terça-feira, 2 de agosto de 2011

II FESTPON - II Festival de Teatro de Ponte Nova - MG



O NAED – NÚCLEO ARTÍSTICO EDUCACIONAL, a CIA TEATRO DE BOLSO e o GRUPO DE TEATRO VIVER COM ARTE, todos grupos teatrais de Ponte Nova, anunciam o lançamento do II FESTPON – FESTIVAL DE TEATRO DE PONTE NOVA. O Festival acontecerá de 13 a 21/08/11 com apresentações gratuitas na Praça de Palmeiras e Teatro do CSDH. A novidade este ano serão as intervenções teatrais que acontecerão na semana que antecede o festival nas escolas públicas de Ponte Nova. Será feita também campanha de arrecadação de alimentos que serão doados às instituições sociais de nossa cidade. Parcerias com o Departamento de Artes da Universidade Federal de Ouro Preto já foram estabelecidas e há presença confirmada de grupos de Barbacena e Itabirito. 

domingo, 24 de julho de 2011

Saído do forno, Love Story.

Capa do álbum Love Story. Capa feita por Carlos Oliveira.

   O que vem a cabeça de vocês quando alguém diz ter gravado um cd só com voz e violão? Certamente o mesmo que eu, mais um som daqueles pra se ouvir em casa quando se está incapacitado de se dirigir ao bar mais próximo. Não é o caso do álbum Love Story do violonista, poeta e compositor pontenovense Carlos Oliveira. Aproveitando da habilidade e refinado senso musical Carlos gravou e produziu seu álbum que não repete a já saturada fórmula MPB cuja referência são os padrões harmônicos e melódicos do Djavan. O que vocês irão encontrar em Love Story é uma musicalidade original que tenta encontrar novos caminhos sonoros para esse formato já estigmatizado que é a combinação voz e violão. Em cada música encontramos um ritmo diferente embalado por dedilhados e batidas próprias desse  músico. Se há algo de semelhante entre as músicas que compõem o álbum é a expressão de um sentimento de saudade, de vontade de se chegar a algum lugar ou encontrar alguém que há muito tempo não se vê. Essa me parece ser a tônica da musicalidade presente em Love Story, a solidão, a necessidade de preencher um vazio que magistralmente se mostra nessa nova face dada por Carlos ao conjunto voz e violão. Nada mais solitário e mais intenso que o uivo do músico que procura apenas com sua voz e seu violão satisfazer seus anseios. 



Letras da músicas.





Contra Capa







sábado, 18 de junho de 2011

Chivas Duo - Ingrávida Split, rock´n roll direto e sem frescura

    Devido uma série de contratempos demoramos a divulgar o lançamento do Split Chivas Duo - Ingravida gravado, produzido e divulgado no peito e na raça pelos integrantes da banda, destacando o esforço sem precedentes de Bruno Bueno baterista da Chivas Duo. Tenho o prazer de ser amigo desse grande cara que não mede esforços em nome do rock e dos amigos. Sempre pronto pro que der e vier concluiu esse projeto que já havia sendo realizado por mais de um ano, brindando aos amantes do punk - hardcore uma obra que remonta às raízes desse estilo musical. A lição dos mestres Ramones "Faça você mesmo" foi levada às últimas consequências por Bruno. Correu atras da gravação, prensagem e divulgação do àlbum, sem esperar por ser descoberto como grande gênio da música, desejo da média que se intitula artista nos dias de hoje. Som nu e cru, atitude autêntica e intensa, Chivas Duo e Ingrávida promoveram um terremoto sonoro, que certamente vai levar o amante do punk ao encontro de seus instintos mais primitivos. Como as mais antigas tribos façamos nosso ritual e que ele tenha como combustível a combinação sonora Chivas Duo - Ingrávida. Som na caixa cambada!!

Abaixo um pequeno bate papo com Bruno Bueno e em seguida o link para download do Split Chivas Duo - Ingrávida.

Born To Lose: Vocês já haviam lançado uma demo, porque decidiram lançar um split e não um álbum?

Então, estava tudo pronto para lançarmos uma antologia do Chivas com todo o material gravado entre 2006 e 2008. Nesta época, o Herói do Mal, banda de BH, havia nos feito um convite para lançarmos um split e dividirmos as despesas da prensagem. Aceitamos, mas devido a alguns imprevistos acabou não vingando. Ficamos motivados com a idéia do split e nesta mesma época tocamos com o Ingravida em BH onde conhecemos melhor o trabalho da banda e começamos a manter contato via internet. Como já estava com a proposta de montar o nosso próprio selo (Porco Dio), me interessei também em lançar o Ingravida, os convidando para participar deste projeto. Aceitando o convite, acabamos deixando de lado a antologia do Chivas e investimos bastante em algumas músicas para compor o split.

Born To Lose: Gostaria que falasse um pouco da relação da Chivas Duo com a Ingravida.

Temos muito pouco contato. Nos conhecemos em 2008 em um show que tocamos juntos em BH. A partir daí mantemos contato com a Daiana, baixista da banda, via internet. O próprio convite para o split foi feito desta forma (rsrsrs). Não somos grandes amigos, nos vimos uma vez apenas, mas temos empatia por eles. Gostamos da proposta da banda, curtimos o som, apenas isso. Pode ser o início de uma grande parceria. Vamos aguardar alguns shows de lançamento do split para este ano de 2011.

Born To Lose: Por que decidiram lançar um split com a Ingrávida e não com uma banda nacional?

Não as convidamos pelo fato da banda ser argentina, mas sim por ser uma banda com quem agente se identificou bastante na época e mantínhamos certo contato. Claro que fazer esta ponte Brasil/Argentina é uma experiência muito legal dando espaço até mesmo para uma divulgação mais ampla do split, mas confesso que tudo isso foi conseqüência.

Born To Lose: Sei que a principal forma de divulgação do split está sendo no boca à boca. Foram as dificuldades de se investir numa forma de divulgação mais “profissional” que levou a optarem por essa espécie de veiculação?
Assim que foi lançado o split entrei em contato com várias distribuidoras, selos e blogs do país inteiro. Todos que corresponderam aos meus contatos eu enviei o material FREE para divulgação. O intuito do split era este, fazer com que todos os interessados tomassem conhecimento do trabalho, abrindo portas para novos contatos e shows. O primeiro material sempre é mais complicado. Você precisa usá-lo como meio de divulgação. Para ser sincero não vi outra forma a não ser esta. Ainda mais eu que sou bastante enrolado. Mais de 300 cópias do split já estão por ae. Vários cidades do Brasil inteiro, Argentina, Peru. Alguns amigos tocaram nos Eua mês passado e também levaram algumas cópias para divulgar por lá. É isso aê. Nem tanto profissional, mas com muita correria. Confesso que estou fazendo a minha parte.

Clique no link abaixo e mergulhe nas águas agitadas do punk rock mineiro.

A clarineta Mágica de Tiago Delgado

Ontem à noite conversei com Tiago depois de muito tempo. Quando ficamos sem ter notícias de um amigo é comum começarmos a conversa perguntando como vão as coisas, seguido de quais as novidades. Essas perguntas que geralmente servem apenas para iniciar a conversa e que trazem sempre respostas previsíveis (tudo bem e você, sem novidades) acabaram cumprindo uma outra função, trouxeram respostas recheadas de novidades, cuja mais surpreendente foi a participação de Tiago na 12ª edição da série Jovem Músico BDMG realizada em Belo Horizonte no dia 27 de abril deste ano.

Tiago e eu fomos vizinhos na rua da Linha, o vi crescer, acompanhei de longe, mas com grande interesse sua iniciação musical na Corporação Musical Sete de Setembro, instituição que tive o prazer de fazer parte durante toda a década de noventa, o que torna ainda mais significativa essa primeira conquista desse clarinetista de grande talento. Mesmo com todas as dificuldades impostas por sua origem humilde, por viver em uma cidade do interior mineiro que oferece poucas oportunidades para quem deseja alçar vôos mais longos em qualquer área profissional, Tiago não se intimidou, encontrou em si mesmo o que realizaria plenamente sua existência: a música. Descoberto o que daria sentido a sua existência, iniciou uma busca ávida por locais onde pudesse desenvolver cada vez mais suas habilidades. Finda sua fase na União Sete de Setembro, que já havia oferecido a Tiago tudo o que podia, o músico pôs o pé na estrada e foi buscar novos horizontes que possibilitassem a satisfação de seu desejo por dominar cada vez mais seu instrumento de expressão artística, a clarineta. Passou num vestibular concorridíssimo, disputando uma vaga com candidatos que tiveram uma formação musical mais apurada, realizada nos melhores conservatórios de Belo Horizonte e os desbancou um a um superando a todos com seu talento e esforço incansável de alcançar um nível de conhecimento teórico que a União Sete de Setembro não poderia oferecer. Encontrou grandes mestres que o auxiliaram como o professor Iura de Resende (UFSJ) e hoje é clarinetista do departamento de música de uma das universidades mais importantes do país a UFMG.

Meu amigo Tiago é agora conhecido como Tiago Delgado clarinetista a caminho de uma carreira profissional brilhante. Nós pontenovenses, principalmente nós que nos formamos musicalmente na grandiosa Corporação Musical União Sete de Setembro ficamos orgulhosos por ter esse músico como destaque de um evento de tão grande porte como a série Jovem Músico BDMG. Geralmente os músicos pontenovenses tem suas raízes musicais na música popular, Tiago Delgado segue por uma caminho novo tratando-se de Ponte Nova, a música erudita, inaugurando uma nova fase da música de nossa cidade. Ponte Nova conhecida por ser berço de grandes nomes da música popular como João Bosco e Tunai e de grandes violonistas como José Carlos Daniel, vive um momento em que nasce um novo ícone da nossa música agora nos colocando no campo da música erudita, que este seja apenas o primeiro degrau na carreira desse novo nome da música mineira, que a clarineta mágica de Tiago Delgado encante todos os grandes festivais de música erudita pelos Brasil.


Abaixo destaque para a apresentação de Tiago Delgado e outros quatros jovens músicos mineiros que

se apresentaram na 12a edição da séria Jovem Músico BDMG. A notícia foi extraída do site oficial do BDMG.

Logo após a notícia veja e ouça a apresentação de Tiago Delgado na 12a edição da séria Jovem Músico BDMG.



JOVEM MÚSICO BDMG

27/04/2011

BDMG Cultural realiza 12ª edição da série Jovem Músico BDMG


Tiago Delgado (clarinete)


Marcos Ferreira (Trompete)


Laura Von Atzingen (violino)


Fernanda Zanon (piano)


A série Jovem Músico BDMG, desenvolvida há 12 anos pelo BDMG Cultural, recomeçará no próximo dia 27 de abril, a temporada 2011 com recital na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, em Belo Horizonte.
Participam da noite de estrea os músicos: Tiago Delgado (clarinete); Marcos Ferreira(Trompete); Laura Von Atzingen (violino) e Fernanda Zanon (piano).
A seleção foi feita pelos maestros de Belo Horizonte – Lincoln Andrade (Maestro e Professor de Regência da Escola de Música da UFMG); Márcio Miranda Pontes (professor do Cefar – Palácio das Artes, Maestro Titular do Coral Lírico de Minas Gerais,Maestro Fundador do Coral BDMG) e Oiliam lanna (Compositor e Professor da Escola de Música da UFMG). A comissão julgadora selecionou 28 estudantes de música erudita, que apresentarão em solos, duos e trios ao longo do ano.

As apresentações serão de abril a novembro (exceto julho), sempre às 19h30, com quatro músicos por noite. Desde a sua criação, a série Jovem Músico BDMG já selecionou 300 músicos.

Jovem Músico BDMG
27 de abril às 19h30
Sala Juvenal Dias - Palácio das Artes
Av. Afonso Pena 1537
Belo Horizonte- MG
Ingressos: R$ 2 (inteira), R$ 1 (meia)
(renda destinada ao programa social "Raio de Luz BDMG")
Conheça os músicos, confira o programa e participe!

Thiago Delgado, clarinetista, 23 anos, mineiro de Ponte Nova, iniciou seus estudos de música aos 14 anos, na Corporação Musical União 7 de Setembro e, em 2006, se aperfeiçoou em clarinete, com o professor Iura de Resende (UFSJ). No mesmo período, participou da Big Band do Palácio das Artes. Cursa Bacharelado em clarinete na UFMG, na classe do prof. Maurício Alves Loureiro e atua como clarinetista na Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFMG. Participou de master classes com os professores Ovanir Buosi, Giuliano Rosas, Luis Alfonso Montanha e aulas com Marcus Julius Lander. Atualmente, tem aulas com Marcus Julius Lande, além de receber orientação do professor Dominic Desautels da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.
Repertório: Widor,C – Introduction et Rondo, op. 72 – para clarinete e piano - Debussy, C. – Première Rhapsodie – para clarinete e piano.

Marcos Ferreira, 21 anos, trompetista, nasceu em Carmo do Cajuru, em Minas Gerais. Aos 12, iniciou seus estudos na banda de música de sua cidade natal, Associação Musical Cajuruense. Aos 15 começou estudar trompete na Escola Municipal de Música Maestro Ivan Silva em Divinópolis/MG, com a professora Madelon de Lellis Silva. Na ocasião, atuou no grupo de trompetes e também na orquestra da escola. Em 2009, participou do 40º Festival de Inverno da UFMG, em Diamantina, sob a orientação do professor Anor Luciano Jr. Em 2010, no III Encontro Internacional de Trompetistas promovido pela ABT (Associação Brasileira de Trompetistas), participou de master classes com Rex Richardson (EUA), Joatan Nascimento (Brasil), Jorge Almeida (Portugal), Gabriele Cassone (Itália) e Adam Rapa (EUA). Em 2011, no 6° Festival de Música de Santa Catarina (Femusc), teve aulas ministradas pelos professores Flávio Gabriel e Gilberto Siqueira (Osesp). Atualmente cursa bacharelado em trompete na UFMG, sob a orientação do professor Anor Luciano Júnior e atua no quarteto de metais chamado Timbrass.
Repertório: Arutunian, A. – Concerto para Trompete
Laura Von Atzingen, violinista, 19 anos, nasceu em Iowa City nos EUA. Começou a estudar violino aos 3 anos com a violinista Luciene Vilani, com quem permaneceu até os 10 na Escola de Formação de Instrumentista do Sesiminas-MG. A partir de 2002, foi aluna do violinista Edson Queiroz nas classes de extensão na Escola de Música da UFMG. Cursa Bacharelado em violino pela UFMG na classe do prof. Edson Queiroz. Participou de vários festivais de música: Pro-Music Festival em Juiz de Fora (2000,2004,2005,2009); Semana de Música de Ouro Branco (2005,2007) ; Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão (2007, 2008); Oficina de Música de Curitiba 2009; Festival de Santa Catarina (2007,2010); Festival Nacional de Música de Divinópolis (2011). Em 2010, no Festival junger Künstler Bayreuth na Alemanha, que reuniu pessoas do mundo inteiro, foi uma dos três brasileiros selecionados. Fez parte em orquestras de festival, tendo a oportunidade de tocar para violinistas como Alessandro Borgomanero, Augusto Trindade, Elisa Fukuda, Michel Bessler, Daniela Jung, Yang Liu, Paul Biss e Charles Stegeman. Participou de master classes com o violinista Goetz Hartmann na Semana de Música de Câmara da Fundação de Educação Artística, em 2005 e 2006.Em 2000, como solista, apresentou o Concertino para violino de Ernest Mahle, com a Orquestra Jovem do Sesiminas EFIC. Em música de câmara, se apresentou em concertos com o Grupo Diadorim (quarteto com violino, viola e dois violoncelos, formado por seu pai, irmão e irmã) e com este grupo realizou em 2007 e 2008, 33 concertos didáticos em escolas públicas de Belo Horizonte e em cidades do estado de Minas Gerais, por meio do Projeto "Música de Concerto nas Escolas 2007/2008", patrocinado pela "Lei de Benefício à Cultura".
Repertório: Béla Bartók – Danças Romenas
Marlos Nobre – Desafio III
Fernanda Zanon, pianista, 24 anos, belorizontina iniciou seus estudos musicais no Núcleo Villa-Lobos de Educação Musical em 1995, aos 8 anos. Atualmente cursa Bacharelado em piano pela UFMG na classe da Professora Celina Szrvinsk e leciona piano noNúcleo Villa-Lobos de Educação Musical em Belo Horizzonte-MG. Conquistou o 1° lugar no Concurso Nacional de Piano Orestes Farinello (Goias). Participou de master classes com os professores: Luiz Senise, Michael Uhde, Gilberto Tinetti. Atualmente leciona noNúcleo Villa-Lobos de Educação Musica. Fez parte de diversos festivais:Festival Música nas Montanhas (Poços de Caldas),Semana da Música (Ouro Branco), Festival de Música FEMUSC (Santa Catarina), entre outros.
Repertório: Beethoven, L.. Sonata nº 8 – Opus 13 – Grande Sonata Patética – 1º mov.
Schumann, R. – Blumenstück – Opus 19.


Apresentação de Tiago Delgado na 12a edição da séria Jovem Músico BDMG:





terça-feira, 3 de maio de 2011

As ficções religiosas existirão enquanto houver humanos

Para Michel Onfray, autor do Tratado de ateologia: física da metafísica (São Paulo: WMF Martins Fontes, 2007), que na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, classifica sua filosofia como uma filosofia das Luzes para a atualidade, a fonte do sentimento religioso é a negação da condição de mortal. Em sua opinião, “é fácil crer: tem-se resposta para tudo, a religião oferece uma metafísica, uma ontologia, uma filosofia, chaves na mão. Todas as respostas já foram dadas a todas as questões possíveis. Basta para isso ser instruído na ordem cristã. Ao passo que o ateu que reflete deve construir sozinho sua visão do mundo e isso é mais complicado”. E continua: “o recurso às ficções religiosas também terá lugar enquanto houver humanos. Somente alguns espíritos fortes viverão sem Deus, mas estes serão sempre minoritários”.

Por: IHU Online

O filósofo que assegurou ter “menos animosidade contra os ajoelhados do que contra os que fazem ajoelhar” escreveu cerca de 30 obras, nas quais formula um projeto hedonista ético, político, erótico, pedagógico, epistemológico e estético. Fundou a Université Populaire de Caen, onde leciona contra-história da filosofia. Para maiores informações, consulte o site pessoal do filósofo: http://pagesperso-orange.fr/michel.onfray/.
IHU On-Line - Você identifica na origem dos três monoteísmos uma mesma “pulsão de morte genealógica”, uma matriz niilista. Para você, então, a premissa básica da religião é o “nada endeusado”?
Michel Onfray –
 Não. Em primeiro lugar é menos a pulsão de morte do que o medo da morte, a vontade de não morrer, o temor desesperado de dever desaparecer um dia, a impossibilidade de enfrentar o nada face a face, olhando-o diretamente em seus olhos, se posso expressar-me assim. A negação da condição de mortal, eis a fonte do sentimento religioso.
IHU On-Line - Violência, intolerância e religião andam, necessariamente, lado a lado? Por quê?
Michel Onfray -
 Não exatamente. Eu não sou tão caricatural a ponto de ter essa idéia, e eu nunca pensei que, se as religiões não tivessem conduzido o mundo, jamais teria havido nem guerras, nem violência, nem intolerância! Mas eu constato que as três religiões monoteístas que se dizem de paz, de tolerância e de amor, paradoxalmente geraram muitas guerras, muita intolerância e ódio, em nome de sua pretendida mensagem de paz, de tolerância e de amor.
IHU On-Line - Dawkins, Dennet e Harris são acusados de combater o fundamentalismo religioso com um fundamentalismo ateísta. Qual é o seu ponto de vista a respeito?
Michel Onfray -
 Eu constatei que aqueles que censuram o fundamentalismo de tal ou tal orientação são com freqüência... fundamentalistas! É uma velha lei da psicologia que quer que se censure no outro o que não se quer nem se pode censurar em si próprio. A mesma lei quer que se seja muito lúcido quanto à palha que se encontra no olho de seu vizinho, mas absolutamente incapaz de ver que há uma trave no nosso. Que se deixe de insultar (pois “fundamentalista” nesta configuração é um insulto) e que se discuta realmente, verdadeiramente, os argumentos em torno de uma mesa. E que os religiosos, tão ciosos de paz, de tolerância e de amor, comecem dando o exemplo!
IHU On-Line - Nessa mesma linha de raciocínio, como você classificaria a sua filosofia?
Michel Onfray –
 Como uma filosofia das Luzes para a atualidade. Eu me inscrevo na radicalidade do pensamento de, por exemplo, Meslier, La Mettrie ou D’Holbach, que são os filósofos do século XVIII. Eles fazem uso da razão sem nenhuma concessão e se propõem a acabar com todo pensamento mitológico.
IHU On-Line - Você afirma que o ateísmo reconcilia com a terra, o outro nome da vida. O que nos garante que o ateísmo promova essa união se, como dizia Ivan Karamazov, “se Deus não existe, tudo é permitido”?
Michel Onfray -
 É precisamente porque Deus existe que tudo é permitido! Lembrai-vos do convite de Simon de Monfort por ocasião do massacre dos albigenses: “Matai-os a todos, Deus reconhecerá os seus”. Se Deus existe, ele sabe e vê tudo, e ele restaurará no Céu a ordem que não se soube instaurar na Terra, desde que se tenha querido instaurá-la em seu nome, como dizem e pensam os crentes. Opostamente, o ateísmo afirma que, já que Deus não existe, tudo não é permitido e que, por conseguinte, é preciso estabelecer um código, regras, uma moral, uma ética contratual para viver juntos.
IHU On-Line - Por que a “fé tranqüiliza” e a “razão preocupa”? O cristão é um ser infantil, alguém que se furta da verdade?
Michel Onfray -
 Porque é fácil crer: tem-se resposta para tudo. A religião oferece uma metafísica, uma ontologia, uma filosofia, chaves na mão. Todas as respostas já foram dadas a todas as questões possíveis. Basta para isso ser instruído na ordem cristã. Ao passo que o ateu que reflete deve construir sozinho sua visão do mundo e isso é mais complicado.
IHU On-Line - Em Tratado de ateologia, você diz não recriminar os homens “que consomem experiências metafísicas para viver”, mas deplora os “vigários dos Deuses monoteístas”. Poderia explicar quais são os elementos pelos quais você apóia essa argumentação?
Michel Onfray -
 Eu de fato digo que tenho menos animosidade contra os ajoelhados do que contra os que fazem ajoelhar. Em outras palavras: eu tenho compaixão por aqueles que foram postos de joelhos, mas não por aqueles fazem pôr-se de joelhos. Pode-se crer no que se quiser, mas fazer crer me causa mal-estar. Trata-se do princípio do colonialismo estendido à alma. É o que distingue o crente do padre. O padre almeja o império sobre a alma dos outros, e eu me sinto mal com esta perspectiva.
IHU On-Line - Moisés, Paulo de Tarso, Constantino e Maomé seriam “ficções úteis”. Quais são suas referências teóricas para tal afirmativa?
Michel Onfray -
 Em duas palavras e no quadro de uma breve entrevista isso não será possível. Foi-me necessário um livro para começar a fazer um pouco a demonstração disso! Digamos que estas figuras são menos históricas do que mitológicas, que elas relevam menos história verificável nos fatos do que gestos e lendas com os quais se constrói cosmovisões úteis para constituir comunidades e civilizações.
IHU On-Line - No Tratado de ateologia, fica clara sua posição racionalista ocidental. Por que só a disjunção fé-razão é capaz de promover a Aufklärung? Religião e fé são sempre, necessariamente, incompatíveis?
Michel Onfray -
 Os cristãos pensam que não, certos muçulmanos igualmente, e um grande número de judeus também, o Papa atual, Bento XVI, crê que não. Todos os crentes dizem que eles usam a razão. De minha parte, eu direi que eles a utilizam, sem dúvida, mas demasiado tarde, após a força imperiosa da Fé. Ele crêem primeiro, absolutamente não se servem de sua razão naquele momento de seu pensamento, um momento psicológico, mas utilizam-na depois, num segundo tempo, para procurar dar sentido e coerência às suas crenças que procedem do fundo psicológico, do qual falamos bem no início de nossa entrevista. Uma razão utilizada a priori, e não a posteriori, como ocorre com os crentes.
IHU On-Line - Quais são as evidências que o levam a afirmar exatamente o contrário de Kant: a inexistência de Deus e do livre-arbítrio e a mortalidade da alma?
Michel Onfray -
 Não evidências, mas o bom senso: cabe àqueles que afirmam a existência de uma coisa apresentar a prova. Deus existe? Provai-o. Senão eu vos digo que os íncubos e os súcubos existem e que, se não podeis fazer-me a demonstração que isso é falso, então isso será verdadeiro.
Para o livre arbítrio, isso me parece claro: quando se é, por pouco que seja, informado de ciência, história, psicologia, sociologia, psicanálise, economia, política, constata-se como os determinismos são fortes, poderosos e todo-poderosos junto ao maior número. Vocês crêem que o violador de crianças é livre e que ele escolheu, entre outras possibilidades sexuais, esta antes que outra? Ou, então, ao contrário, que ele foi determinado por mil causalidades que seria preciso explicitar tornar-se um delinqüente sexual?

Enfim, a morte de todo mamífero faz a demonstração que o destino do cadáver de um cão, por exemplo, é o mesmo que o de meu próprio cadáver que, no dia determinado, será um cadáver de mamífero. O que vocês chamam de “alma” e da qual dizem que ela é eterna, imortal e imaterial, eu também concordo com sua existência: eu creio na existência da alma, sem dúvida, mas ela é material, mortal e perecível. O que a constitui é o agenciamento específico de minha materialidade: com minha morte, ela morre igualmente. Mas o exercício de uma entrevista que vocês me propõem torna difícil uma verdadeira argumentação que é dada no livro. Somos constrangidos a roçar os temas por alto.
IHU On-Line - Para você, Deus não morreu porque “uma ficção não morre”. A religião e o divino continuam, então, a ocupar lugar importante na sociedade?
Michel Onfray -
 Sim, seguramente. A maioria das pessoas têm e terão medo da morte. O mecanismo psicológico de negação funcionará até o fim dos tempos. E o recurso às ficções religiosas também terá lugar enquanto houver humanos. Somente alguns espíritos fortes viverão sem Deus, mas estes serão sempre minoritários.
IHU On-Line - Por que só o ateísmo possibilita sair do niilismo?
Michel Onfray -
 Não somente, mas filosoficamente, sim; somente a filosofia atéia evita que se substitua uma ficção por outra ficção, um mito por outro mito, uma religião (aquela dos romanos pagãos) por outra (aquela dos ocidentais cristãos). A filosofia permite uma mudança de era: ela permite passar de uma era mitológica e religiosa a uma era que será racional e filosófica. Eu me bato por isto, mas em desespero, sem muito crer nisso, sabendo que os humanos sempre preferirão as ficções que lhes dão segurança às verdades que os inquietam.


sábado, 12 de março de 2011

Carranca - Making Of - "A fé, o homem e o mercado" [HD]

            A banda pontenovense Carranca está em processo de gravação do seu primeiro álbum, que deve ser lançado em 2011.O vídeo mostra os músicos Marcello Baía (vocal), Alisson Sanches (Baixo, Guitarra e percussão) e Dalton Sanches (bateria) trabalhando na gravação da música "A fé, o homem e o mercado". Vale lembrar que a letra da música é de autoria do também pontenovense, o poeta, Jaquesson Cigarra. Já  falamos da Carranca aqui no Born To Lose, clique no link abaixo e leia a postagem anterior sobre a banda.
http://krlim.blogspot.com/2009/08/carranca-reformulando-antigas-formulas.html

            Em conversa com o baterista Dalton Sanches num bar em Ponte Nova, soubemos que a demora no lançamento do álbum (são dez anos de espera) deve-se ao compromisso dos músicos com a qualidade do trabalho. Segundo Dalton não seria satisfatório o resultado de uma gravação feita sem os recursos técnicos apropriados, sem um produtor que tivesse o interesse de realizar um trabalho mais voltado à musicalidade característica da Carranca. Era imprescindível que o produtor fosse capaz de criar as condições de gravação que permitisse a expressão da musicalidade própria da Carranca, o que encontraram em Belo Horizonte. Nas intermediações de Ponte Nova falta um profissional assim, os estúdios da região trabalhavam de uma forma mais padronizada, além claro, de não dispor de um estúdio equipado com a tecnologia necessária para alcançar o resultado esperado pelos músicos. O lorin de camisa vermelha que aparece no vídeo conversando com os músicos, ajeitando os microfones, etc, é o produtor que segundo Dalton procurou captar o som dos instrumentos, ou seja, não houve utilização de recursos eletrônicos que corrijam ou mesmo simulem o som dos instrumentos.

Estarei em contato com os integrantes da banda e novas notícias serão divulgadas aqui no Born to Lose.

Acessem o myspace da banda e conheça um pouco mais da Carranca. http://www.myspace.com/carranca


sexta-feira, 11 de março de 2011

Arthur Vinih: Ação e Reação


Cara, 4 meses sem postagens! Não foi por falta de tempo, aliás, isso é algo que tenho de sobra ultimamente. Alguns de vocês devem estar pensando que tenho feito muitas coisas com tanto tempo vago. Não, não estou. Fui atingido com violência por aquela vontade de nada da qual nos fala tanto aquele alemão pirado é ....  oooo .... é ... ah, deixa pra lá, acho que esse ranço de preguiça ainda não se foi por completo. Vamos deixar esse papo de lado e partir pra algo mais animado. O que estou dizendo? Não vai dar pra fazer isso, pois o tema que motivou essa postagem nada tem de animado, na verdade trata-se de um tema que botaria até mesmo os sorridentes e sempre bem humorados apresentadores globais (todos eles) pra baixo. Vamos falar aqui de desilusão amorosa, tema que perpassa as canções de Ação e Reação, álbum de estréia do compositor e músico pontenovense Arthur Vinih.
Estive em Ponte Nova durante o mês de janeiro, o que permitiu passar algum tempo com meus amigos, dentre os quais Arthur Vinih. Encontramo-nos algumas vezes e num desses encontros o jovem compositor explicou o conceito por trás do álbum, havia segundo ele, algo em comum entre as músicas que compõem Ação e Reação, o fato de tratarem de experiências cujo resultado foi a desilusão ou talvez seja mais apropriado o termo ilusão, causada pelo amor ou pela falta dele. Naquele momento não pude deixar de pensar como seria possível que alguém que acabara de entrar na casa dos vinte anos pudesse ter vivido desilusões amorosas fortes o bastante para causar a intensidade necessária de uma inspiração que o levasse à compor músicas suficientes para lançar um cd. Arthur se despediu e ficou de me dar seu álbum de presente.
Os dias se passaram, contudo aquela dúvida não. Estava curioso em ouvir o cd e ver o quão pesadas poderiam ser as desilusões de um cara de 20 anos. Arthur finalmente apareceu e conforme prometido trouxe consigo o cd. Ouvimos juntos enquanto tomávamos uma cerveja. Gostei da levada, os arranjos me chamaram a atenção, tecnicamente o álbum estava excelente, contudo não senti em nenhuma das músicas a tristeza, o baixo astral próprio de quem está desiludido e tratando-se de desilusão amorosa, esperava algo bem deprê. Perguntei-me onde estava a desilusão nas músicas. A última música terminou, aliás, composição de Zé Carlos Daniel, um dos parceiros de Arthur no processo de feitura do álbum, e nada que pudesse ligar as músicas à fossa própria da desilusão causada pela decepção de ter a bunda chutada de surpresa pela mulher amada estava expressa nas músicas. Falei à Arthur que gostei do álbum, no que fui sincero, sem, contudo, falar da sensação de vazio causada por não ter sentido nenhuma emoção ligada à “desilusão” enquanto ouvia as músicas. Tomei essa decisão por não estar seguro da questão que aparecera de modo tão repentino, considerei ser mais apropriado ouvir as músicas com mais calma, pois assim poderia construir um julgamento mais apropriado sobre as questões levantadas pelas músicas de Arthur.
Minha estadia em Ponte Nova acabou e ao chegar a minha casa em Salvador resolvi escutar o cd novamente, agora com mais atenção. Abri uma cerveja e comecei a ouvir. Continuei sem entender a relação que Arthur disse haver entre as músicas e a desilusão amorosa. Foi então que tive um insight e resolvi ler as letras. Percebi que a desilusão estava ali o tempo todo nas letras que pareciam tentar fazer com que o cara conseguisse superar os traumas causados pela separação, no jogo de poder presente em ambas as partes que se separam, que procuram disfarçar os sentimentos, sufocar o impacto que a presença do outro causa, estava ali o tempo todo. Achei a desilusão na letra das músicas e tive parte da questão respondida. As letras de Arthur carregam a marca da desilusão amorosa ainda infantil que caracteriza a descoberta adolescente do que costumamos chamar de amor. Talvez seja nessa fase da vida que damos mais importância a este sentimento, embora seja a fase em que ele parece ser menos importante. As letras de Arthur estão carregadas dessa inocência que habita os relacionamentos amorosos na adolescência, mais ligados às emoções que ao revanchismo ou a sensação de ter sido passado para traz e ter que ir à forra para não ter a honra manchada. Essa desilusão presente nas letras de Arthur faz parte do romantismo próprio da adolescência que perdemos aos poucos na medida em que avançamos no tempo, que ganhamos experiência de vida. Acredito ser esse o motivo de não ter identificado a desilusão nas músicas, pois procurava algo mais intenso, mais pesado, pois esta é a última sensação que tenho desse tipo de desilusão.
Falta a outra parte, saber se a musicalidade presente no álbum expressa ou não as emoções e sentimentos ligados à desilusão amorosa. Sou levado a afirmar que não, ao menos do ponto de vista conjuntural. Vejam, as seguintes músicas Triste Alegria, Amor Real, O que me Faz tão triste, Maior que o Sol, Por não Ter e Início, Meio e Fim, possuem uma cadência swingada, própria da música pop, que dá a estas músicas um status mais próprio do padrão de entretenimento. Isso faz com que exista uma separação entre letra de um lado e melodia e harmonia do outra. Ou seja, a música expressa uma coisa e a letra outra. O que expressa a música? Descontração. O que expressam as letras? Desilusão. Veja, para ficar mais claro o que estou tentando dizer, tente ouvir as músicas sem as letras e veja se há como identificá-las a algo próprio do sentimento de desilusão amorosa. Eu não consigo, apenas o identifico lendo as letras. Acho que o álbum poderia ter ganhado mais se conseguisse realizar essa unidade entre música e letra.   
            A crítica feita nesse pequeno texto, ao contrário do que podem imaginar algumas pessoas, não procura colocar em julgamento a qualidade do álbum Ação e Reação de Arthur Vinih. Apenas uma obra de qualidade pode suscitar questões e quando falo em qualidade, refiro-me à preocupação voltada ao processo artístico, indiferente, até certo ponto claro, à formatação da obra de arte sobre os contornos de um bem de consumo.
            Estamos disponibilizando o álbum Ação e Reação para download, autorizado por Arthur Vinih. Além das músicas o arquivo conta com imagens que reproduzem cada parte do álbum, ou seja, capa, contracapa e parte interna do álbum. Há também as letras das músicas para que cada um possa avaliar esta obra de Arthur e julgar se a crítica feita nesta postagem tem ou não algum fundamento.
Cabe lembrar que na primeira semana de abril estaremos publicando a entrevista feita com o compositor, onde as questões suscitadas nessa postagem serão dirigidas ao músico.
Uma última nota antes de encerrarmos essa postagem.  Outro motivo para celebrarmos o álbum de Arthur deve-se ao fato de reunir diferentes gerações de músicos pontenovenses, algo inusitado no cenário musical pontenovense. Para que vocês possam ter a dimensão da importância desse encontro, disponibilizamos abaixo a ficha técnica de Ação e Reação:
Produção Musical: José Carlos Daniel, Sandro Tolentino, Arthur Vinih.
Gravação: Estúdio Millenium
Participações: Jader Moreira e João Matos (flauta), Júnior Corrêa (pandeiro), Leonísio (gaita), Joe (cantor e compositor), José Carlos Daniel (violão, sanfona, baixo, vocais), Sandro Tolentino (guitarra), Igor (violão), Lílian Moreira (Vocais)

Link para download do álbum Ação e Reação.


http://www.mediafire.com/?3w0w1lqamtbohnu













sábado, 9 de outubro de 2010

A urgência de uma formação política dos estudantes brasileiros/ Apoio dos Professores de Filosofia à candidatura de Dilma Roussef à presidência do Brasil.

       Nesta fase decisiva para o futuro do nosso país, estou voltado à pesquisa dos caminhos que a eleição presidencial vem trilhando desde o início da campanha dos partidos nela envolvidos. O recente bombardeio de calúnias dirigidos à candidata do PT Dilma Roussef por parte da grande mídia e do EIXO, formado pelo PSDB e do DEM chama-nos professores ao engajamento contra as distorções, preconceitos e supertições que o EIXO lança sobre a população brasileira com o intuito de fazer nascer ali o medo na eleição da Dilma. A opção do EIXO é pela propagação do medo e não da argumentação, que busque sustentar a legitimidade de suas críticas e a necessidade para o país das propostas presentes em sua plataforma política.
        Essa estratégia foi usada pelas classes dominantes através da grande mídia, cujo representante maior é a Rede Globo, nas eleições de 1989, quando se incutiu na cabeça das pessoas o medo através de notícias de que Lula iria fechar igrejas, tomar o carro e a casa de quem possuía mais de um veículo e mais de um imóvel, etc, para distribuir entre aqueles que não possuíam nenhum carro, nenhuma casa.
      Naquele momento essas calúnias funcionaram eficientemente, contudo o momento do país é outro, as pessoas tem mais acesso à informação, tem acesso à uma educação melhor, embora esteja longe do ideal. A retomada desta velha estratégia, aliás, vale ressaltar, covarde, mostra o desespero do EIXO, bem como revela-nos o modo como vêem o povo brasileiro: um amontoado de imbecis! As calúnias que o EIXO faz pesar sobre a Dilma vão da afirmação de que a candidata vai fazer com que a lei do aborto seja legalizada, que vai ensinar nas escolas que o aborto deve ser praticado, que vai obrigar as religiões a realizar casamentos homossexuais e o pior de tudo, que vai instaurar a ditadura em nosso país. Essa última e mais absurda infâmia fiquei sabendo pelo meu irmãozinho caçula, que apesar do diminutivo tem 21 anos, sendo este o motivo que o levou a votar em Serra e não em Dilma. Isso revelou a ignorância do meu irmão, o que me assustou, mas certamente é o motivo de muitos outros brasileiros a optarem por Serra e não em Dilma. Tal acontecimento foi o que me levou a redigir este texto. 
       Isso mostra que as pessoas sabem que vivem num estado democrático, mas não fazem idéia do que significar viver em tal regime político. Não sabem que o presidente faz parte do executivo, que qualquer lei para ser passível de ser vetada ou homologada pelo presidente deve antes ser votada na Câmara dos Deputados e pelo Senado. Isso já é motivo suficiente para desmascarar as calúnias criadas pelo EIXO. Falta ao brasileiro uma educação política.
      Retomando o que havia dito anteriormente, cabe a nós professores nos esforçarmos na formação política dos estudantes, seja na esfera básica, média ou superior, para que aberrações como essas não sejam aceitas como verdade pelas pessoas. Apenas uma mente petrificada pela falta de conhecimento, pode acolher tais absurdos como motivos efetivos para se votar ou não em alguém. Temos que promover discussões nas salas de aula, buscar por todos os meios relacionar os assuntos discutidos em sala de aula à compreensão política de nossa realidade. Essa tarefa deve ser o cerne principalmente das disciplinas pertencentes à área de humanas, mas que pode fazer parte da pauta de discussões da biologia, pois a questão dos alimentos e da água está diretamente ligada ao lucro das grandes corporações e o domínio das mesmas do mercado dos alimentos, bem como da matemática que pode abordar a questão econômica através dos índices de crescimento econômico, populacional, da geração de emprego etc. 
     Entendo que hoje a interdisciplinaridade deve trabalhar a favor da formação política do brasileiro, para que não continuemos a ser vítimas de nossa própria ignorância.  


Sendo professor de Filosofia e por apoiar a eleição da candidata Dilma Roussef à presidência da república coloco em anexo a esta postagem o "Manifesto dos Professores e Pesquisadores de Filosofia Apoiam Dilma Rousseff para a Presidência da República":


Professores e pesquisadores de Filosofia, abaixo assinados, manifestamos nosso apoio à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Seguem-se nossas razões.

Os valores de nossa Constituição exigem compromisso e responsabilidade por parte dos representantes políticos e dos intelectuais

Nesta semana completam-se vinte e dois anos de promulgação da Constituição Federal. Embora marcada por contradições de uma sociedade que recém começava a acordar da longa noite do arbítrio, ela logrou afirmar valores que animam sonhos generosos com o futuro de nosso país. Entre os objetivos da República Federativa do Brasil estão “construir uma sociedade livre, justa e solidária”, “garantir o desenvolvimento nacional”, “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”.

A vitalidade de nossa República depende do efetivo compromisso com tais objetivos, para além da mera adesão verbal. Por parte de nossos representantes, ele deve traduzir-se em projetos claros e ações efetivas, sujeitos à responsabilização política pelos cidadãos. Dos intelectuais, espera-se o exame racionalmente responsável desses projetos e ações.

Os oito anos de governo Lula constituíram um formidável movimento na direção desses objetivos. Reconheça-se o papel do governo anterior na conquista de relativa estabilidade econômica. Ao atual governo, porém, deve-se tributar o feito inédito de conciliar crescimento da economia, controle da inflação e significativo desenvolvimento social. Nesses oito anos, a pobreza foi reduzida em mais de 40%; mais de 30 milhões de brasileiros ascenderam à classe média; a desigualdade de renda sofreu uma queda palpável. Não se tratou de um efeito natural e inevitável da estabilidade econômica. Trata-se do resultado de políticas públicas resolutamente implementadas pelo atual governo – as quais não se limitam ao Bolsa Família, mas têm nesse programa seu carro-chefe.

Tais políticas assinalam o compromisso do governo Lula com a realização dos objetivos de nossa República. Como ministra, Dilma Rousseff exerceu um papel central no sucesso dessa gestão. Cremos que sua chegada à Presidência representará a continuidade, aprofundamento e aperfeiçoamento do combate à pobreza e à desigualdade que marcou os últimos oito anos.

Há razões para duvidar que um eventual governo José Serra ofereça os mesmos prospectos. É notório o desprezo com que os programas sociais do atual governo – em particular o Bolsa Família – foram inicialmente recebidos pelos atores da coligação que sustenta o candidato. Frente ao sucesso de tais programas, José Serra vem agora verbalizar sua adesão a eles, quando não arroga para si sua primeira concepção. Não tendo ainda, passado o primeiro turno, apresentado um programa de governo, ele nos lança toda sorte de promessas – algumas das quais em franco contraste com sua gestão como governador de São Paulo – sem esclarecer como concretizá-las. O caráter errático de sua campanha justifica ceticismo quanto à consistência de seus compromissos. Seu discurso pautado por conveniências eleitorais indica aversão à responsabilidade que se espera de nossos representantes. Ironicamente, os intelectuais associados ao seu projeto político costumam tachar o governo Lula e a candidatura Dilma de populistas.

O compromisso com a inclusão social é um compromisso com a democracia


A despeito da súbita conversão da oposição às políticas sociais do atual governo, ainda ecoam entre nós os chavões disseminados por ela sobre os programas de transferência de renda implementados nos últimos anos: eles consistiriam em mera esmola assistencialista desprovida de mecanismos que possibilitem a autonomia de seus beneficiários; mais grave, constituiriam instrumento de controle populista sobre as massas pobres, visando à perpetuação no poder do PT e de seus aliados. Tais chavões repousam sobre um equívoco de direito e de fato.

A história da democracia, desde seus primeiros momentos na pólis ateniense, é a história da progressiva incorporação à comunidade política dos que outrora se viam destituídos de voz nos processos decisórios coletivos. Que tal incorporação se mostre efetiva pressupõe que os cidadãos disponham das condições materiais básicas para seu reconhecimento como tais. A cidadania exige o que Kant caracterizou como independência: o cidadão deve ser “seu próprio senhor (sui iuris)”, por conseguinte possuir “alguma propriedade (e qualquer habilidade, ofício, arte ou ciência pode contar como propriedade) que lhe possibilite o sustento”. Nossa Constituição vai ao encontro dessa exigência ao reservar um capítulo aos direitos sociais.

Os programas de transferência de renda implementados pelo governo não apenas ajudaram a proteger o país da crise econômica mundial – por induzirem o crescimento do mercado interno –, mas fortaleceram nossa democracia ao criar bases concretas para a cidadania de milhões de brasileiros. Se atentarmos ao seu formato institucional, veremos que eles proporcionam condições para a progressiva autonomia de seus beneficiários, ao invés de prendê-los em um círculo de dependência. Que mulheres e homens beneficiados por tais programas confiram seus votos às forças que lutaram por implementá-los não deve surpreender ninguém – trata-se, afinal, da lógica mesma da governança democrática. Senhoras e senhores de seu destino, porém, sua relação com tais forças será propriamente política, não mais a subserviência em que os confinavam as oligarquias.

As liberdades públicas devem ser protegidas, em particular de seus paladinos de ocasião

Nos últimos oito anos – mas especialmente neste ano eleitoral – assistiu-se à reiterada acusação, por parte de alguns intelectuais e da grande imprensa, de que o presidente Lula e seu governo atentam contra as liberdades públicas. É verdade que não há governo cujos quadros estejam inteiramente imunes às tentações do abuso de poder; é justamente esse fato que informa o desenvolvimento dos sistemas de freios e contrapesos do moderno Estado de Direito. Todavia, à parte episódios singulares – seguidos das sanções e reparos cabíveis –, um olhar sóbrio sobre o nosso país não terá dificuldade em ver que o governo tem zelado pelas garantias fundamentais previstas na Constituição e respeitado a independência das instituições encarregadas de protegê-las, como o Ministério Público, a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal.

Diante disso, foi com desgosto e preocupação que vimos personalidades e intelectuais ilustres de nosso país assinarem, há duas semanas, um autointitulado “Manifesto em Defesa da Democracia”, em que acusam o governo de tramas para “solapar o regime democrático”. À conveniência da candidatura oposicionista, inventam uma nova regra de conduta presidencial: o Presidente da República deve abster-se, em qualquer contexto, de fazer política ou apoiar candidaturas. Ironicamente, observada tal regra seria impossível a reeleição para o executivo federal – instituto criado durante o governo anterior, não sem sombra de casuísmo, em circunstâncias que não mereceram o alarme da maioria de seus signatários.

Grandes veículos de comunicação sistematicamente alardeiam que o governo Lula e a candidatura Dilma representam uma ameaça à liberdade de imprensa, enquanto se notabilizam por uma cobertura militante e nem sempre responsável da atual campanha presidencial. As críticas do Presidente à grande imprensa não exigem adesão, mas tampouco atentam contra o regime democrático, em que o Presidente goza dos mesmos direitos de todo cidadão, na forma da lei. Propostas de aperfeiçoamento dos marcos legais do setor devem ser examinadas com racionalidade, a exemplo do que tem acontecido em países como a França e a Inglaterra.

Se durante a campanha do primeiro turno houve um episódio a ameaçar a liberdade de imprensa no Brasil, terá sido o estranho requerimento da Dra. Sandra Cureau, vice-procuradora-geral Eleitoral, à revista Carta Capital. De efeito intimidativo e duvidoso lastro legal, o episódio não recebeu atenção dos grandes veículos de comunicação do país, tampouco ensejou a mobilização cívica daqueles que, poucos dias antes, publicavam um manifesto contra supostas ameaças do Presidente à democracia brasileira. O zelo pelas liberdades públicas não admite dois pesos e duas medidas. Quando a evocação das garantias fundamentais se vê aliciada pelo vale-tudo eleitoral, a Constituição é rebaixada à mera retórica.

Estamos convictos de que Dilma Rousseff, se eleita, saberá proteger as liberdades públicas. Comprometidos com a defesa dessas liberdades, recomendamos o voto nela.

Em defesa do Estado laico e do respeito à diversidade de orientações espirituais, contra a instrumentalização política do discurso religioso

A Constituição Federal é suficientemente clara na afirmação do caráter laico do Estado brasileiro. É garantida aos cidadãos brasileiros a liberdade de crença e consciência, não se admitindo que identidades religiosas se imponham como condição do exercício de direitos e do respeito à dignidade fundamental de cada um. Isso não significa que a religiosidade deva ser excluída da cena pública; exige, porém, intransigência com os que pregam o ódio e a intolerância em nome de uma orientação espiritual particular.

É, pois, com preocupação que testemunhamos a instrumentalização do discurso religioso na presente corrida presidencial. Em particular, deploramos a guarida de templos ao proselitismo a favor ou contra esta ou aquela candidatura – em clara afronta à legislação eleitoral. Dilma Rousseff, em particular, tem sido alvo de campanha difamatória baseada em ilações sobre suas convicções espirituais e na deliberada distorção das posições do atual governo sobre o aborto e a liberdade de manifestação religiosa. Conclamamos ambos os candidatos ora em disputa a não cederem às intimidações dos intolerantes. Temos confiança de que um eventual governo Dilma Rousseff preservará o caráter laico do Estado brasileiro e conduzirá adequadamente a discussão de temas que, embora sensíveis a religiosidades particulares, são de notório interesse público.

O compromisso com a expansão e qualificação da universidade é condição da construção de um país próspero, justo e com desenvolvimento sustentável

É incontroverso que a prosperidade de um país se deixa medir pela qualidade e pelo grau de universalização da educação de suas crianças e de seus jovens. O Brasil tem muito por fazer nesse sentido, uma tarefa de gerações. O atual governo tem dado passos na direção certa. Programas de transferência de renda condicionam benefícios a famílias à manutenção de suas crianças na escola, diminuindo a evasão no ensino fundamental. A criação e ampliação de escolas técnicas e institutos federais têm proporcionado o aumento de vagas públicas no ensino médio. Programas como o PRODOCENCIA e o PARFOR atendem à capacitação de professores em ambos os níveis.

Em poucas áreas da governança o contraste entre a administração atual e a anterior é tão flagrante quanto nas políticas para o ensino superior e a pesquisa científica e tecnológica associadas. Durante os oito anos do governo anterior, não se criou uma nova universidade federal sequer; os equipamentos das universidades federais viram-se em vergonhosa penúria; as verbas de pesquisa estiveram constantemente à mercê de contingenciamentos; o arrocho salarial, aliado à falta de perspectivas e reconhecimento, favoreceu a aposentaria precoce de inúmeros docentes, sem a realização de concursos públicos para a reposição satisfatória de professores. O consórcio partidário que cerca a candidatura José Serra – o mesmo que deu guarida ao governo anterior – deve explicar por que e como não reeditará essa situação.

O atual governo tem agido não apenas para a recuperação do ensino superior e da pesquisa universitária, após anos de sucateamento, como tem implementado políticas para sua expansão e qualificação – com resultados já reconhecidos pela comunidade científica internacional. O PROUNI – atacado por um dos partidos da coligação de José Serra – possibilitou o acesso à universidade para mais de 700.000 brasileiros de baixa renda. Através do REUNI, as universidades federais têm assistido a um grande crescimento na infraestrutura e na contratação, mediante concurso público, de docentes qualificados. Programas de fomento, levados a cabo pelo CNPq e pela CAPES, têm proporcionado um sensível aumento da pesquisa em ciência e tecnologia, premissa central para o desenvolvimento do país. Foram criadas 14 novas universidades federais, testemunhando-se a interiorização do ensino superior no Brasil, levando o conhecimento às regiões mais pobres, menos desenvolvidas e mais necessitadas de apoio do Estado.

Ademais, deve-se frisar que não há possibilidade de desenvolvimento sustentável e preservação de nossa biodiversidade – temas cujo protagonismo na atual campanha deve-se à contribuição de Marina Silva – sem investimentos pesados em ciência e tecnologia. Não se pode esperar que a iniciativa privada satisfaça inteiramente essa demanda. O papel do Estado como indutor da pesquisa científica é indispensável, exigindo um compromisso que se traduza em políticas públicas concretas. A ausência de projetos claros e consistentes da candidatura oposicionista, a par do lamentável retrospecto do governo anterior nessa área, motiva receios quanto ao futuro do ensino superior e do conhecimento científico no Brasil – e, com eles, da proteção de nosso meio-ambiente – no caso da vitória de José Serra. A perspectiva de continuidade e aperfeiçoamento das políticas do governo Lula para o ensino e a pesquisa universitários motiva nosso apoio à candidatura de Dilma Rousseff.

Por essas razões, apoiamos a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Para o povo brasileiro continuar em sua jornada de reencontro consigo mesmo. Para o Brasil continuar mudando!

06 de outubro de 2010