A banda pontenovense Carranca está em processo de gravação do seu primeiro álbum, que deve ser lançado em 2011.O vídeo mostra os músicos Marcello Baía (vocal), Alisson Sanches (Baixo, Guitarra e percussão) e Dalton Sanches (bateria) trabalhando na gravação da música "A fé, o homem e o mercado". Vale lembrar que a letra da música é de autoria do também pontenovense, o poeta, Jaquesson Cigarra. Já falamos da Carranca aqui no Born To Lose, clique no link abaixo e leia a postagem anterior sobre a banda.
http://krlim.blogspot.com/2009/08/carranca-reformulando-antigas-formulas.html
Em conversa com o baterista Dalton Sanches num bar em Ponte Nova, soubemos que a demora no lançamento do álbum (são dez anos de espera) deve-se ao compromisso dos músicos com a qualidade do trabalho. Segundo Dalton não seria satisfatório o resultado de uma gravação feita sem os recursos técnicos apropriados, sem um produtor que tivesse o interesse de realizar um trabalho mais voltado à musicalidade característica da Carranca. Era imprescindível que o produtor fosse capaz de criar as condições de gravação que permitisse a expressão da musicalidade própria da Carranca, o que encontraram em Belo Horizonte. Nas intermediações de Ponte Nova falta um profissional assim, os estúdios da região trabalhavam de uma forma mais padronizada, além claro, de não dispor de um estúdio equipado com a tecnologia necessária para alcançar o resultado esperado pelos músicos. O lorin de camisa vermelha que aparece no vídeo conversando com os músicos, ajeitando os microfones, etc, é o produtor que segundo Dalton procurou captar o som dos instrumentos, ou seja, não houve utilização de recursos eletrônicos que corrijam ou mesmo simulem o som dos instrumentos.
Estarei em contato com os integrantes da banda e novas notícias serão divulgadas aqui no Born to Lose.
Acessem o myspace da banda e conheça um pouco mais da Carranca. http://www.myspace.com/carranca
sábado, 12 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Arthur Vinih: Ação e Reação
Estive em Ponte Nova durante o mês de janeiro, o que permitiu passar algum tempo com meus amigos, dentre os quais Arthur Vinih. Encontramo-nos algumas vezes e num desses encontros o jovem compositor explicou o conceito por trás do álbum, havia segundo ele, algo em comum entre as músicas que compõem Ação e Reação, o fato de tratarem de experiências cujo resultado foi a desilusão ou talvez seja mais apropriado o termo ilusão, causada pelo amor ou pela falta dele. Naquele momento não pude deixar de pensar como seria possível que alguém que acabara de entrar na casa dos vinte anos pudesse ter vivido desilusões amorosas fortes o bastante para causar a intensidade necessária de uma inspiração que o levasse à compor músicas suficientes para lançar um cd. Arthur se despediu e ficou de me dar seu álbum de presente.
Os dias se passaram, contudo aquela dúvida não. Estava curioso em ouvir o cd e ver o quão pesadas poderiam ser as desilusões de um cara de 20 anos. Arthur finalmente apareceu e conforme prometido trouxe consigo o cd. Ouvimos juntos enquanto tomávamos uma cerveja. Gostei da levada, os arranjos me chamaram a atenção, tecnicamente o álbum estava excelente, contudo não senti em nenhuma das músicas a tristeza, o baixo astral próprio de quem está desiludido e tratando-se de desilusão amorosa, esperava algo bem deprê. Perguntei-me onde estava a desilusão nas músicas. A última música terminou, aliás, composição de Zé Carlos Daniel, um dos parceiros de Arthur no processo de feitura do álbum, e nada que pudesse ligar as músicas à fossa própria da desilusão causada pela decepção de ter a bunda chutada de surpresa pela mulher amada estava expressa nas músicas. Falei à Arthur que gostei do álbum, no que fui sincero, sem, contudo, falar da sensação de vazio causada por não ter sentido nenhuma emoção ligada à “desilusão” enquanto ouvia as músicas. Tomei essa decisão por não estar seguro da questão que aparecera de modo tão repentino, considerei ser mais apropriado ouvir as músicas com mais calma, pois assim poderia construir um julgamento mais apropriado sobre as questões levantadas pelas músicas de Arthur.
Falta a outra parte, saber se a musicalidade presente no álbum expressa ou não as emoções e sentimentos ligados à desilusão amorosa. Sou levado a afirmar que não, ao menos do ponto de vista conjuntural. Vejam, as seguintes músicas Triste Alegria, Amor Real, O que me Faz tão triste, Maior que o Sol, Por não Ter e Início, Meio e Fim, possuem uma cadência swingada, própria da música pop, que dá a estas músicas um status mais próprio do padrão de entretenimento. Isso faz com que exista uma separação entre letra de um lado e melodia e harmonia do outra. Ou seja, a música expressa uma coisa e a letra outra. O que expressa a música? Descontração. O que expressam as letras? Desilusão. Veja, para ficar mais claro o que estou tentando dizer, tente ouvir as músicas sem as letras e veja se há como identificá-las a algo próprio do sentimento de desilusão amorosa. Eu não consigo, apenas o identifico lendo as letras. Acho que o álbum poderia ter ganhado mais se conseguisse realizar essa unidade entre música e letra.
A crítica feita nesse pequeno texto, ao contrário do que podem imaginar algumas pessoas, não procura colocar em julgamento a qualidade do álbum Ação e Reação de Arthur Vinih. Apenas uma obra de qualidade pode suscitar questões e quando falo em qualidade, refiro-me à preocupação voltada ao processo artístico, indiferente, até certo ponto claro, à formatação da obra de arte sobre os contornos de um bem de consumo.
Estamos disponibilizando o álbum Ação e Reação para download, autorizado por Arthur Vinih. Além das músicas o arquivo conta com imagens que reproduzem cada parte do álbum, ou seja, capa, contracapa e parte interna do álbum. Há também as letras das músicas para que cada um possa avaliar esta obra de Arthur e julgar se a crítica feita nesta postagem tem ou não algum fundamento.
Cabe lembrar que na primeira semana de abril estaremos publicando a entrevista feita com o compositor, onde as questões suscitadas nessa postagem serão dirigidas ao músico.
Uma última nota antes de encerrarmos essa postagem. Outro motivo para celebrarmos o álbum de Arthur deve-se ao fato de reunir diferentes gerações de músicos pontenovenses, algo inusitado no cenário musical pontenovense. Para que vocês possam ter a dimensão da importância desse encontro, disponibilizamos abaixo a ficha técnica de Ação e Reação:
Produção Musical: José Carlos Daniel, Sandro Tolentino, Arthur Vinih.
Gravação: Estúdio Millenium
Participações: Jader Moreira e João Matos (flauta), Júnior Corrêa (pandeiro), Leonísio (gaita), Joe (cantor e compositor), José Carlos Daniel (violão, sanfona, baixo, vocais), Sandro Tolentino (guitarra), Igor (violão), Lílian Moreira (Vocais)
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