percussão e bateria, que fazem suas partes sozinhos. Veja o vídeo abaixo para entender melhor!

De nada adiantaria, contudo, criar um projeto tão audacioso se a qualidade musical não fosse boa. Quanto a isso o ouvinte pode ficar tranquilo, pois raramente Pat Metheny decepciona. O repertório traz cinco longas faixas de um jazz calmo, intimista e cheio de climas. Embora o grande destaque seja a forma de como o disco foi feito e não as músicas em si, não dá para reclamar das belíssimas melodias e passagens que encontramos ao longo da faixa-título, em “Soul Search” e “Spirit of the Air”, por exemplo.

Como estava experimentando seu novo brinquedinho, Pat Metheny não se arriscou muito em “Orchestrion”, permanecendo em sua zona de conforto e sem exigir muito de seus novos “companheiros”. Se ele levar a idéia adiante, porém, não haverá limites para o guitarrista.


Relato de uma morte que vive

















Hoje caminha. Assim como ontem, assim como amanhã. Dias úmidos ou quentes, ruas claras ou escuras, não importa; seus olhos olham, mas não vêem. Respira o ar, mas não o sente; beija os lábios da mulher e sua pulsação continua estável. Os traços de seu rosto são os mesmos sempre. Não sabe se teve dias ou se está preso ao mesmo dia, que se repete eternamente.

Em sua direção, na direção oposta, do lado esquerdo, do lado direito, sobre sua cabeça, abaixo de seus pés: corpos. Corpos de carne, corpos de metal, corpos de vidro, corpos de terra, corpos de aço, corpos de madeira. Até corpos sem corpos.

Suor saindo de seus poros escorrega pela superfície do seu rosto. Caem ao chão ou sobre os braços da mulher. Existem flores e nas flores existe o amarelo, o verde, o vermelho, o azul e o preto. Ainda existe vida deste lado! Entretanto, seus olhos não piscam, estão presos a imagens fixas, sentimentos diamantes, que imploram pelo cinza de todas as cinzas. A isso chama vida.

Acredita viver. Diante de seus olhos o fardo, o peso, a medida, uma tonelada. Acredita em ganhar e perder, morrer e viver, cagar e mijar, ser bom ou mal (acho que até mesmo acredita em ser bom e mal). Ainda não conseguiu chorar, só consegue rir. Concebe as coisas dentro de uma escala evolutiva: do mal ao bom, do errado ao certo, do triste ao feliz, do doentio ao saudável, da escravidão à liberdade, do amor ao ódio. Outras vezes as concebe dentro de uma escala hierárquica: primeiro o bom e depois o mal, primeiro o certo e depois o errado, primeiro a felicidade e depois a tristeza, primeiro a saúde e depois a doença, primeiro a liberdade e depois a escravidão, primeiro o amor e depois o ódio. Por enquanto não odiou, não amou, não sofreu, não escolheu, não desejou.

Certa vez contaram-lhe que a chama é quente e queima a ponta dos dedos. Disseram-lhe que há flores nos jardins e que nelas podemos aspirar fragrâncias diversas. Até hoje não colocou a mão na chama, muito menos se abaixou para respirar o perfume dos jardins.

Nunca o julgaram louco. Na verdade, alguns o chamaram de mestre, outros de experiente; mas inconseqüente, desmedido ou aprendiz, isso nunca.

O pior é que nada disso ele sabe. Pensa estar acordado em seu sono profundo. Nada disso se quer relampejou em seu espírito. São seus olhos que contam esse sentimento ou vivemos num palácio de espelhos?

domingo, 30 de maio de 2010

Conheça Marcos Bagno























te post visa divulgar o trabalho do Professor Marcos Bagno, o texto abaixo foi extraido da pagina pessoal do Professor. Acessem o site, é só clicar no link abaixo:




Marcos Bagno nasceu em Cataguases (MG), mas sempre viveu fora de seu estado de origem. Depois de ter vivido em Salvador, no Rio de Janeiro, em Brasília e no Recife, transferiu-se em 1994 para a capital de São Paulo, onde viveu até 2002, quando se tornou professor do Instituto de Letras da Universidade de Brasília (UnB),

tendo atuado no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas até 2009, ano em que se transferiu para o Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução.

Como escritor, Bagno iniciou sua carreira em 1988 ao receber o IV Prêmio Bienal Nestlé de Literatura pelo livro de contos A Invenção das Horas, publicado pela Editora Scipione.

Vieram em seguida outros livros, a maioria deles dedicados ao público infanto-juvenil. Sua produção literária soma no momento quase 30 títulos. Outros prêmios importantes: "João de Barro" (literatura infantil, 1988), "Cidade do Recife" (poesia, 1988), "Cidade de Belo Horizonte" (contos, 1988), "Estado do Paraná" (contos, 1989) e "Carlos Drummond de Andrade" (poesia, 1989). Alguns de seus livros receberam da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil a classificação de "Altamente Recomendável". Desde 1997, tem se dedicado à produção de obras voltadas para a educação, como Pesquisa na escola: o que é, como se faz (Ed. Loyola), Machado de Assis para principiantes (Ed. Ática), O processo de independência do Brasil (Ed. Ática). Suas obras no campo da linguística se concentram principalmente nas questões relativas à crítica do ensino da língua portuguesa nos moldes tradicionais, baseados exclusivamente nas noções pouco consistentes da gramática normativa e impregnados de preconceitos sociais. Seu primeiro trabalho nessa linha foi A língua de Eulália (novela sociolinguística), publicado pela Ed. Contexto em 1997 e desde então constantemente reeditado.

Paralelamente, Bagno vem trabalhando como tradutor para algumas das principais editoras do país, e já traduziu mais de 50 livros do inglês, do francês, do espanhol e do italiano. Como intérprete simultâneo de conferências, soma mais de 1.000 horas de cabine em eventos nacionais e internacionais.

No campo da investigação científica e acadêmica, Bagno sempre se interessou pelo que diz respeito à linguagem humana em todas as suas manifestações. Se graduou em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde também obteve o título de Mestre em Linguística com uma investigação sociolinguística sobre o tratamento da variação nos livros didáticos de português. Obteve o título de Doutor em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) com uma tese sobre as discrepâncias entre a língua realmente utilizada pelos brasileiros e a norma-padrão conservadora, veiculada pelas gramáticas tradicionais, pelos livros didáticos e pela mídia, que se baseiam em doutrinas ultrapassadas e não refletem a realidade da língua viva. A tese, orientada pelo Prof. Ataliba de Castilho e co-orientada pela Profa. Marta Scherre, foi publicada em agosto de 2000 pela Ed. Loyola com o título Dramática da língua portuguesa (atualmente em 3a. edição).

A militância de Bagno contra toda forma de exclusão social pela linguagem se tornou mais conhecida depois da publicação do livro Preconceito linguístico: o que é, como se faz (Ed. Loyola) que, desde seu lançamento, em 1999, vem sendo reeditado de modo ininterrupto e constante, com uma edição nova a cada mês. Já perto de atingir sua 50ª edição, o livro é amplamente utilizado nos cursos de Letras e Pedagogia de todo o Brasil.

Graças a esta militância em favor do reconhecimento da riqueza e do valor das múltiplas variedades linguísticas que compõem o universo da língua portuguesa do Brasil, Bagno vem sendo convidado a ministrar cursos, palestras e conferências nas mais diversas regiões do país. Em 2004, foi coordenador-adjunto da avaliação dos livros didáticos de português para o ensino médio (PNLEM), processo executado pelo Ministério da Educação. No mesmo ano, a convite do Ministério das Relações Exteriores, esteve na Argentina, no Paraguai e no Uruguai para discutir questões relativas ao ensino do português brasileiro para estrangeiros. Atuou em mais dois processos de avaliação de material didático para o Ministério da Educação: o PNLD-Dicionários (2005) e o PNLD-2008 (5ª a 8ª séries). A convite da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha), ministrou curso sobre a realidade sociolinguística brasileira no verão europeu de 2005.

Em 2001, publicou o livro Português ou brasileiro? Um convite à pesquisa (Parábola Editorial), que propõe uma metodologia para a introdução da prática da pesquisa em sala de aula como ferramenta pedagógica para substituir a prática tradicional das "aulas de gramática". Organizou os volumes Norma linguística (2001) e Linguística da norma (2002) (ambos pelas Ed. Loyola) e Língua materna: letramento, variação & ensino (Parábola, 2002). Traduziu História concisa da linguística de Barbara Weedwood (Parábola, 2002) e Para entender a linguística de Robert Martin (Parábola, 2003). Retomando seu trabalho de ficcionista, Bagno escreveu O espelho dos nomes (Ática, 2002), uma aventura pelo reino fascinante da linguagem, dedicada ao público infantil e juvenil. Em 2005, publicou mais três livros dedicados ao público infanto-juvenil: Murucututu: a coruja grande da noite (Ática), Uma vida de conto de fadas: a história de Hans Christian Andersen (Ática) e A Lenda do Muri-Keko (Ed. SM).

Em 2003 publicou o livro A norma oculta: língua & poder na sociedade brasileira (Parábola Editorial), em que retoma a discussão sobre o preconceito linguístico a partir da reação da imprensa brasileira à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República. Discute os problemas que envolvem a expressão "norma culta" e propõe novos termos e conceitos para uma análise mais precisa da realidade sociolinguística do Brasil. Examina as relações entre língua e poder na sociedade brasileira, numa perspectiva histórica, desde o período colonial até os dias de hoje.

No início de 2007 a Parábola Editorial lançou Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. Neste novo livro, Bagno analisa os problemas existentes nas abordagens que livros didáticos e materiais de formação docente vêm dando à variação linguística, problemas decorrentes da falta de bons fundamentos teóricos para o tratamento do tema. O livro traz os principais conceitos da sociolinguística, propõe um roteiro para a análise crítica dos materiais didáticos, oferece atividades práticas para o tratamento da variação e da mudança em sala de aula e, por fim, leva o leitor a refletir sobre os conceitos abordados por meio de exercícios.

sábado, 20 de março de 2010

Em defesa de Kill Bill (parte 2): O PULP AINDA POLPA...

O Born To Lose tem muitos blogs parceiros, dentre eles O Coringa. O texto que traz esta nova postagem é referente a uma discussão iniciada alguns anos atras sobre o filme de Quentin Tarantino Kill Bill. Para quem não acompanhou a discussão aqui pelo blog, pode procurar a postagem da primeira parte da discussão em nossos arquivos.
Fiquem com a contribuiçao do Coringa, tirem suas próprias conclusões e participem desta discussão.

Recomendamos aos nossos leitores que acessem o blog O Coringa e conheçam as posições desta figura misteriosa sobre o mundo do cinema e da arte. O link é: http://cartasdocoringa.blogspot.com



Contribuição do Coringa ao amigo mineiro…

Uai sô, sério?

(Why so serious?)[1]

Este texto chega com um pouco de atraso, e compõe a segunda parte da defesa de Kill Bill. Foi-me solicitado já há algum tempo e há quase um ano estou enrolando para escrevê-lo. O texto aqui presente é oriundo de conversas e discussões entre amigos, nas quais as opiniões por mim expressas em muitos casos iam ao encontro e se completavam com as opiniões expressas pelo autor desse blog. Em muitas das coisas ditas por ele durante nossas conversas, via como se as minhas próprias idéias me estivessem sendo reveladas, e não me admiraria se ele dissesse o mesmo em relação às minhas opiniões. Ao finalizar o texto percebi que ambos expressam, de maneira diferente, opiniões muito próximas. O fato é que, assim como Inácio (como ele é conhecido na Bahia) não considero que Kill Bill possa ser reduzido aos filmes pré-fabricados de Hollywood. Como se sabe, Tarantino é um aficcionado pela literatura pulp, chegando inclusive a lhe dedicar um filme (Pulp Fiction). Este tipo de literatura possui algumas características próprias e influenciou muita coisa na cultura americana, diria, inclusive, que constitui a raiz de uma espécie de mitologia pop americana. O pulp é uma espécie de literatura de cordel americana, ou seja, são histórias contadas em linguagem acessível e impressas da maneira mais barata possível. Tanto o pulp quanto o cordel adquiriram suas nomenclaturas a partir de características de confecção. O cordel adquiriu este nome por conta das páginas impressas serem colocadas para secarem em cordas estendidas, e o pulp por conta das páginas utilizadas serem confeccionadas da polpa (pulp) das árvores. Basicamente a literatura pulp consistia em contar histórias curtas com muita ação e mistério, criando personagens com capacidades fora do comum, e cuja origem em muitos casos era rodeada de segredos. Sempre que possível o desenrolar da história deveria ser resolvido no episódio seguinte, levando o leitor a adquirir a próxima edição. O público alvo desse tipo de literatura eram trabalhadores com baixa renda, os quais, evidentemente, não poderiam pagar muito por um exemplar e também não possuíam muito tempo ocioso para a leitura. Isso faz com que as características básicas da literatura pulp sejam a confecção barata, o diálogo rápido e sem se perder muito em divagações, a linguagem fácil e acessível ao grande público, a presença de pessoas com capacidades extraordinárias, e em alguns casos as histórias seqüenciadas. Percebemos o desenrolar da cultura pulp nos romances policiais, nas HQs (que mais tarde influenciaram significativamente a Pop Art), nos super-heróis, no filme de ação e no bang-bang. Isso lembra alguma coisa? Lembra Kill Bill.

(i)

O primeiro ponto a respeito do qual gostaria de comentar refere-se à presença constante de referências constantes às grandes marcas comerciais no filme de Tarantino, tais como o tênis Puma, a espada Hatori Hanzo, ou as motos de não sei que espécie, e outras referências que constantemente aparecem em seus filmes. Aqui Tarantino se utiliza de uma técnica cara à Pop Art, qual seja, a utilização de ícones do mass-media como matéria prima a ser transformada em linguagem artística. Um bom exemplo disso são duas obras de Caetano Veloso, Superbacana e Alegria, alegria, ambas com ampla referência a ícones do mass-media e, apesar disso, poéticas. Caetano conhecia e era um adorador do trabalho de Andy Warhol (pai da Pop Art), de modo que não foi casual a utilização dessa técnica em sua obra. Assim como a literatura pulp, a Pop Art pretendia atingir as massas com uma linguagem acessível. A questão é análoga à da literatura policial e da literatura de cordel no Brasil. As histórias deveriam ser construídas utilizando-se de uma linguagem acessível. A sacada da Pop Art foi se utilizar de ícones que estavam presentes na mídia (sejam eles comerciais ou não). Isso não constitui uma apologia ao consumo. Quando Caetano compôs Alegria, alegria e inseriu pela primeira vez a coca-cola na letra de uma canção brasileira ele não estava fazendo apologia à coca-cola. Somente um pseudo revolucionário cego (e burro) poderia enxergar nessa alusão uma apologia ao consumo. Trata-se somente de utilizar uma referência conhecida de todos. A coca-cola, aí, é ressiginificada e aparece como uma alusão à falta de preocupação e à descontração (“eu tomo uma coca-cola / ela pensa em casamento”). O que Tarantino faz não é muito diferente disso. Tarantino se utiliza de grandes marcas precisamente porque essas são conhecidas do grande público, e a universalidade sempre foi uma das características da arte. Os artistas que se prezam pretendem compartilhar um sentimento através de sua obra e não apenas satisfazer o próprio ego ou o ego de seu papai que queria ter um filho artista. Daí porque não somente Tarantino, mas todos os artistas oriundos da Pop Art (que não é equivalente de arte comercial ou de arte pré-fabricada), se utilizam de ícones do mass-media em suas obras, ícones que justamente por serem conhecidos do grande público tornam a obra mais acessível. Os ícones do mass-media, aqui, são a matéria prima a ser transformada em linguagem artística. Tal qual a coca-cola na música de Caetano, esses ícones expressam outra coisa além de si mesmo, e penso que não é diferente com Tarantino. É claro que a novela da Globo, o filme da Globo – e o de Hollywood também – fazem constantes referências a marcas comerciais, com a única diferença de que a referência é feita de maneira completamente descarada e sem nenhum nexo com o restante da obra, e além disso não é atribuído um novo significado à marca. Por essas razões considero que não dá pra chamar a obra de Tarantino de comercial e pré-fabricada. Utilizar-se de referências comerciais como matéria para a linguagem artística não é o mesmo que fazer um filme comercial e inartístico. Há uma diferença sutil e determinante quando falamos de uma marca conhecida para através dela dizermos outra coisa (como na música de Caetano) e quando utilizamos dela para fazer propaganda (como uma citação forçada das marcas nas novelas da Globo). No primeiro caso novos significados são criados, no segundo não ocorre senão a redundância daquilo que seria desnecessário dizer.

(ii)

O outro ponto que gostaria de abordar é com relação aos filmes orientais classe B, aos quais Tarantino remete em Kill Bill. O diretor se utiliza em grande parte dos fiascos deste cinema, como o sangue esguichando do pescoço decepado, o sorriso do mestre não sei o quê, a luta de uma única pessoa contra um exército, a utilização explícita do cenário de papelão ao fundo, a interpretação forçada, etc. etc. etc. O mérito de Tarantino é estilizar os erros do cinema classe B. Explico: estes diretores procuravam reproduzir Hollywood e não conseguiam, e suas falhas não eram obtidas intencionalmente, mas por incompetência ou falta de recursos mesmo; ao contrário, Tarantino parte destas falhas por princípio.

Tarantino coloca em evidência precisamente os pontos em que o cinema classe B foge à Hollywood, isto é, os seus erros. Dito de outra maneira, Tarantino ressalta precisamente a incapacidade do cinema oriental reproduzir Hollywood, e nisto revela a potência crítica contida neste. Tal qual uma alma nobre não consegue reproduzir os hábitos de uma alma vil sem se tornar ridícula, assim também o cinema oriental não consegue reproduzir os “efeitos especiais” do cinema Hollywoodiano. Mas o principal fato em questão é que a aparência tosca e mal acabada é característica própria do gênero pulp. Não é de se estranhar se um diretor de cinema aficcionado por literatura pulp estilizasse a parte “tosca” do cinema B oriental. O exagero também é uma das características mais marcantes da literatura pulp e dos quadrinhos, cujos heróis são seres com capacidades fora do comum (alguma semelhança com os heróis do bang bang?). Aliás, o exagerado e o hiperbólico é comum à toda arte vigorosa, principalmente quando esta se encontra mais crua e em seus primórdios. Quando digo “hiperbólico” estou me referindo à ampliação de determinados caracteres da realidade em um todo harmônico, e não ao melodramático ou ao megalomaníaco simplesmente. Vejam-se as grandes epopéias, tragédias e comédias, todas elas se valem de um sentido hiperbólico de determinados caracteres da realidade. Veja-se a ênfase de Homero colocada sobre os atos mais triviais de seus heróis, cada atar de sandálias de Telêmaco é enunciado como se fosse colocado um zoom sobre os pés do personagem, gerando a sensação de grandiosidade do mesmo. Evidentemente, Tarantino não é Homero, mas a questão é análoga. A vingança da noiva em Kill Bill não é senão uma explosão da violência vista sobre a ótica desse hiperbolismo, somente que a ênfase é dada sobre o sentimento da violência e não sobre o personagem. A luta contra os Oitenta Loucos não é senão um dos aspectos desse hiperbolismo. Tarantino capta algo que está presente de forma germinal e mal-acabada nos filmes B e lhes confere uma forma própria, precisamente porque se desliga da maneira pseudo-realista com a qual os filmes de Hollywood pretendem garantir a sua veracidade. A veracidade da arte é obtida mediante a unicidade e a harmonia da composição, e não por verossimilhança com a realidade. Os “efeitos especiais” de Hollywood não são senão a prova desse pseudo-realismo e o atestado de incompetência hollywoodiano em lidar com a hipérbole e a metáfora, tais efeitos estão para o cinema assim como o deus ex machine estava para o teatro grego: uma inovação técnica que muitas vezes esconde uma incapacidade poética. Em alguns casos, o cinema classe B oriental sabe lidar com esse hiperbolismo melhor que Hollywood. O problema com esse tipo de cinema é justamente tentar ser uma cópia de Hollywood sem possuir os mesmos recursos financeiros e, principalmente, negligenciando a sua potência própria e sua idiossincrasia em relação à Hollywood. Idiossincrasia esta que foi percebida por Tarantino, o qual lhe conferiu um modo de expressão adequado. Daí porque Kill Bill possui uma plasticidade e uma potência imagética que não reproduz as cenas típicas de Hollywood, mas que também não ocorre nos filmes classe B.

Se por um lado Kill Bill não pode ser igualado aos filmes de Hollywood, por outro lado, também não pode ser igualado aos filmes classe B. A diferença entre o cinema B e Tarantino, se dá porque no primeiro estes erros são falhas em relação à Hollywood, e no segundo porque estes erros são obtidos intencionalmente. Daí poder apontar uma diferença, em princípio, entre eles. Em Kill Bill, é como se o cinema classe B tomasse consciência de sua própria capacidade e de sua irredutibilidade em relação à Hollywood. Por quê as cenas de Kill Bill nos agradam? Não seria porque elas estão estilizadas? Ou porquê o autor utilizou os erros do cinema B como princípio, e por isso pôde estiliza-las? Não seria este o fato que nos faz admirar Kill Bill, e não admirar as obras que Kill Bill supostamente imita? E não se dirá que Tarantino está reproduzindo Hollywood, precisamente porque sua obra estiliza aquilo que não se encaixa na regra hollywoodiana, porque esta obra busca pela incapacidade de recriar os efeitos especiais de Hollywood. Algumas cenas extremamente clichês às quais torceríamos o nariz constituem precisamente um dos méritos de Kill Bill. E, diga-se de passagem, o mérito do filme de Tarantino justamente não é o “efeito especial”. Como já foi dito no primeiro texto, o diretor conseguiu com grande mérito entrelaçar coisas distintas como a estética pop, as histórias de samurai e máfia japonesa, os HQs e seus heróis e o bang bang. Tudo isso num roteiro coeso e com cenas, diálogos, músicas e fotografia harmônicas. Fazer coabitar coisas tão distintas como estas num todo harmônico, por si só, já basta para elogiar Kill Bill. Como ele pôde conseguir isso? Utilizando justamente a literatura pulp, a qual, como já foi dito, constitui um ponto de encontro entre todas essas vertentes. O filme não é um mero recorte de outros filmes à la “Todo mundo em pânico” precisamente por conta da unidade, coesão e harmonia nele encontradas, o que não ocorre em “Todo mundo em pânico”, e nem mesmo na maioria das obras de Hollywood, cuja fraqueza das cenas e excesso de elementos superficiais à trama é gritante. O estilo de Tarantino é pulp-fiction: a literatura violenta, com diálogos curtos, rápidos, de inteligência sagaz, com poucos elementos e, sobretudo, com uma trama bem amarrada; heróis com suas lendas e histórias acerca de seu nascimento, com suas presenças misteriosas também são elementos de influência marcadamente pulp. Até mesmo a remissão da solução do enredo para um segundo volume é algo comum na literatura pulp. O que Tarantino faz é vestir o cinema B com roupas adequadas, o que até então não havia sido feito por conta da tendência em reproduzir Hollywood. Tarantino traz à tona a literatura pulp em seu caráter mais cru, sem divagações teóricas, e conferindo vida aos clichês e lugares comuns da literatura pulp. Algo bastante diferente do cinema monótono, requentado, a-poético, confeitado, pseudo-realista e enfeitado de Hollywood, um cinema cujo uso de “efeitos especiais” e incapacidade de se desvencilhar do realismo revela a sua incapacidade em se afirmar enquanto arte.

Abraços desse anti-herói dos quadrinhos, aqui travestido em comentador de arte: o Coringa


[1] Trocadilho extraído da Desciclopédia.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Palco do Rock, uma alternativa para o seu carnaval.

O carnaval de Salvador é mundialmente conhecido graças ao trio elétrico, que aliás completa 60 anos em 2010, pelos abadas, blocos fechados, pelo axé, pelo pagode, pelos camarotes e blocos badalados e seus preços astronomicos, pelos Filhos de Gandhi, pela beleza negra dos blocos afros, bom esse eu não sei se fazem tanto a fama do carnaval de salvador assim; isso porque os organizadores da festa sempre colocam estes bolocos pra disfilar la pelas tantas da madrugada, sem falar que as emissoras de tv não estão nem um pouco interessadas em mostrar esse tipo de manifestação cultural que tão bem representa o povo baiano, preferem ficar atras das grandes estrelas do axé, como o já decadente Bel Marques do Chiclete com Banana, Ivete Sangalo, Claudia Leite e por ai vai.

Na verdade a intenção desta postagem é mostrar um outro lado do carnaval de Salvador, sem axé, sem pagode, sem cordas separando os que podem pagar pra brincar com segurança dentro dos blocos e os que tem que se contentar em permanecer fora das cordas expremidos entre os tapumes dos camarotes e predios e a corda, à merce da violência dos pit boys que malham o ano todo só para procurar vítimas nos circuitos do carnaval para descarregar toda sua agressividade reprimida. Estou falando do Palco do Rock, maior festival de rock baiano que acontece todos os anos durante o carnaval. Este ano o Palco do Rock completou 16 anos e trouxe grandes atraçôes como o Coléra, Korzus, Agrotoxico dentre outras. E o melhor de tudo é que este carnaval não custa nada, é totalmente free.
O festival acontece na Praia de Piatã e oferece uma programação que leva o "folião" à uma maratona de shows e diversão. O melhor de tudo é que esta parte da cidade não é contemplada com o odor de urina misturado com cerveja tao caracteristicos dos circuitos oficiais o Barra-Ondina e o Campo Grande. É isso meus caros amigos, vocês que nunca vieram à Salvador curtir o carnaval, saibam que Salvador durante este periodo fede à mijo misturado com cerveja. Isso já é muito trash né, então sugiro que façam um carnaval alternativo, com muito rock´n roll, já que todos no Brazil conhecem um pouco do carnaval de Salvador, já que organizadores de festa em todas as regiões do país importaram o padrão da festa soteropolitana, sei bem que no meu estado Minas Gerais tem em Viçosa o Nicoloco http://www.nicoloco.com.br acessem esse link e vejam que até o site é bastante parecido com a publicidade que rola aqui no carnaval de Salvador, em BH tem ou tinha não sei o Carnabelô e parece que até o carnaval de Ouro Preto vai tomando os mesmos contornos, já tem venda de abada e bloco fechado por lá. Os carnavais Brazil afora vão perdendo as suas particularidades regionais e estão passando cada vez mais a adotar o modelo baiano, isso é perigoso, pois muito vai se perdendo através desta padronização. Assim, digo sem problemas, que pula-se carnaval baiano em todos o Brasil, não venham à Salvador para isso, pois o que vocês vem procurar por aqui já pode ser encontrado nas melhores casas do ramo por todo o Brasil, do Iapoque ao Chuí.

Abaixo segue a programação 2010 do Palco do Rock, para vocês terem uma idéia do que é o festival. O link oficial do festival é http://www.bahiarock.com.br/ino-mainmenu-1/29-shows/2230-palco-do-rock-2010.html . Recomendo a todos que tenham uma banda de rock fiquem atentos pois este ano vão abrir as inscrições de bandas para o festival de 2011. Fica aqui um ultimato pro Chivas Duo para que representem Minas Gerais aqui no Palco do Rock 2011.

Palco do Rock 2010



Dias: 13, 14, 15 e 16/02 (Sábado, Domingo, Segunda e Terça)
Local:
Coqueiral de Piatã (Piatã)
Horário:
17:00
Ingresso:
Entrada franca

Programação:

Dia:
13.02 (Sábado)

17h -
Dom Lula Nascimento
18h -
Fridha
19h -
Vivendo do Ócio
20h -
Redoma (RS)
21h -
Cólera (SP)
22h -
Karne Krua (SE)
23h -
Três Puntos (Vit. da Conquista/BA)
00h -
Desrroche
01h -
Behavior

Dia:
14.02 (domingo)

17h -
Mensageiros do Vento
18h -
Ignivomus
19h -
Ênio e a Maloca
20h -
Astafix (SP)
21h -
Dead Fish (ES)
22h -
Vendo 147
23h -
Survive (AC)
00h -
Andranjos (Juazeiro/BA)
01h -
Dimensões Distorcidas

Dia:
15.02 (segunda)

17h -
Buster
18h -
Davi Zew
19h -
Fiddy (PE)
20h -
Ulo Selvagem
21h -
Korzus (SP)
22h -
Agrotoxico (SP)
23h -
Elipê
00h -
The Honkers
01h -
Keter

Dia:
16.02 (terça)

17h -
Aluga-se
18h -
Chá de Pensamento
19h -
Etno (DF)
20h -
Clamus (CE)
21h -
Phantom Rockers (EUA)
22h -
Suprema (SP)
23h -
Pastel de Miolos (Lauro de Freitas/BA)
00h -
Os Irmãos da Bailarina
01h -
Almadória

Mais informações:
http://www.palcodorock.com.br

PALCO DO ROCK 2010, 16ª Edição
"Seja você a mudança que quer ver no mundo" (Gandhi)

Em apenas um mês de inscrição, foram recebidos 193 materiais, sendo que 78 bandas são da Bahia, divididas entre Salvador (62 bandas), região metropolitana e demais cidades (16 bandas). De outros estados, chegaram 115 materiais.

O Palco do Rock é o maior festival de rock independente da Bahia e o primeiro festival de rock independente no carnaval brasileiro. Idealizado desde 1994 pela Associação Cultural Clube do Rock da Bahia [ACCRBA - 1ª associação de bandas de rock do país], o evento possui uma circulação média de 32 mil pessoas e, neste ano, 36 bandas das mais variadas vertentes do rock, sendo 13 de outros estados, animarão o público. A realização da 16ª edição será no Coqueiral de Piatã, local já tradicional e conhecido pelos milhares de frequentadores assíduos. A entrada é franca e campanhas sociais como em prol da preservação ambiental. Esta semana foram firmados campanhas de apoio e prevenção em prol da saúde como foco abrangente com órgãos como COSAM - Coordenadoria de Saúde Ambiental do Programa Municipal DST/Aids de Salvador ; A SPM - Superintendência de Políticas para Mulher ; e AGEP - Assessoria de Gestão Participativa. Doações de mantimentos são incentivadas pela produção do festival que será direcionada para as mesmas entidades de todos os anos, também com cota prevista para as vítimas do HAITI.

Há também área para camping e atrações especiais, tais como espaço infantil (uma novidade para este ano) com estruturas e pedagogos que desenvolverão atividades, espaço interativo com stands de vendas de materiais das bandas e promoções eventuais, dj’s, debates, paletras, oficinas, exibição de vídeos, apresentações teatrais, além de workshows. Tudo isso sem contar que o palco montado fica há poucos metros do mar e o início do festival é acompanhado do pôr-do-Sol.

O Palco do Rock é apoiado pelo Governo do Estado da Bahia através da SECULT com o Fundo de Cultura do Estado da Bahia e Prefeitura Municipal de Salvador através da SALTUR.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Serie Entrevistas com Chivas Duo

Demorou, mas o Born to Lose volta à ativa depois de quase dois meses sem oferecer a seus leitores novas postagens. O vulcão está novamente ativo e de modo algum foi gratuita a escolha da imagem do vulcão para está primeira postagem de 2010, isso porque vamos começar com uma entrevista da banda Chivas Duo, uma erupção sonora, violenta e incandescente. No segundo semestre de 2009 vocês puderam conferir um pequeno texto falando um pouco a respeito da sonoridade da banda, agora o Born To Lose oferece as palavras dos próprios membros da banda, Bruno Bueno (bateria) e Diogo – El Gomes (Guitarra e Voz). Tive a oportunidade de conhecer o Bruno pessoalmente em Ouro Preto e podem apostar que foi um encontro daqueles! Conversando com o Bruno fiquei a par do novo projeto da banda, um cd duplo do Chivas juntamente com a banda argentina Ingravida, formada por mulheres que fazem um som carregado de emanações primitivas de fúria devastadora. Assim que tivermos noticias do lançamento do álbum divulgaremos aqui no Born To Lose. No mais caros comparsas, sejam bem vindos ao Born To Lose 2010!



Born To Lose: A Primeira pergunta pode, à princípio, soar como clichê, poderia até ser caso não cumprisse um papel capital para nossa série de Entre-Vistas, qual seja, oferecer aos leitores do Born To Lose diferentes modos de compreender a arte. Assim cada convidado tem como compromisso (rs) responder a seguinte pergunta: o que é arte para você(s)?

Chivas Duo: EL GOMES: Arte é nada mais que expressão... aliás, tem o dever de ser expressão... um meio pra isso, não interessa se é bom ou ruim, é só expressão humana, passou disso não é arte é outra coisa.

BUENO: É uma maneira que o sujeito tem de reaprender a ver o seu mundo. Na arte, o sujeito coloca para fora toda sua subjetividade, seu modo de ser e enxergar sua realidade. Ela sempre tem um sentido único para cada um. Arte e sujeito são uma coisa só. Não estão separados.


Born To Lose: Vocês consideram o som da Chivas Duo uma obra de arte? Se considram, o que faz da sonoridade da Chivas Duo uma obra de arte?

Chivas Duo: EL GOMES: É obra de arte no sentido puro da palavra e não que seja algo especial ou incomum... é só a vontade de duas pessoas em se manifestar, não tem nada de extraordinário no que a gente faz, muito pelo contrário...É bem despretensioso, já conseguimos o que queriamos fazendo do jeito que está... música que a gente gostaria de ouvir.


BUENO:O Chivas representa quase dez anos de amizade onde houve trocas de experiência muito legais com relação a música, poesia e arte em geral. A nossa sonoridade é um retrato disso tudo. O chivas nasceu de uma necessidade de juntar a poesia, que há anos o Diogo (El Gomes) usa para se expressar, e a música, que é algo que temos em comum. A partir de então o Chivas se tornou algo de grande importância em nossas vidas pela sinceridade que tudo é feito e pelo respeito e adimiração que temos um com o outro.

Born To Lose: Eu me lembro de quando vi vocês tocando lá em Ponte Nova no Hotel Glória no final de 2007, quando cheguei o show de vocês tinha acabado de começar. Confesso à vocês que a sensação que tive foi a mesma de quando ouvi o MC5, o New York Dolls, o Stooges e o Black Sabbath pela primeira vez. O som de vocês mexeu tanto comigo que ao acabar a apresentação eu fui pra casa, não tive interesse em ouvir outra banda. Realmente estar ali ouvindo aquele som mudou minha maneira de ver as coisas. Digo isso porque naquele momento eu estava bastante cético em relação à música, não via a possiblidade de acontecer algo novo e a sonoridade do Chivas Duo me fez parar pra pensar, reascendeu uma centelha de esperança em mim. Acho importante ressaltar isso, pelo fato de haverem coisas boas acontecendo, mas eram todas monótonas, músicas que estavam mais na esfera da contemplação. O som de vocês explode literalmente, possui algo que mexe com nosos instintos mais primitivos, algo que acontece naturalmente, imprevisível, enfim, mostra que o rock estará sempre vivo, mesmo que num lugar remoto. Por isso o som do Chivas é arte, no mesmo patamar dos grandes do blues, do jazz e num patamar muito acima de todos os mpbbeiros, bosseiros e etceteras. Estou tentando oferecer aqui a visão, ou audição, da sonoridade da Chivas Duo de fora. Quero saber qual é a visão da sonoridade da Chivas Duo de quem a esta fazendo, vocês.

Chivas Duo: EL GOMES: Pois é... acho que o Bruno sintetizou bem o que eu queria dizer rsss O Chivas Duo é a nossa cara rsss É nossa maneira, nosso jeito com toda influencia de bandas que a gente escuta, nada de novo, não criamos nada, tava tudo aí...a gente só fez aquilo que gosta mesmo, sem frescura... Nessa cena em que todo mundo acha que é o Kurt Cobain, o Iggy Pop, que vai mudar a arte com seu umbigo vaidoso (porque eles realmente se sentem especiais, senhores da genialidade).. tem um monte de "deuses do rock" por aí indo pro salão de beleza e tomando mingalzinho de aveia na casa da vovó... rsss a gente ri muito desses caras... ah e não tô falando só desses emos aí não, tô falando da cena independente também que nos brinda com esses bandos de Mozarts incompreendidos né? rsss...no meio disso tudo a gente prefere continuar sendo o que é, que já é complicado demais rsss

BUENO: Nunca esperava ouvir isso antes. Confesso que fiquei bastante feliz e satisfeito. Acho que de alguma forma você pegou o espírito do Chivas (rsrsrs). Mas nunca achei o Chivas uma banda tão original, até por que nem era o propósito. Nunca tivemos preocupações em revolucionar ou modernizar alguma coisa. Queríamos tocar, compor músicas, gravar, fazer shows, nada além que isso. O que nos impressionou foi que quando gravamos as primeiras músicas percebemos que era realmente o que gostaríamos de fazer. Putz, era a nossa cara!! Isso deu um gás muito grande no Chivas. Nos incentivou a compor mais, e gravar mais músicas, até por que cara, tudo no Chivas foi na raça. Todas as gravações foram ao vivo e gravadas depois de no máximo 2 a 3 ensaios. Isso pra gente era o máximo (rsrsrs). Um olhava para o outro e dizia: “Pó, e não é que ficou foda?!”. Muito engraçado cara. Fizemos todas as vinhetas em casa, masterizamos as músicas, enfim. Então, não só a sonoridade do Chivas, mas também o modo como tudo foi se desenvolvendo, é bem parecido com as bandas que você citou. Amamos o Dolls, o Sabbath, o Stooges, o MC5. Todas elas são grandes referências para nós. Todas elas começaram de uma maneira bem punk de se fazer música. Isso me cativa muito. Mas não acho que a visão sonora do Chivas é apenas esta. Viemos do Alice Cooper, admiramos bandas ousadas como Minutemen e Melvins. Estou numa fase escutando muito Jazz, Soul, Funk, Rap nacional (racionais, sabotage). Então estamos por ae. Sem destino. O chivas pode surpreender a qualquer momento. (rsrsrs)

Born To Lose: Bom, permitam-me discordar de vocês quanto a questão da originalidade do som do Chivas. Estamos passando por tempos difíceis, onde até o hardcore esta nas prateleiras, vivendo num tempo em que temos apenas a repetição do mesmo, a proliferação de padrões artísticos, música enlatada pra vender nas prateleiras do supermercado. Vende-se o visual punk, o visual hardcore, vende-se imagens, a arte deixou de existir, em seu lugar uma mercadoria que anestesia a alma. O rock saiu da garagem, está na sala de estar da família, não há mais provocação, não há mais violência. Quando vocês fazem um som com raízes no punk e no hardcore, embora vocês não tenham descoberto a cura do cancer, ainda sim criaram, inovaram, pois quebraram com este estado de entorpecimento, estão nadando contra a maré, além do que meus amigos, do nada não sai coisa alguma. Para inovar, para criar algo, é preciso estar linkado com algo que faz parte do passado. O ancestral se faz presente no contemporâneo. E vocês só conseguem isso por não se basearem em nada que não seja o seu próprio sangue, a sua propria vontade. Isso só é possível pela despretensão do som, pela obra do puro acaso, que transforma em novidade algo que já existia ou existiu em algum tempo e em algum lugar. Por isso devo discordar em outro ponto, o Chivas não pode surpreender, ele já surpreende, ao menos aos que curtem um som agressivo e explosivo. Nos últimos 6 anos eu tenho ouvido constantemente hardcore, punk rock e claro Black Sabbath, Slayer e Motor Head, mas assim, de uma forma compulsiva. Nada de música nacional, confesso ter abolido Chico Buarque, Caetano Veloso, Vinicius de Moraes do meu mp3 player e a explicação é uma só, estou cada vez mais agitado, meu espiríto não está em paz e não quer estar em paz. Quero dizer, não é o punk ou o hardocore que traz esta inquietação, mas ao contrário, o fato de estar inquieto, de não me sentir confortável existencialmente falando que me leva ao encontro destas sonoridades. Elas traduzem em som aquilo que ocorre em meu espírito. Assim amigos, quero saber de vocês, isso pode parecer estranho (rs), o que leva vocês a fazer este tipo de som? Pois, não dá pra negar a agressividade do Chivas.


Chivas Duo: Bueno: Ainda não tinha parado para pensar nisso. Acho que é a mesma coisa de me perguntarem o porquê deu amar tanto o Ratos de Porão e o DK (rsrsrsrs). Sempre fui ligado ao punk, desde moleque. Quando lia as poesias do Diogo, me identificava muito e sentia que tinha muito haver com a sonoridade punk. Algo agressivo, simples e inteligente! Até tentamos alguma vez soar de maneira mais limpa como o Clash, mas nunca deu certo (rsrsrs). Até que um dia escutando Dicks e Big Boys, percebemos que poderíamos fazer algo bem simples que fosse agressivo e de qualidade. Daí nasceu o Chivas. Em poucos dias já estávamos com umas dez músicas. Mas tudo sem pretensão nenhuma cara. Nunca fomos metidos a radicais, muito menos metidos a punk xixi que fala mal de uma panca de coisas sem saber do que está falando. Somos uma banda de Rock, só isso! A agressividade é conseqüência de uma merda de coisas que vemos por ae!!

El Gomes : Então... bem antes de tocar guitarra ou pensar em ter banda eu escrevia muito, isso era um comportamento obsessivo pra mim... e eu nunca tive vontade de escrever coisas apenas para agradar os olhos de quem lia. Por exemplo, é muito fácil você falar de amor, fraseando corações e mel, isso dá ibope entende? Falar do mar, da menina que passa, de como é bom tomar meu Red Label deitado numa rede em Itapoã....Quem tem um pouco de inteligencia não aguenta esse tipo de coisa o tempo todo.. e como eu nunca fui em Itapoã resolvi ler Plínio Marcos...esse cara não enfeitava o mendigo nem perfumava o lixo como o Roberto Carlos e a Xuxa fazem, ele era autêntico, viceral, verdadeiro... inclusive já vi o Marcelo Nova dizer a mesma coisa que estou falando aqui agora... quer dizer, talvez o Plínio tenha influenciado mais pessoas do que se imagina... depois veio Willian Blake, Bukowisky, Schopenhauer.. um monte de nego de quem eu nunca tinha ouvido falar por que esses caras não estavam no Gugu nem no Faustão né? Como você falou, quem tem um "espírito agitado" vai de encontro a esses caras quase por acaso... Depois foi só vomitar tudo o que eu tinha, e obviamente nunca foi um mar de delícias as coisas que eu escrevia... Bom, o Bruno se identificou com o que eu dizia, e nisso eu já escutava muito Ramones, Black Sabbath... o Bruno me influenciou demais também em termos musicais, me apresentou 90% das bandas que eu escuto hoje em dia, tem um ouvido fantastico pra descobrir coisa boa... Acho que é daí que vem essa agressividade... o que leva a gente a fazer este tipo de música é o simples fato de que só dando cuspida é que a gente se sente em paz


Born To Lose: Algo bastante particular ao Chivas Duo é o fato de ser um Duo de Hardcore. Este "formato" familiar à música instrumental de caráter camerístico, ao menos até onde eu sei, nunca foi adotado por nenhuma banda de rock. Porque resolveram fazer um "duo" e não a formação convencional baixo, guitarra e bateria? Há ganhos, em termos musicais, neste tipo de formação?

Chivas Duo: Bueno: Eu e o Diogo começamos a fazer algumas músicas juntos e sempre tivemos uma proposta muito parecida de banda. Tanto as letras quanto a sonoridade sempre agradou muito um ao outro. Tudo que ele trás acabo me identificando com aquilo e vice-versa. Somos muito sinceros um com outro e isso ajuda pra caralho. Quando começamos a tocar, até queríamos colocar um baixo para podermos diversificar mais as músicas, deixa-las mais pesadas e encorpadas. Mas sentimos que se colocássemos mais um integrante, poderia mudar toda a proposta e o processo do Chivas que estava fluindo de maneira muito legal. Então decidimos deixar o duo que até então está dando muito certo. Quanto ao formato ainda não ser adotado por nenhuma banda de rock, isso eu não sei cara. Mas acredito que com certeza existem mais duos de rock por ae. Na verdade cara, existem hoje até monobandas (rsrsrs). Um amigo nosso de BH, O crasso, da produtora de shows Mondo Crasso, todo ano organiza festivais de monobandas do Brasil inteiro e do exterior em BH. É muito legal. Vale a pena conferir (http://www.myspace.com/mondocrasso).

El Gomes: O duo aconteceu completamente por acaso... A formação veio mais por afinidade mesmo, a gente fez o que queria fazer com o que tinhamos ao nosso alcance entende? Não tem ninguém pra tocar baixo? Foda-se, vai sem baixo... A vontade de tocar era maior, o Chivas é isso, o Bueno e eu, ponto.

Bueno:
É isso ae!! (rsrsrs)

Born To Lose: Vocês foram bastante diretos quanto o objetivo da banda, levar um som, sem pretensões. Significa que não há "pretensão" de vocês em divulgar o som, de apresentar o resultado desta atividade experiência musical entre dois amigos?

Chivas Duo: El Gomes: Quando falamos em pretensão estamos falando em ter os nossos pés no chão... de ter a consciencia do tipo de música que estamos fazendo e principalmente de manter a proposta da banda integra... Sabemos muito bem das nossas limitações e não queremos ser o que não somos como a maioria das bandas que vemos em qualquer cena ou mídia são... Divulgar a banda não é ter necessariamente a pretensão de ser algo, divulgamos o que somos, sem mais, nem menos... e que bom que algumas pessoas se identificam, tentamos ser sinceros em tudo o que a gente faz,e particularmente acho as coisas hoje em dia soarem muito falso, artificiais.

Bueno:
Putz, com certeza!! Temos um prazer imenso em fazer shows, encontrar os amigos, gravar músicas, colocá-las em locais acessíveis a todos... tudo isso é muito gratificante, além de considerar o Diogo um grande irmão. Então acho que o Chivas tem pretensões sim, o que o Chivas não tem é preocupação em ter que atingir algo ou alguém. Isso não quer dizer que não vamos aproveitar as oportunidades que nos são dadas se aceitarem o Chivas da maneira que ele é (rsrsrs).


Born To Lose: Na madrugada de hoje, descobri que o Bruno é psicologo e que leva um som com uma outra banda a Ballet. E você El Gomes, quais suas atividades fora da banda? Acho que dá pra aproveitar o gancho e disparar outra pergunta: Vocês fazem separação entre a vivência de vocês enquanto músicos, membros do Chivas Duo e sua vida pessoal? Quero dizer, há o Bruno psicologo e o bruno músico, o El Gomes ???? e o El Gomes músico? Não sei se estou sendo claro. Pensem naquelas perguntas infames do Faustão que pergunta à algum destes famigerados atores globais como é o Toni Ramos pai, o Toni ramos ator, o Toni Ramos punheteiro e por ai vai. A imagem é bizarra é verdade, mas acho que ajuda a tornar a questão um pouco mais clara. (rs) Resumindo (rs): Vocês consideram haver esta fragmentação da personalidade de vocês a depender da atividade que estejam desempenhando?

Chivas Duo: El Gomes: Acho que não tem essa fragmentação... quer dizer, pelo menos não tão nítida... Existe sim certos aspectos que são incompatíveis dependendo de onde você está... Se você está no seu trabalho seu patrão não quer saber se você dormiu bem a noite passada ou se trouxe seu agasalho para não ficar resfriado rssss Deve separar as coisas mas lembrando que você é um inteiro disso tudo né? Bom, eu cursei psicologia com o Bueno mas não cheguei a me formar migrando para o curso de Direito ao qual estou quase no final agora... Trabalho na àrea jurídica e é muito interessante para aprender um pouco sobre a dinâmica da sociedade em que a gente vive... Você começa a escutar mais e falar menos entende? rsss Quanto a música não tenho outra banda e sinceramente não quero ter rsss o Chivas supre toda minha necessidade de expressão rsss

Bueno: Cara... se pensarmos de maneira mais sartreana (rsrsrs) iremos chegar na conclusão de que desempenhamos papeis a todo instante e que nunca conseguiremos ser autênticos. Mas não gosto de pensar deste modo. Prefiro pensar de maneira mais otimista. Digamos que temos bom senso e sabemos o que pode ou não nos prejudicar. É como usar do inimigo para beneficio próprio ou mesmo deixar que eles pensem que mandam e nós fingirmos que obedecemos (rsrsrs). Não vejo uma fragmentação, mas sim uma realidade de vida que me dispõe de várias possibilidades e principalmente responsabilidades, o que me faz as vezes agir de uma forma ou de outra.


Born To Lose: A maioria das bandas punk e hardcore formou-se musicalmente através do método "faça você mesmo". Lembro que no "End of Century" o Tommy Ramone, se não me engano, diz que pediu em um dos ensaios dos Ramones que o Dee Dee desse um E maior. O Dee Dee ficou lá com a expressão facial tipo "Isso é de comer ou de beber?'. Vocês estudaram música ou a formação de vocês tambem foi feita através da pura vontade de fazer música e assim fazê-la?

Chivas Duo:

El Gomes: O que que é E maior mesmo? rss Eu particulamente não tenho noção do que estou fazendo quando toco guitarra... é mais por gostar do que se ouve do que uma coisa estruturada, pensada, não tenho competencia pra tocar guitarra desse jeito... é mais instintivo, não sei nada de notas, partituras, nada... é só pegar e fazer.

Bueno: Cara, nunca servi pra estudar musica cara. Quando era bem novinho entrei para aula de violão o que me deu uma noção dos acordes básicos. Fora isso, blááá!! Bateria aprendi no susto e não tenho técnica alguma! Fui evoluindo um bucado (no meu limite é claro...rsrsrs) durante as bandas que tive nos últimos 10 anos. Tudo na vontade de reunir os amigos e tocar! Sempre deu certo. O que nunca deu certo foi tentar estudar música! rsrsrs


Bruno e Diogo, caras quero agradecer pela entrevista. Por favor sintam-se à vontade para deixar alguma informação que por acaso deixou de vir a tona ao longo da entrevista.

El Gomes: De minha parte também só quero agradecer e ressaltar a importância de pessoas como você Carlos que tem a sensibilidade de perceber quando as coisas são feitas com sinceridade, um abraço e sucesso no blog.

Bueno: Gostaria de agradecer a oportunidade e ao grande incentivo que você nos dá. Esperamos poder retribuir de alguma forma. Gostaria de dizer que já está no forno a Antologia do Chivas contendo todo o material gravado entre 2007-2009 e muita coisa ainda está por vir. Agradecer também ao Megadavi, galera do Votu, Herói do Mal (www.myspace.com/heroidomal), Ballet (www.myspace.com/roqueballet), nossos amigos, namoradas e a todos que de alguma forma colaboraram para o crescimento do chivas (www.myspace.com/chivasduo)!! É isso ae!!